#Chico-Buarque
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Vou voltar, sei que ainda vou voltar
Verso de 'Sabiá' (1968), música de Jobim e letra de Chico Buarque. Vencedora do III FIC no Maracanãzinho em 29 de setembro de 1968 sob a maior vaia já registrada em festivais brasileiros, no contexto direto do AI-5.
Essa gente
'Essa Gente' (2019), sexto romance de Chico. Narrador é escritor em crise no Rio que se desfaz; texto monta diário, cartas, recortes de jornal sobre a paisagem brasileira de 2017.
Meus olhos talvez se embaçassem ao vislumbrarem a imagem em preto e branco, na outra margem do rio, do meu irmão Sergio
Trecho de 'O Irmão Alemão' (2014), quinto romance de Chico. Ficcionalização da história real do meio-irmão alemão Sergio Günther, filho de Sérgio Buarque de Holanda.
A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar
Versos de 'Roda Viva' (1967). A formulação dá título ao verbete digital da Brown University Library sobre canção de protesto brasileira. Voz ativa contra a roda que arrasta.
Cego, identificaria cada fuzil e diria de que cano partira cada um dos projécteis
Primeira frase de 'Benjamim' (1995), segundo romance de Chico. Estrutura espelha a abertura de Estorvo: o narrador diante da arma. Aqui o fuzilamento se consuma.
Certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida
Frase de 'Leite Derramado' (2009), quarto romance de Chico. Monólogo de Eulálio Montenegro d'Assumpção, centenário ex-aristocrata, num leito de hospital.
Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira
Primeira frase de 'Budapeste' (2003), terceiro romance de Chico. Tema central: a língua como exílio. José Costa, ghost-writer carioca, se perde no húngaro de Krista.
Cego, identificaria cada fuzil
Frase de abertura de 'Estorvo' (1991), primeiro romance de Chico. O narrador aos quarenta anos vê a vida passar diante de um pelotão de fuzilamento — a cena se revelará suspensa.
Vai passar, nessa avenida um samba popular
Verso de abertura de 'Vai Passar' (1984), parceria de Chico com Francis Hime. Composta durante a campanha das Diretas Já. Hino da redemocratização brasileira.
Bico calado, muito cuidado, que o homem vem aí
Refrão de 'Passaredo' (1976), parceria de Chico com Francis Hime. Catálogo de 23 espécies de pássaros brasileiros endereçando o aviso. Composta para o filme 'A Noiva da Cidade' de Alex Viany.
Joga pedra na Geni, joga pedra na Geni
Refrão de 'Geni e o Zepelim' (1978), da peça 'Ópera do Malandro'. Releitura de 'A Ópera do Mendigo' de John Gay via Brecht. A persona Geni virou rótulo coloquial para vítima de linchamento moral coletivo.
O que será, que será, que andam suspirando pelas alcovas
Versos de 'O Que Será' (1976), composta por Chico para o filme 'Dona Flor e Seus Dois Maridos' de Bruno Barreto. Três versões coexistem: À Flor da Pele, À Flor da Terra, Abertura.
Meu caro amigo, me perdoe, por favor, se eu não lhe faço uma visita
Verso de abertura de 'Meu Caro Amigo' (1976), de Chico com Francis Hime. Endereçada ao dramaturgo Augusto Boal, exilado em Lisboa. O LP Meus Caros Amigos tira título da canção.
Quando você me deixou, meu bem, me disse pra ser feliz e passar bem
Versos de abertura de 'Olhos nos Olhos' (1976), gravada por Maria Bethânia no LP 'Pássaro Proibido' e por Chico em 'Meus Caros Amigos'. Monólogo em primeira pessoa feminina.
Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Versos de 'Gota d'Água' (1975), tema da peça homônima de Chico e Paulo Pontes, transposição de Medéia para o contexto suburbano carioca. Canção da personagem Joana.
Sei que estás em festa, pá, fico contente
Versos de abertura da primeira versão de 'Tanto Mar' (1975), saudação à Revolução dos Cravos. Censurada no Brasil, gravada em Portugal; segunda versão (1978) começa 'Foi bonita a festa, pá'.
Como beber dessa bebida amarga, tragar a dor, engolir a labuta
Versos de 'Cálice' (1973), de Chico e Gilberto Gil. Detalhamento somático do refrão: o que está dentro do cálice é a vida cotidiana sob a ditadura.
Pai, afasta de mim esse cálice
Refrão de 'Cálice' (1973), composta com Gilberto Gil. Vetada pela censura em maio de 1973 e só gravada em 1978. Trocadilho central entre 'cálice' e 'cale-se'.
Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Refrão de 'Tatuagem' (1972), parceria com Ruy Guerra para a peça 'Calabar: o Elogio da Traição'. A peça foi vetada pela censura em 1973 e só estreou em 1980.
Está provado, quem espera nunca alcança
Verso de 'Bom Conselho' (1972), em que Chico inverte provérbios populares. A canção corre paralelamente a 'Construção' na operação de subverter clichês para fazer crítica social.
Quando olhaste bem nos olhos meus
Verso de abertura de 'Atrás da Porta' (1972), primeira parceria de Chico com Francis Hime. Gravada por Elis Regina no LP Elis (Philips, 1972). Retrato do colapso de um relacionamento em primeira pessoa feminina.
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Verso de fechamento de 'Construção' (1971). A morte do operário registrada como inconveniente de circulação — comentário moral feito por inversão, sem comentário direto.
Amou daquela vez como se fosse a última
Verso de abertura de 'Construção' (1971), faixa-título do oitavo álbum de Chico. Eleita maior canção brasileira de todos os tempos pela Rolling Stone Brasil em 2009.
Apesar de você, amanhã há de ser outro dia
Refrão de 'Apesar de Você' (1970), lançada em compacto simples no governo Médici. Vendeu cem mil cópias antes de ser apreendida pela censura federal em fevereiro de 1971.
Roda mundo, roda-gigante, rodamoinho, roda pião
Refrão de 'Roda Viva' (1967), terceira colocada no III Festival da TV Record. A canção dá título à peça homônima, atacada em julho de 1968 pelo CCC (Comando de Caça aos Comunistas).
Estava à toa na vida, o meu amor me chamou pra ver a banda passar
Versos de abertura de 'A Banda' (1966), vencedora ex aequo do II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. A canção projetou Chico nacionalmente aos 22 anos.
Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Verso de 'Pedro Pedreiro' (1965), primeira gravação de Chico Buarque em compacto simples. A figura do operário em espera condensa a vida do trabalhador urbano dos anos 1960.
