#Ryle
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Da ontologia à gramática: a virada da filosofia da linguagem comum
A tese 'Ryle dissolve ontologia em gramática' faz parte de um movimento maior: a filosofia da linguagem comum (Wittgenstein tardio, Ryle, Austin) substitui a pergunta sobre o ser pela pergunta sobre uso significativo da língua. Wittgenstein é o caso mais explícito ('a essência se expressa pela gramática'); Ryle e Austin operam na mesma chave.
O que é uma categoria, para Ryle
Ryle se recusa a dar definição positiva de 'categoria'. Categoria não é uma entidade nem um gênero supremo do real, como em Aristóteles; é a posição lógico-gramatical que uma expressão ocupa. Definir categoria de forma substantiva é cair no mesmo tipo de erro que ele quer denunciar.
Como funcionam as categorias em Ryle
Ryle, em 'Categories' (1938) e em The Concept of Mind (1949), define categoria como tipo lógico detectado pelo teste de substituição: se trocar uma expressão por outra na mesma frase produz absurdo, as expressões são de categorias diferentes. Não há tábua finita; categorias são abertas e identificadas localmente.
Disposicionalismo (Ryle): mente como modo de organização
Ryle, em The Concept of Mind (1949), nega que a mente seja substância paralela ao corpo. Mente é vocabulário de capacidades e disposições para agir. A posição é frequentemente rotulada como disposicionalismo ou logical behaviorism — rótulos que Ryle resistia, porque fazia análise categorial, não tese substantiva.
