#Monteiro-Lobato
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'Uma criança que lê será um adulto que pensa' — não é frase atribuível a Monteiro Lobato
Aforismo motivacional sobre leitura, sem fonte primária identificada na obra de Lobato, atribuído indiscriminadamente também a Victor Hugo, Cervantes e outros autores. Apócrifo de origem incerta.
'O Brasil é um imenso hospital' — não é frase de Monteiro Lobato
A frase é de Miguel Pereira, médico, professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em discurso de 11 de outubro de 1916. Confunde-se com Lobato pela proximidade temática com a campanha sanitarista que ele divulgou.
'O petróleo é nosso' — não é frase de Monteiro Lobato
O slogan da campanha nacionalista do petróleo é frequentemente atribuído a Lobato, mas foi cunhado por Otacílio Raínho em 1948 e popularizado pelo movimento nacionalista que culminou na criação da Petrobras (1953).
Quem morre pelo seu país vive eternamente
Frase atribuída a Monteiro Lobato em compilação de aforismos políticos brasileiros (Buchsbaum, 2006). Atribuição secundária; a fonte primária não é localizável na obra do autor.
O Homem que Calculava já me encantou duas vezes
Carta de Monteiro Lobato a Malba Tahan, São Paulo, 14 de janeiro de 1939. Elogio de um clássico da literatura matemática brasileira por outro clássico da literatura infantojuvenil.
Não há livros, Rangel! Nós precisamos entupir este país com uma chuva de livros
Carta a Godofredo Rangel, Caçapava, 16 de janeiro de 1915. Manifesto editorial precoce de Lobato, três anos antes da publicação de 'Urupês' e dez antes da fundação da Companhia Editora Nacional.
Ao terminar a leitura, o leitor corre à janela para ver se ainda há céu no mundo
Carta de Lobato a Godofredo Rangel, escrita em Areias, 1907, reproduzida em 'Lobato Letrador 1º Passo' (2018), p. 18. Definição precoce do efeito de leitura como interrupção do ar habitual.
Ando com ideias dumas coisas Wells
Carta a Godofredo Rangel, Taubaté, 17 de dezembro de 1905. Lobato com 23 anos projeta-se como 'H. G. Wells de Taubaté' e antecipa o programa de ficção científica que executaria duas décadas depois.
Tudo vem dos sonhos. Primeiro sonhamos, depois fazemos
Aforismo de 'América' (1929), p. 111. Sequência operativa entre projeção mental e construção material, formulada a partir da observação dos Estados Unidos.
Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca de carvão pelo mastro de São Pedro acima
Trecho de 'Caçadas de Pedrinho' (1933), motivo do mandado de segurança do Instituto de Advocacia Racial discutido pelo CNE entre 2010 e 2014. Documento de linguagem racializadora num livro escolar canônico.
País de mestiços onde o branco não tem força para organizar uma Kux-Klan, é país perdido para altos destinos
Carta de Monteiro Lobato a Arthur Neiva, 10 de abril de 1928. Trecho documental do alinhamento eugenista do autor, recorrentemente citado em estudos acadêmicos sobre o racismo na obra.
Excelente senhora, a patroa
Abertura do conto 'Negrinha' em 'Negrinha' (1920). Lobato pinta a senhora bem-pensante por dentro, com ironia que estabelece o tom da denúncia.
Progresso amigo, tu és cômodo, és delicioso, mas feio
Trecho do conto 'Os Faroleiros' em 'Urupês' (1918). Apóstrofe ao Progresso como categoria estética ambivalente, conforto e fealdade no mesmo movimento.
Os erros se escondem, fazem-se positivamente invisíveis, mas assim que o livro sai, tornam-se visibilíssimos, verdadeiros sacis a nos botar a língua em todas as páginas
Aforismo de Lobato sobre revisão editorial, registrado na Revista do Serviço Público vol. 12, ed. 4, p. 30 (1949). Comparação dos erros editoriais com sacis brincalhões.
A Julio Verne todo um mundo de coisas eu devo
Reflexão de Lobato sobre a formação do leitor, em 'Lobato Letrador Anexos' (2019), p. 179. Tese sobre a ficção como porta de entrada para o estudo abstrato.
