#Ditadura-Militar
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A música brasileira, que ia muito bem, de repente acabou
Declaração de Tom Jobim à BBC em junho de 1986, em entrevista sobre o impacto da ditadura militar (1964-1985) na produção cultural brasileira. Diagnóstico retrospectivo, no primeiro ano após a redemocratização.
A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar
Versos de 'Roda Viva' (1967). A formulação dá título ao verbete digital da Brown University Library sobre canção de protesto brasileira. Voz ativa contra a roda que arrasta.
Como beber dessa bebida amarga, tragar a dor, engolir a labuta
Versos de 'Cálice' (1973), de Chico e Gilberto Gil. Detalhamento somático do refrão: o que está dentro do cálice é a vida cotidiana sob a ditadura.
Pai, afasta de mim esse cálice
Refrão de 'Cálice' (1973), composta com Gilberto Gil. Vetada pela censura em maio de 1973 e só gravada em 1978. Trocadilho central entre 'cálice' e 'cale-se'.
Apesar de você, amanhã há de ser outro dia
Refrão de 'Apesar de Você' (1970), lançada em compacto simples no governo Médici. Vendeu cem mil cópias antes de ser apreendida pela censura federal em fevereiro de 1971.
Roda mundo, roda-gigante, rodamoinho, roda pião
Refrão de 'Roda Viva' (1967), terceira colocada no III Festival da TV Record. A canção dá título à peça homônima, atacada em julho de 1968 pelo CCC (Comando de Caça aos Comunistas).
Narciso em Férias
Capítulo central de *Verdade Tropical* (1997) e título do livro autônomo publicado por Caetano Veloso em 2020 sobre seus 54 dias preso pelo regime militar entre dezembro de 1968 e fevereiro de 1969.
A Velhinha de Taubaté — 'a última pessoa do Brasil que ainda acreditava no governo'
Personagem criada por Luis Fernando Veríssimo em crônica de 1983, durante o governo Figueiredo. A definição da velhinha como 'única que ainda acreditava' virou rótulo político recorrente nas décadas seguintes.
