#Chuang-Tse
2 notas · última:
Para Chuang Tse, tudo o que existe é bom. A morte nada mais é do que uma mudança de uma forma de existência para outra. Se conseguirmos encontrar a felicidade nesta existência, então porque não poderemos encontrá-la numa nova forma de existência como comida para as formigas, para os corvos ou até para os ursos? A existência é definida pelas suas transições entre uma forma e outra e todas as formas devem ser aceites por aquilo que são. Por isso, Chuang Tse escreve: «A morte e a vida consistem em transformações permanentes. Não são o fim nem o início. Quando compreendermos este mecanismo podemos equiparar vida e morte.»
Trecho de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição portuguesa publicada em 2020 pela Edições 70, ao apresentar a visão de Chuang Tse sobre vida e morte.
O núcleo da versão do taoismo de Chuang Tse está na crença de que se deve permitir que tudo se comporte de acordo com a sua natureza. O comportamento reto consiste em permitir que as coisas sejam, sem as forçar a ser algo através de um esforço da vontade ou envolvendo-se numa especulação vazia. Esta é uma forma de abordar a ideia do «sem agir» ou «wu wei», que não significa ser passivo, mas apenas fazer o que concorda com a natureza de uma coisa. Portanto, para Chuang Tse: «A grande terra sobrecarrega-me com um corpo, impõe-me as agruras da vida, facilita-me na velhice e acalma-me na morte. Se a vida é boa, a morte também.»
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, publicado pela Edições 70 em 2020, ao apresentar a visão de Chuang Tse sobre o wu wei e a morte.