Eu adoro Emília
Confissão de Lobato sobre a personagem-boneca de pano, em fragmento reproduzido em 'Lobato Letrador Anexos' (2019), p. 264. O autor diz rir das próprias frases ao escrevê-las.
A tradução literal trai e mata a obra traduzida
Defesa da tradução por sentido contra a tradução por forma, em fragmento reproduzido em 'Lobato Letrador 1º Passo' (2018), p. 45. Posição prática do escritor que traduziu Wells, Kipling, Hemingway.
Os gramáticos não são donos da língua, e esta não é uma criação lógica
Aforismo de Lobato reproduzido em 'Lobato Letrador 1º Passo' (2018), p. 87. Tese sobre a língua como uso vivo contra a normatização gramatical.
Com petróleo e ferro, o homem se multiplica por mil. Com o livro, ele se torna um Homem
Aforismo de Lobato em correspondência reunida em 'Lobato Letrador 2º Passo' (2018), p. 17. Articulação entre indústria pesada e cultura como duas pernas do projeto nacional.
Felizmente estou com 62 anos e breve morro e fico livre de tudo
Carta a Godofredo Rangel, São Paulo, 18 de novembro de 1944. Pessimismo tardio de Lobato sobre o Homo Sapiens e a sucessão de espécies dominantes.
De Norte a Sul o povo lamuria a sua desgraça
Trecho da Revista do Brasil, vol. IX, nº 36, dezembro de 1918, pp. 387-391. Inventário das perdas brasileiras desde a Proclamação da República.
Eu ignorava que eras assim, meu caro Jeca, por motivo de doenças tremendas
Pedido de desculpas de Lobato ao próprio personagem, no prefácio à 4ª edição de 'Urupês' (1919). Documento da revisão das posições do autor sobre o caboclo paulista.
O sacerdote da grande lei do menor esforço
Caracterização do Jeca Tatu no conto 'Urupês' (1918). Lobato batiza ironicamente como sacerdócio o que descreve como inércia produtiva.
Pobre Jeca Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade
Frase do conto 'Urupês' em 'Urupês' (1918). Ataque ao caboclo idealizado pela tradição romântica indianista, formulado como apóstrofe ao personagem-tipo.
Este funesto parasita da terra é o caboclo
Trecho de 'Velha Praga' em 'Urupês' (1918). Caracterização do caboclo brasileiro como parasita do solo, posição que Lobato revisaria publicamente em 1919.
No Brasil subtrai-se; somar, ninguém soma
Aforismo do conto 'Velha Praga' em 'Urupês' (1918). Diagnóstico da economia da escassez como hábito cultural brasileiro.
O grau de cultura de um país mede-se pelo preço dos seus livros
Frase do personagem Mr. Slang em 'Mr. Slang e o Brasil' (1926), no capítulo 'Da proteção à incompetência'. Tese sobre o livro caro como sintoma de atraso cultural.
O livro é uma mercadoria como outra qualquer
Entrevista à Rádio Record em julho de 1948, dias antes da morte de Lobato. Defesa do livro como bem de consumo e da responsabilidade do escritor pela vendabilidade da obra.
Quem escreve um livro cria um castelo, quem o lê mora nele
Aforismo de Monteiro Lobato registrado pela EdUSP no Dia Nacional do Livro (29 de outubro). Definição da relação entre autor e leitor como construção e habitação.
Erro pensar que é a ciência que mata uma religião. Só pode com ela outra religião
Aforismo das 'Obras Completas' p. 199 (Brasiliense, 1946). Tese sobre a substituição funcional entre cultos: o que destrona uma fé é outra fé.
Tudo é loucura ou sonho no começo
Trecho das 'Obras Completas' p. 178 (Brasiliense, 1946). Defesa do projeto utópico contra a inércia do realismo conformista.
De escrever para marmanjos já me enjoei. Bichos sem graça
Trecho de 'A Barca de Gleyre' (1944), p. 467 — correspondência de Lobato com Godofredo Rangel. Justificativa do voto pela literatura infantil contra a literatura para adultos.
Um país se faz com homens e livros
Trecho de 'América' (1929), p. 45. Frase circula isolada como meme e foi suspeita de apócrifa, mas é autêntica e consta na obra de Lobato sobre os Estados Unidos.
