#Metafisica
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As quatro causas de Aristóteles
Pelo exemplo da cadeira, Aristóteles enumera as quatro causas — material, formal, eficiente e final — cuja combinação constitui uma tecnologia para explicar qualquer fenômeno.
As quatro causas de Aristóteles, dos textos ao telos
Material, formal, eficiente e final: os quatro modos de Aristóteles responder 'por quê?'. São quatro, não três, embora ele próprio note que as três últimas costumam coincidir. A causa final é o telos, o fim de toda arte.
A curiosa semelhança de família de todo filosofar indiano, grego e alemão tem uma explicação simples
De Para Além de Bem e Mal §20 (1886). Nietzsche explica a semelhança entre as filosofias indiana, grega e alemã pelo parentesco linguístico: a gramática comum guia, sem que se perceba, o curso dos sistemas.
Há filósofos que são, em resumo, tenores desempregados
Frase do capítulo X de Dom Casmurro (1899). Bento Santiago, aceitando a teoria da vida-ópera do tenor Marcolini, conclui que filosofa quem já perdeu a voz.
Os filósofos metafísicos são músicos sem habilidade musical
Frase de Carnap em ensaio de 1932 do Círculo de Viena: a metafísica seria expressão de uma atitude diante da vida, como a arte, porém em meio inadequado — o metafísico é o artista que não tem o dom.
Os metafísicos de Tlön não buscam a verdade nem a verossimilhança: buscam o assombro
Caracterização do pensamento de Tlön no conto homônimo (1940). A frase é proposta para a metafísica como gênero literário.
Não é como o mundo é que é o místico, mas que ele é
Proposição 6.44 do Tractatus. O místico não está no conteúdo do mundo, mas no fato bruto da existência. Wittgenstein nomeia o assombro com o ser.
反者道之動 — A reversão é o movimento do Tao
Dào Dé Jīng, cap. 40. Quatro frases curtas, núcleo metafísico do livro: o Tao se move por inversão; o ser nasce do não-ser.
Ich habe die Religion als die Metaphysik des Volkes bezeichnet
De Parerga und Paralipomena I, Über die Universitäts-Philosophie (1851). Religião é metafísica do povo: alegoria que cumpre, na multidão, a função que a filosofia cumpre nos raros.
Come chocolates, pequena! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria
De Tabacaria, Álvaro de Campos (1928). Parêntese da menina dos chocolates — o segundo trecho mais citado do poema, depois do Não sou nada.
Deus est omnium rerum causa immanens, non vero transiens
Da Ethica I, prop. XVIII (1677). Deus é causa imanente, não transcendente: o efeito permanece dentro do agente e não se separa dele.
