#Diogenes
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Numa ocasião, Platão definiu o ser humano como um animal, bípede e sem penas, pelo qual foi calorosamente aplaudido. Diógenes depenou uma galinha e levou para a sala de aulas, declarando: «Aqui está o homem de Platão.»
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada pela Edições 70, na qual o autor reconta um episódio envolvendo Platão e Diógenes.
defendia a partilha comunitária de esposas e maridos e ensinava que as crianças também deviam ser tratadas em comunidade. Pensava igualmente que não havia nada de errado em roubar de um templo e comer qualquer tipo de carne, incluindo carne humana. Quando lhe perguntavam de onde vinha, Diógenes respondia que era um «cidadão do mundo» ou kosmopolites. Quem dera que mais pretensos cosmopolitas contemporâneos bebessem água com as mãos, comessem carne humana, abraçassem estátuas e se masturbassem em público. De facto, o «cosmopolitismo» de Diógenes é muito mais uma posição antipolítica do que qualquer espécie de internacionalismo vulgar.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição brasileira publicada por Edições 70, no trecho em que trata de Diógenes e do sentido de seu cosmopolitismo.
Quando lhe perguntaram qual era a coisa mais bela do mundo, Diógenes respondeu «a liberdade de expressão». As suas palavras e atos manifestam uma obstinação e um protesto contínuo contra a corrupção, o luxo e a hipocrisia. O caminho para a liberdade individual requer honestidade e uma vida de austeridade material absoluta. Diógenes atribuiu ao seu mestre Antístenes o mérito de o ter introduzido a uma vida de pobreza e felicidade e, como ele, aceitou de boa vontade o epíteto «cão». Quando Platão lhe chamou de cão, replicou: «É bem verdade, porque volto uma e outra vez àqueles que me venderam.»
Trecho de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada por Edições 70, situando Diógenes no panorama biográfico do livro.
Diógenes é uma fonte de histórias maravilhosas: atirou fora o seu copo quando viu alguém beber com as mãos. Viveu num barril, rolando nele sobre areia escaldante no verão. Acostumou-se ao frio abraçando estátuas cobertas de neve no inverno. Afirmou que se podia aprender num bordel que não havia diferença entre o que custava dinheiro e o que não custava. Masturbava-se no mercado, dizendo que gostava que fosse tão fácil aliviar a fome esfregando no estômago vazio. Comia lulas cruas para evitar o trabalho de as cozinhar. Escarnecia do leiloeiro enquanto era vendido como escravo. Quando Lísias, o farmacêutico, lhe perguntou se acreditava nos deuses, respondeu: «Como posso não acreditar quando vejo um desgraçado esquecido pelos deuses como tu?» Quando lhe perguntaram qual o momento certo para casar, disse: «Para um jovem ainda não, para um velho nunca.»
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada pela Edições 70 em 2011, ao apresentar anedotas ligadas à figura de Diógenes.
