#Emil-Cioran
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Existir é a tarefa mais cara que existe
Frase atribuída a Cioran em compilações em português, sem fonte primária verificável. Paráfrase plausível, não citação.
Não há nada como o desespero para nos tornar livres
Frase circula amplamente em redes sociais como Cioran, sem fonte primária identificável em sua obra. Provável paráfrase de leitor.
Sans Bach, Dieu serait un type de troisième ordre
Frase de Cioran frequentemente citada como vinda de Aveux et anathèmes (1987). Na verdade é de entrevista publicada postumamente em Symphonia (1996).
Le scepticisme est l'élégance de l'anxiété
De Syllogismes de l'amertume (1952). O ceticismo como elegância da angústia: forma estilística de habitar o que não tem solução.
Je vis seulement parce qu'il est en mon pouvoir de mourir quand je veux
De Syllogismes de l'amertume (1952). A possibilidade do suicídio como condição de continuar vivo: sem ela, já estaria morto.
Un livre est un suicide différé
De De l'inconvénient d'être né (1973). Escrever como adiamento do suicídio: cada livro é uma pausa concedida ao desespero.
Nous ne courons pas vers la mort, nous fuyons la catastrophe de la naissance
De De l'inconvénient d'être né (1973). Não corremos em direção à morte, fugimos da catástrofe do nascimento.
L'ennui est l'écho en nous du temps qui se déchire
De Précis de décomposition (1949). O tédio como o eco em nós do tempo se rasgando: definição mais exata que qualquer psicologia.
Tout ce qui nous empêche de nous dissoudre est religieux
De La Tentation d'exister (1956). Toda mentira que nos protege das certezas irrespiráveis é religiosa, mesmo que não se chame assim.
Qu'attendez-vous pour renoncer ?
De De l'inconvénient d'être né (1973). A pergunta lançada de volta: o que se está esperando para desistir?
La société n'est pas une maladie, c'est un désastre
De Précis de décomposition (1949). A sociedade como desastre, não doença: estúpido milagre poder viver nela.
Si à 30 ans un homme n'a pas cédé à la fascination de toute forme d'extrémisme...
De Histoire et utopie (1960). Quem aos 30 não cedeu a algum extremismo: santo ou cadáver. Confissão biográfica disfarçada de máxima.
Va vingt minutes au cimetière
De entrevista a Salmagundi (1994). O conselho recorrente de Cioran a desesperados: meia-hora num cemitério vale mais que um médico.
Trois heures du matin. Cette seconde, puis cette autre — et ainsi de suite
De De l'inconvénient d'être né (1973). A insônia como acta de acusação contra o nascimento, segundo a segundo.
Un aphorisme ? Du feu sans flammes
De De l'inconvénient d'être né (1973). O aforismo como fogo sem chamas: ninguém pode aquecer-se nele, e Cioran sabe disso.
La mort est trop exacte ; toutes les raisons sont de son côté
De Précis de décomposition (1949). A morte como o exato; a vida como o grande desconhecido. Inversão da hierarquia comum.
Quand la pègre épouse un mythe, attendez-vous à un massacre ou, pis encore, à une nouvelle religion
De Syllogismes de l'amertume (1952), p. 132. A canalha que adota um mito: ou massacre, ou religião nova.
Il n'est pas élégant d'abuser de la malchance
De Syllogismes de l'amertume (1952), p. 69. A elegância como freio do azar: certos indivíduos e povos desonram a tragédia ao se comprazerem nela.
On ne réfléchit que parce qu'on se dérobe à l'acte
De Cahiers 1957-1972, p. 59. Pensar como esquiva: a reflexão começa onde o ato é recusado.
Ne pas naître est sans contredit la meilleure formule qui soit
De De l'inconvénient d'être né (1973). Não nascer como melhor fórmula possível, fora do alcance de quem quer que seja.
Je n'ai pas d'idées, j'ai des obsessions
De Sur les cimes du désespoir (1934). Aos 22 anos, Cioran já assina o programa: as ideias não derrubam ninguém, as obsessões sim.
La vie se crée dans le délire et se défait dans l'ennui
De Précis de décomposition (1949). A vida criando-se no delírio e desfazendo-se no tédio: dois momentos de uma mesma curva.
Dans chaque homme sommeille un prophète, et quand il s'éveille il y a un peu plus de mal dans le monde
De Précis de décomposition (1949). O profeta dormente em cada um, e o despertar como acréscimo de mal ao mundo.
Toute forme de hâte, même vers le bien, traduit quelque dérangement mental
De De l'inconvénient d'être né (1973), parte III, p. 65. A pressa, mesmo virtuosa, como sintoma.
La haine peut être vile ; s'en défaire pourtant est plus dangereux qu'en abuser
De Syllogismes de l'amertume (1952), p. 108. O ódio como combustível: livrar-se dele pode custar mais do que abusar dele.
Le fait que la vie n'a pas de sens est une raison de vivre
De Aveux et anathèmes (1987). A ausência de sentido como única razão restante: e a única que basta.
Nous savons maintenant que la civilisation est mortelle
De Syllogismes de l'amertume (1952), p. 64. Eco amplificado de Valéry: a civilização não só é mortal, ela galopa em direção ao pior.
Comment fait-il pour ne pas se tuer ?
De Précis de décomposition (1949). Diante de cada interlocutor, a única pergunta sincera: como ele consegue não se matar?
On ne tue qu'au nom d'un dieu ou de ses contrefaçons
De Précis de décomposition (1949). A indiferença como única defesa contra o massacre: assim que uma ideia vira deus, mata-se em seu nome.
Ce n'est pas la peine de se tuer, puisqu'on se tue toujours trop tard
De De l'inconvénient d'être né (1973), parte II, p. 43. O suicídio como tarde demais por princípio: já se nasceu, já é depois.
On n'habite pas un pays, on habite une langue
De Aveux et anathèmes (1987), p. 21. Para o exilado romeno que mudou de língua aos 26 anos, a pátria é a língua, e nada mais.
