#Retorica-Politica
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Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora
Trecho do sétimo parágrafo da carta-testamento de Vargas (24/08/1954). Construção rítmica que transforma a presidência em desgaste contado em unidades cada vez menores.
Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna
Trecho do penúltimo parágrafo da carta-testamento de Vargas (24/08/1954). Inverte a relação entre presidente e povo, transferindo a libertação do líder para o povo.
Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se
Frase de abertura da carta-testamento de Vargas (24/08/1954). Constrói o adversário como conluio recorrente e enquadra a crise de 1954 como repetição de ataques anteriores.
Escolho este meio de estar sempre convosco
Frase do oitavo parágrafo da carta-testamento de Vargas (24/08/1954) que enquadra o suicídio como ato de presença permanente, não de retirada.
Sigo o destino que me é imposto
Abertura do terceiro parágrafo da carta-testamento de Vargas (24/08/1954), articulando o suicídio como passagem fatal e não como escolha pessoal.
Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte
Antepenúltima frase da carta-testamento de Vargas (24/08/1954). Construção da morte como dádiva pública, deslocando o suicídio individual para o registro do sacrifício político.
