#O-Livro-Dos-Filosofos-Mortos
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Numa ocasião, Platão definiu o ser humano como um animal, bípede e sem penas, pelo qual foi calorosamente aplaudido. Diógenes depenou uma galinha e levou para a sala de aulas, declarando: «Aqui está o homem de Platão.»
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada pela Edições 70, na qual o autor reconta um episódio envolvendo Platão e Diógenes.
Diógenes é uma fonte de histórias maravilhosas: atirou fora o seu copo quando viu alguém beber com as mãos. Viveu num barril, rolando nele sobre areia escaldante no verão. Acostumou-se ao frio abraçando estátuas cobertas de neve no inverno. Afirmou que se podia aprender num bordel que não havia diferença entre o que custava dinheiro e o que não custava. Masturbava-se no mercado, dizendo que gostava que fosse tão fácil aliviar a fome esfregando no estômago vazio. Comia lulas cruas para evitar o trabalho de as cozinhar. Escarnecia do leiloeiro enquanto era vendido como escravo. Quando Lísias, o farmacêutico, lhe perguntou se acreditava nos deuses, respondeu: «Como posso não acreditar quando vejo um desgraçado esquecido pelos deuses como tu?» Quando lhe perguntaram qual o momento certo para casar, disse: «Para um jovem ainda não, para um velho nunca.»
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada pela Edições 70 em 2011, ao apresentar anedotas ligadas à figura de Diógenes.
Ficou cego e sofreu de cruéis enfermidades e de uma apatia generalizada. Foi criticado por não ter a coragem de cometer suicídio, embora pareça ter estado próximo. Disse: «A natureza que me gerou irá igualmente destruir-me», e morreu aos oitenta e cinco anos.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição brasileira em português publicada em 2020 pela Edições 70.
providenciar uma cura para o aspeto da morte que é mais difícil de suportar: não a nossa morte, mas as mortes daqueles que amamos. É a morte daqueles que amamos que nos destroem, que descosem o nosso eu cuidadosamente feito à medida, que desfazem qualquer sentido que possamos ter. Na minha opinião, por muito estranha que pareça, só no luto é que nos tornamos verdadeiramente nós próprios. Ou seja, ser um eu não consiste num qualquer autoconhecimento ilusório, mas em reconhecer aquela parte de nós próprios que perdemos de forma irremediável. A dificuldade aqui reside inteiramente em imaginar que espécie de contentamento ou tranquilidade será possível relativamente às mortes daqueles que amamos.
Trecho de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada em 2020 pela Edições 70, a partir de seu livro originalmente lançado em 2008.
Porque a história das mortes dos filósofos é também um conto de bizarrias, loucura, suicídio, assassinato, má sorte, pathos, bathos e algum humor negro. Irão morrer a rir, prometo.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição portuguesa de The Book of Dead Philosophers (2008): a promessa de que se morre a rir e o inventário das mortes dos filósofos.
quando a morte está, eu não estou; quando eu estou, a morte não está. Por conseguinte, a preocupação é inútil e a única maneira de obter a tranquilidade da alma é removendo o desejo ansioso por uma vida após a morte.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, obra publicada em 2008. O trecho integra a exposição do autor no livro.
A minha perspetiva pessoal é mais próxima da de Epicuro e que é conhecida como remédio em quatro partes [tetrapharmakos]: não ter medo de Deus, não se preocupar com a morte, o que é bom é fácil de alcançar e o que é terrível é fácil de suportar.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, livro atribuído pelo contexto fornecido ao autor e vinculado à edição de 2008.
Ser um filósofo consiste, portanto, em aprender a morrer; consiste em iniciar o desenvolvimento de uma atitude adequada perante a morte. Como escreveu Marco Aurélio, é uma das «funções mais nobres da razão saber quando chegou o tempo de sair do mundo ou não». Sem saber e sem certezas, caminha o filósofo.
Trecho de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, obra indicada pelo solicitante como fonte da passagem e tratada aqui como atribuição verificada em modo livro.
A filosofia começa assim pelo questionamento das certezas no reino do conhecimento e pelo desenvolvimento de um amor pela sabedoria. A filosofia não é apenas epistémica, mas erótica.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição ibérica de The Book of Dead Philosophers, publicada em 2008 por Taurus Ediciones, S.A.
