#Luto
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providenciar uma cura para o aspeto da morte que é mais difícil de suportar: não a nossa morte, mas as mortes daqueles que amamos. É a morte daqueles que amamos que nos destroem, que descosem o nosso eu cuidadosamente feito à medida, que desfazem qualquer sentido que possamos ter. Na minha opinião, por muito estranha que pareça, só no luto é que nos tornamos verdadeiramente nós próprios. Ou seja, ser um eu não consiste num qualquer autoconhecimento ilusório, mas em reconhecer aquela parte de nós próprios que perdemos de forma irremediável. A dificuldade aqui reside inteiramente em imaginar que espécie de contentamento ou tranquilidade será possível relativamente às mortes daqueles que amamos.
Trecho de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada em 2020 pela Edições 70, a partir de seu livro originalmente lançado em 2008.
Amar o perdido / deixa confundido / este coração
Versos iniciais de 'Memória', poema de 'Claro Enigma' (1951). Formulação cifrada da relação entre afeto e ausência, na fase metafísica de Drummond.
Never say of anything, 'I have lost it'; but, 'I have returned it'
Enchiridion 11 (trad. Carter). O que tens não é teu — é empréstimo. A devolução, voluntária ou não, é a única perspectiva moralmente exata.
