#Selbstdenken
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O excesso de leitura priva a mente de toda a elasticidade, assim como a contínua pressão de um peso afrouxa uma mola. A maneira mais segura de jamais ter sequer um pensamento próprio é apanhar um livro toda vez que se tem um tempo livre. A prática desse hábito é a razão por que a erudição torna a maioria dos homens mais enfadonhos e tolos do que são por natureza, e priva os seus escritos de toda efetividade. Nas palavras de Pope, eles estão "para sempre lendo, jamais sendo lidos". [...] O homem que pensa por si mesmo busca as opiniões das autoridades só depois de ter adquirido suas próprias opiniões e meramente como confirmação delas, ao passo que o filósofo livresco começa com as autoridades e constrói suas opiniões coletando as opiniões dos outros: sua mente está para a do primeiro assim como um autômato está para um homem vivo. Uma verdade que foi apenas aprendida adere a nós somente como um membro artificial, um dente falso, um nariz de cera ou, no máximo, uma pele transplantada. Mas uma verdade conquistada pelo próprio pensamento é como um membro natural: só ela realmente nos pertence. Isso define a diferença entre um pensador e um scholar.
De Parerga und Paralipomena II, cap. XXII, §§258 e 260 (1851). Leitura em excesso atrofia o pensamento próprio; a verdade conquistada pelo raciocínio é membro natural — a meramente aprendida, prótese.
Wie die größte Bibliothek, ungeordnet, nicht so viel Nutzen gewährt, als eine sehr mäßige aber wohlgeordnete
De Parerga und Paralipomena II, cap. XXII §257 (1851). A maior biblioteca em desordem é menos útil que uma pequena bem organizada — vale o mesmo para o saber.
Lesen heißt mit einem fremden Kopfe, statt des eigenen, denken
De Parerga und Paralipomena II, cap. XXIII §261 (1851). Ler é pensar com cabeça alheia em vez da própria; só se deve ler quando o próprio pensamento seca.
Bloß angelernte Wahrheit klebt uns nur an wie ein angesetztes Glied... das selbstgedachte aber gleicht dem natürlich angewachsenen Gliede
De Parerga und Paralipomena II, cap. XXII §261 (1851). Verdade aprendida gruda como membro postiço; verdade pensada por si mesma é membro natural.
