#Filosofia
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As Cobras de Veríssimo — duas serpentes filosofando sobre o universo
Tira de quadrinhos publicada por Luis Fernando Veríssimo entre 1975 e 1997 em jornais brasileiros. Duas serpentes sem nome comentam Deus, futebol, política e a insignificância humana.
Never call yourself a philosopher, nor talk a great deal among the unlearned about theorems, but act conformably to them
Enchiridion 46. Filosofia se exibe na conduta, não no discurso. Falar muito de doutrina diante de leigos é sintoma de incompreensão.
Das Leben ist kurz und die Wahrheit wirkt ferne und lebt lange: sagen wir die Wahrheit
Do Prefácio à primeira edição de Die Welt als Wille und Vorstellung (1819). A vida é curta e a verdade age longe e vive longe — digamos a verdade.
Il n'y a qu'un problème philosophique vraiment sérieux: c'est le suicide
Primeira frase de Le Mythe de Sisyphe (1942). Camus reabre a filosofia a partir da pergunta sobre se a vida vale ou não a pena ser vivida.
Vorausgesetzt, dass die Wahrheit ein Weib ist
Abertura do prefácio de Jenseits von Gut und Böse (1886). Suposto que a verdade seja uma mulher — ataque irônico ao dogmatismo filosófico.
Allmählich hat sich mir herausgestellt, was jede grosse Philosophie bisher war: nämlich das Selbstbekenntnis ihres Urhebers
De Jenseits von Gut und Böse §6 (1886). Tese genealógica: toda grande filosofia até hoje foi confissão pessoal do autor, biografia involuntária.
Non praesumo, me optimam invenisse philosophiam, sed veram me intelligere scio
Da carta 76 a Albert Burgh (1675). Spinoza não pretende ter encontrado a melhor filosofia, sabe que entende a verdadeira.
Meum institutum non est verborum significationem sed rerum naturam explicare
Da Ethica III, definição XX (1677). Spinoza distingue seu projeto da semântica escolástica: o objetivo é explicar a natureza das coisas, não o significado das palavras.
Que philosopher c'est apprendre à mourir
Título do cap. 20 do livro I dos Essais (1580). Formulação que Montaigne herda de Cícero (Tusculanas), que cita Sócrates no Fédon.
O que quer que um outro disser bem, é meu
Sêneca, em carta a Lucílio, justifica que toda boa formulação alheia lhe pertence, reconhecendo logo depois que mesmo essa frase já fora dita por Epicuro.
Si Dieu n'existait pas, il faudrait l'inventer
Da Épître à l'Auteur du Livre des Trois Imposteurs (1770). Voltaire reage ao tratado anônimo deísta defendendo uma posição utilitária sobre a existência de Deus.
When people begin to philosophize they seem to think it necessary to make themselves artificially stupid
De Theory of Knowledge (manuscrito de 1913, publicado postumamente em 1984). Crítica ao gesto filosófico de fingir não saber o que se sabe para construir sistemas a partir do zero.
The point of philosophy is to start with something so simple as not to seem worth stating, and to end with something so paradoxical that no one will believe it
De The Philosophy of Logical Atomism (1918), série de palestras dadas em Londres. Russell descreve o método analítico que viria a marcar a filosofia inglesa do século XX.
In science there are many matters about which people are agreed; in philosophy there are none
De Logical Atomism (1924). Russell distingue ciência e filosofia pelo regime de acordo: a primeira avança em consenso, a segunda mantém o desacordo como matéria de trabalho.
Non ridere, non lugere, neque detestari, sed intelligere
Fragmento da abertura do Tratado Político de Spinoza (1677), onde declara o método — não rir, lamentar ou amaldiçoar as ações humanas, mas compreendê-las.
Algocracia e o reencantamento do mundo
Streck inverte Weber: a algocracia produz reencantamento, não desencantamento. O algoritmo opera como atalho para fugir da angústia da modernidade.
Os três modos de interpretação (Eco, Harvard 1992)
Estrutura central da discussão sobre superinterpretação: Eco propõe três modos — texto-coincidente, sem limites, e o intermediário hermenêutico.
Eco contra Eco: fascismo eterno e a Abadia de Melk
Streck e Eco: a crítica de que Eco cai na superinterpretação que combateu, e a viagem biográfica à Abadia de Melk, lugar do narrador de O Nome da Rosa.
Do Homo Sapiens ao Homo Ridiculus
Diagnóstico de Streck: salto antropológico em que as pessoas perderam toda a vergonha. A erosão da vergonha como tema central.
