#Dinheiro-E-Afeto
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Pesquisa Viva: Amor desinteressado e o anel de brilhantes
O anel de noivado de brilhantes como dispositivo cultural — não símbolo do amor desinteressado, mas substituto privado de uma garantia legal que existiu até os anos 1930. Mapear a tese de Brinig (1990), a fabricação De Beers, e o paradoxo da garantia que se faz passar por gratuidade.
Mark Hunter: o amor pode nascer dos bens
Mark Hunter (Toronto): o amor pode nascer do coração, mas pode igualmente nascer dos bens trocados — em ambos os casos é amor, sem hierarquia moral entre as origens. Tese-chave para pensar a manutenção do poder na ajuda.
O amor é sempre material, sobretudo onde falta
Adriana Piscitelli e Michel Alcoforado: a materialidade existe em todas as classes, mas só é confessada onde a pobreza não permite o autoengano. Quanto mais escassos os recursos, mais visível a materialidade do afeto.
Zelizer e o paradoxo do anel desinteressado
Adriana Piscitelli evoca Viviane Zelizer (A Negociação da Intimidade): a interpenetração entre dinheiro e intimidade é permanente, e o trabalho cultural está em fazer as delimitações que sustêm a ficção do amor desinteressado.
Sugar versus ajuda: duas misturas, dois julgamentos
Adriana Piscitelli traça a distinção que organiza o episódio: sugar é tolerada como contrato/performance, ajuda é escandalizada por misturar afeto e interesse de fato. A mesma cultura que tolera sugar subalterniza a ajuda.
O anel de brilhantes e a hipocrisia do amor desinteressado
Michel Alcoforado abre o episódio Universo Sugar com o anel de noivado: ostentado, comparado entre amigas, avaliado pelo investimento — e ainda assim chamado de prova de amor desinteressado.
