#Carlos-Drummond-De-Andrade
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'Máscara' — atribuído a Drummond, é de Dante Milano
O poema 'Máscara' circula em redes brasileiras como sendo de Drummond. É de Dante Milano, conforme registro da Wikiquote.
'A dor é inevitável, o sofrimento é opcional' — não é de Drummond, é de Tim Hansel
A frase, que circula como Drummond em redes brasileiras, é de Tim Hansel, do livro 'You Gotta Keep Dancin'' (1985), conforme registro da Wikiquote.
'Recomeçar' / 'Não importa onde você parou' — não é de Drummond, é de Paulo Roberto Gaefke
O texto motivacional 'Recomeçar', frequentemente atribuído a Drummond no Brasil, é de Paulo Roberto Gaefke conforme registro da Wikiquote.
'Aceitar é como uma droga, ela mata' — apócrifa, não é de Drummond
Frase circula em redes sociais brasileiras atribuída a Drummond. Não há registro do trecho em livro algum do autor; é apócrifa.
'A vida é a arte do encontro' — não é de Drummond, é de Vinicius de Moraes
Frase 'A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida' é atribuída a Drummond em redes sociais brasileiras. É de Vinicius de Moraes, do 'Samba da Bênção' (1962).
Cada instante é diferente, e cada homem é diferente
Verso de 'Os Últimos Dias', poema de 'A Rosa do Povo' (1945), também registrado na coletânea 'Poesia até Agora' (1948).
O bonde passa cheio de pernas
Verso de abertura do poema 'O Bonde', registrado em 'Poesia até Agora' (1948). Imagem urbana modernista que reduz os passageiros a anatomia fragmentada.
Amar sem inquietação é amar sem amor
Aforismo de 'O Avesso das Coisas' (Record). Definição do amor pela presença obrigatória do desassossego: sem ansiedade, não há amor.
Entre as diversas formas de mendicância, a mais humilhante é a do amor implorado
Aforismo de 'O Avesso das Coisas' (Record). Drummond classifica o pedido de afeto como pior que o pedido material.
A boca beijada não guarda a marca do êxtase
Aforismo de 'O Avesso das Coisas' (Record). O corpo não retém prova material da experiência amorosa, e isso é constitutivo dela.
A amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade
Aforismo de 'O Avesso das Coisas' (Record). Inversão da imagem usual da amizade como ponte e formulação dela como filtro.
Amor e seu Tempo (As Impurezas do Branco, 1973)
Poema 'Amor e seu Tempo', incluído em 'As Impurezas do Branco' (1973). Drummond formula o amor maduro como saber tardio, posterior à ciência herdada.
Amor é bicho instruído
Verso de 'O Amor Bate na Porta', poema de 'Brejo das Almas' (1934). Drummond classifica o amor como espécie animal, e como espécie aprendiz.
A natureza não faz milagres, faz revelações
Aforismo registrado em 'O Avesso das Coisas' (Record). Distingue duas operações que costumam ser confundidas no discurso sobre o natural.
O Brasil é um país novo que se imagina velho
Aforismo registrado em 'O Avesso das Coisas' (Record, 1988). Diagnóstico breve sobre a discrepância entre idade histórica e auto-imagem do país.
Há um certo gosto em pensar sozinho
Frase do livro de prosa 'Passeios na Ilha' (1952). Defesa breve e seca do pensamento solitário, sem retórica anti-social.
Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar
Verso de Drummond registrado em 'Nova Reunião' (1985), volume 2, página 537. A formulação trabalha a singularidade como impossibilidade de equivalência.
Estou preparando uma canção / em que minha mãe se reconheça
Versos iniciais de 'Canção Amiga', poema de 'Novos Poemas' (1948). Endereço explícito a quem o sujeito quer alcançar com a poesia.
Eu nunca vi o mar
Verso de abertura de 'Lagoa', poema de 'Alguma Poesia' (1930). Confissão da ignorância geográfica do menino interiorano como ponto de partida da imaginação.
Amar o perdido / deixa confundido / este coração
Versos iniciais de 'Memória', poema de 'Claro Enigma' (1951). Formulação cifrada da relação entre afeto e ausência, na fase metafísica de Drummond.
Uma flor nasceu na rua!
Verso central de 'A Flor e a Náusea', poema de 'A Rosa do Povo' (1945). A flor que rompe o asfalto como imagem-síntese da resistência possível em tempo de catástrofe.
Penetra surdamente no reino das palavras
Verso central de 'Procura da Poesia', poema de 'A Rosa do Povo' (1945). Programa metalinguístico que recusa a poesia como auto-expressão.
E agora, José?
Refrão de 'José', poema-título do livro homônimo (1942). Pergunta sem resposta dirigida ao sujeito comum diante do colapso de todos os apoios.
Tenho apenas duas mãos / e o sentimento do mundo
Versos do poema-título 'Sentimento do Mundo' (1940). Drummond formula a desproporção entre o que o sujeito pode carregar e o que ele sente.
Não serei o poeta de um mundo caduco
Verso de abertura de 'Mãos Dadas', do livro 'Sentimento do Mundo' (1940). Recusa programática da poesia evasiva diante do tempo presente.
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus
Verso de abertura de 'Os Ombros Suportam o Mundo', do livro 'Sentimento do Mundo' (1940). Diagnóstico sobre o esgotamento da invocação metafísica diante da catástrofe histórica.
Casas entre bananeiras / mulheres entre laranjeiras
Versos de 'Cidadezinha Qualquer', poema de 'Alguma Poesia' (1930). Retrato seco da estagnação interiorana, sem sentimentalismo.
João amava Teresa que amava Raimundo
Verso inicial de 'Quadrilha', poema de 'Alguma Poesia' (1930). Catálogo de amores cruzados em sete versos, virou meme antes do meme existir.
Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo
Estrofe do 'Poema de Sete Faces', primeiro poema de 'Alguma Poesia' (1930). A rima Raimundo/mundo encena o limite entre o nome próprio e o cosmos.
No meio do caminho tinha uma pedra
Verso de abertura do poema homônimo, publicado em 'Alguma Poesia' (1930), livro de estreia de Drummond. Causou um dos maiores escândalos da crítica modernista.
