#Ficciones
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Pensar, analisar, inventar não são atos anômalos: são a respiração normal da inteligência
Frase de Pierre Menard (1939) inserida no comentário do narrador sobre o trabalho de Menard. Define cognição como função, não exceção.
Os metafísicos de Tlön não buscam a verdade nem a verossimilhança: buscam o assombro
Caracterização do pensamento de Tlön no conto homônimo (1940). A frase é proposta para a metafísica como gênero literário.
Minha memória, senhor, é como depósito de lixo
Funes descreve a própria memória ao narrador em Funes el memorioso (1942). A imagem é negativa, não celebratória.
Uma rede crescente e vertiginosa de tempos divergentes, convergentes e paralelos
Definição do romance de Ts'ui Pen em El jardín de senderos que se bifurcan (1941). Borges enuncia a estrutura de muitos-mundos décadas antes de Hugh Everett.
Compreendeu que ele também era uma aparência, que outro estava a sonhá-lo
Linha final de Las ruinas circulares (1940). O mago que sonhou um homem descobre que ele próprio é sonho de outro.
Devo à conjunção de um espelho e de uma enciclopédia a descoberta de Uqbar
Frase de abertura de Tlön, Uqbar, Orbis Tertius (1940). Toda a fábula epistemológica do conto está cifrada nesses dois objetos.
A fama é uma forma — talvez a pior — de incompreensão
Aforismo enxertado em Pierre Menard (1939). Borges o atribui ao próprio Menard ao discutir como o Quixote sobreviveu à popularidade.
Não queria compor outro Quixote — o que é fácil — mas o Quixote
Frase central de Pierre Menard, autor do Quixote (1939). Menard quer reescrever palavra por palavra o livro de Cervantes, e Borges desdobra o problema da identidade textual.
Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair
Frase do conto Funes el memorioso (1942). O narrador resume o que Funes não consegue fazer: a memória total impede o pensamento, que exige perda.
Os espelhos e a cópula são abomináveis
Frase atribuída a um heresiarca de Uqbar em Tlön, Uqbar, Orbis Tertius (1940). Borges a coloca na boca de Bioy Casares como citação enciclopédica.
O universo (que outros chamam a Biblioteca)
Frase inicial de La biblioteca de Babel (1941). Borges define o universo como uma biblioteca infinita de galerias hexagonais, anos antes da topologia se popularizar.