A modernidade nasce com angústia (Kierkegaard)
O brain rot algorítmico é resposta técnica a uma demanda mais funda: a tentativa de desangústia. Cultura algorítmica produz psicotrópicos epistêmicos.
Toda determinação é negação (Hegel, lendo Spinoza)
A fórmula 'toda determinação é negação' é reformulação de Hegel (1816). Spinoza escreveu apenas 'determinatio negatio est' na Carta 50 a Jarig Jelles, sobre figuras geométricas.
Pesquisa Viva: Discursos protrépticos
Por que estudar filosofia no século XXI? Mapear os principais discursos protrépticos da história e o que cada um propunha como razão para a conversão à filosofia.
Clovis de Barros Filho: É preciso ter Brio!
A receita de Clóvis de Barros Filho para estudar: três páginas de Kant, lidas até entender — porque sem brio, nenhuma pedagogia adianta.
O preço político da filosofia: Cato, Cícero, Sêneca
O filósofo desafia convenções e por isso é visto como inimigo do Estado — Cato suicidou-se, Cícero foi decapitado, Sêneca ordenado a se matar por Nero.
Eleuteria, parresia e o coach como distorção
Liberdade interior (eleuteria) e de expressão (parresia) definem o filósofo-médico da alma. O coach moderno é a sua grotesca distorção.
Preparação do corpo e os três vícios capitais
Para os antigos, o corpo do filósofo importava — Epicteto caçoava de magros e pálidos. Os três vícios: filedonia, filargiria, filodoxia.
Discursos protrépticos e a conversão à filosofia
Protréptico é o discurso que convence à prática filosófica como modo de vida. Adotar a filosofia era uma conversão — Agostinho via Cícero.
Nietzsche: o filósofo se identifica à maneira dos antigos
O filósofo se reconhece pelo olhar, postura, roupa e costumes — não pelo falar ou escrever. Por isso era profissão perigosa na Antiguidade.
Nenhuma definição de filosofia pode ser dogmática
Para entender o amor à sabedoria é preciso observar não só as obras mas a vida dos filósofos — e nenhuma definição é definitiva.
O paradoxo: definir filosofia no fim da vida
Vários filósofos escrevem 'O que é a filosofia?' no fim da vida — como se tentassem entender o que fizeram durante toda a existência.
Pesquisa Viva: O que faz a filosofia
Pode-se falar de qualquer coisa filosoficamente, mas nem todo modo é filosófico. Investigar o que distingue o modo filosófico de outras formas de tratar uma questão.
Um filósofo pode falar de qualquer coisa, mas não qualquer coisa
Paráfrase do autor sobre a formulação de Lenio Streck na Crítica Hermenêutica do Direito ('não se pode dizer qualquer coisa sobre qualquer coisa').
Pesquisa Viva: Ontologia
Mapear os sentidos do termo 'ontologia' e diferenciar as leituras que circulam sob a mesma palavra.
A vida não examinada não é vivível para o homem
Dita por Sócrates em seu julgamento em 399 a.C., conforme registrado por Platão na Apologia (38a), ao recusar o exílio como pena alternativa à morte.
Ninguém faz o mal voluntariamente
Paradoxo socrático comumente atribuído a Aristóteles por engano. A formulação é de Sócrates, via Platão; Aristóteles na verdade a refuta com o conceito de akrasia.
O capitalismo é uma religião. É provavelmente o primeiro caso de um culto que não expia, mas universaliza a culpa
Walter Benjamin, fragmento 'Kapitalismus als Religion' (1921). O capitalismo como culto permanente que gera culpa em vez de redimi-la — inclusive nos próprios operadores do sistema.
Diante de uma contradição, faça uma distinção
Adágio escolástico sem autor individual; William James popularizou-o em What Pragmatism Means (1907) como método para dissolver disputas.
Philosophers ranked by their punk credentials
Ranking de filósofos por credenciais punk — de Diógenes ('they're not punk, punk is them') a Heidegger ('basically a cop').
A felicidade e o absurdo são dois filhos da mesma terra. São inseparáveis
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo final. Não há felicidade sem consciência do absurdo, nem absurdo sem alegria de estar vivo.
Sísifo é a síntese da paixão humana pela vida — mais importante até que a moral
Camus em O Mito de Sísifo (1942). Desprezo pelos deuses, ódio à morte, paixão pela vida. Essas três coisas bastam, mesmo sem moral nem esperança.
