#Leitura
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O excesso de leitura priva a mente de toda a elasticidade, assim como a contínua pressão de um peso afrouxa uma mola. A maneira mais segura de jamais ter sequer um pensamento próprio é apanhar um livro toda vez que se tem um tempo livre. A prática desse hábito é a razão por que a erudição torna a maioria dos homens mais enfadonhos e tolos do que são por natureza, e priva os seus escritos de toda efetividade. Nas palavras de Pope, eles estão "para sempre lendo, jamais sendo lidos". [...] O homem que pensa por si mesmo busca as opiniões das autoridades só depois de ter adquirido suas próprias opiniões e meramente como confirmação delas, ao passo que o filósofo livresco começa com as autoridades e constrói suas opiniões coletando as opiniões dos outros: sua mente está para a do primeiro assim como um autômato está para um homem vivo. Uma verdade que foi apenas aprendida adere a nós somente como um membro artificial, um dente falso, um nariz de cera ou, no máximo, uma pele transplantada. Mas uma verdade conquistada pelo próprio pensamento é como um membro natural: só ela realmente nos pertence. Isso define a diferença entre um pensador e um scholar.
De Parerga und Paralipomena II, cap. XXII, §§258 e 260 (1851). Leitura em excesso atrofia o pensamento próprio; a verdade conquistada pelo raciocínio é membro natural — a meramente aprendida, prótese.
'Uma criança que lê será um adulto que pensa' — não é frase atribuível a Monteiro Lobato
Aforismo motivacional sobre leitura, sem fonte primária identificada na obra de Lobato, atribuído indiscriminadamente também a Victor Hugo, Cervantes e outros autores. Apócrifo de origem incerta.
Ao terminar a leitura, o leitor corre à janela para ver se ainda há céu no mundo
Carta de Lobato a Godofredo Rangel, escrita em Areias, 1907, reproduzida em 'Lobato Letrador 1º Passo' (2018), p. 18. Definição precoce do efeito de leitura como interrupção do ar habitual.
A Julio Verne todo um mundo de coisas eu devo
Reflexão de Lobato sobre a formação do leitor, em 'Lobato Letrador Anexos' (2019), p. 179. Tese sobre a ficção como porta de entrada para o estudo abstrato.
Quem escreve um livro cria um castelo, quem o lê mora nele
Aforismo de Monteiro Lobato registrado pela EdUSP no Dia Nacional do Livro (29 de outubro). Definição da relação entre autor e leitor como construção e habitação.
Um país se faz com homens e livros
Trecho de 'América' (1929), p. 45. Frase circula isolada como meme e foi suspeita de apócrifa, mas é autêntica e consta na obra de Lobato sobre os Estados Unidos.
Ir às livrarias para ele era cumprir um rito
Frase de 'Olhai os Lírios do Campo' (1938) que descreve a relação de Eugênio com os livros. A leitura como prática litúrgica de classe média intelectual.
A fama é uma forma — talvez a pior — de incompreensão
Aforismo enxertado em Pierre Menard (1939). Borges o atribui ao próprio Menard ao discutir como o Quixote sobreviveu à popularidade.
Não queria compor outro Quixote — o que é fácil — mas o Quixote
Frase central de Pierre Menard, autor do Quixote (1939). Menard quer reescrever palavra por palavra o livro de Cervantes, e Borges desdobra o problema da identidade textual.
Ein Buch muß die Axt sein für das gefrorene Meer in uns
Da carta a Oskar Pollak, 27 jan 1904. Um livro precisa ser o machado para o mar congelado dentro de nós.
Lesen heißt mit einem fremden Kopfe, statt des eigenen, denken
De Parerga und Paralipomena II, cap. XXIII §261 (1851). Ler é pensar com cabeça alheia em vez da própria; só se deve ler quando o próprio pensamento seca.
Es wäre gut Bücher kaufen, wenn man die Zeit, sie zu lesen, mitkaufen könnte
De Parerga und Paralipomena II, cap. XXIII §261 (1851). Comprar livros seria bom se também fosse possível comprar o tempo de lê-los; em geral confunde-se compra com posse.
Nusquam est qui ubique est
Da Epistula 2.2 a Lucílio. Quem está em todo lugar não está em lugar nenhum — argumento contra a dispersão da leitura e da atenção.
Clovis de Barros Filho: É preciso ter Brio!
A receita de Clóvis de Barros Filho para estudar: três páginas de Kant, lidas até entender — porque sem brio, nenhuma pedagogia adianta.
