#Baruch-Spinoza
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Veritas veritati non repugnat
De carta a William van Blyenbergh (1665). Princípio da consistência da verdade: uma verdade não pode contradizer outra verdade.
Veritas norma sui et falsi est
Da Ethica II, prop. XLIII, escólio (1677). A verdade é critério de si própria e do falso: não há instância externa que valide a verdade.
Tota felicitas aut infelicitas in hoc solo sita est: videlicet in qualitate obiecti, cui adhaeremus amore
Do Tractatus de Intellectus Emendatione (póstumo, 1677), §9. Toda felicidade ou infelicidade depende da qualidade do objeto a que nos prendemos pelo amor.
Sub specie aeternitatis
Da Ethica V, prop. XXIII, escólio (1677). Conceito-chave da epistemologia spinozana: ver as coisas a partir do ponto de vista da eternidade.
Sentimus experimurque, nos aeternos esse
Da Ethica V, prop. XXIII, escólio (1677). Sentimos e experimentamos que somos eternos: o conhecimento sub specie aeternitatis tem componente afetivo.
Sedulo curavi, humanas actiones non ridere, non lugere, neque detestari, sed intelligere
Do Tractatus Politicus, cap. 1, §4 (1677, póstumo). Compromisso metodológico: não rir, não lamentar, não detestar — entender as ações humanas.
Sed omnia praeclara tam difficilia quam rara sunt
Última frase da Ethica V, prop. XLII, escólio (1677). Fechamento famoso da obra: tudo o que é excelente é tão difícil quanto raro.
Sapientia Dei aeterna in omnibus rebus, maxime in mente humana, et omnium maxime in Christo Jesu se manifestavit
Da carta 73 a Henry Oldenburg (1675). A sabedoria eterna de Deus se manifestou em todas as coisas, mais na mente humana, e mais ainda em Cristo.
Philosophi affectus, quibus conflictamur, concipiunt veluti vitia, in quae homines sua culpa labuntur
Do Tractatus Politicus, cap. 1, §1 (1677). Crítica de Spinoza aos filósofos que tratam afetos como vícios morais — em vez de fenômenos naturais a estudar.
Pax enim non belli privatio, sed virtus est, quae ex animi fortitudine oritur
Do Tractatus Politicus, cap. V (1677). Paz não é ausência de guerra, é virtude positiva que nasce da força de ânimo.
Ordo et connexio idearum idem est ac ordo et connexio rerum
Da Ethica II, prop. VII (1677). Princípio do paralelismo: a ordem das ideias é idêntica à ordem das coisas, dois aspectos da mesma substância.
Non praesumo, me optimam invenisse philosophiam, sed veram me intelligere scio
Da carta 76 a Albert Burgh (1675). Spinoza não pretende ter encontrado a melhor filosofia, sabe que entende a verdadeira.
Meum institutum non est verborum significationem sed rerum naturam explicare
Da Ethica III, definição XX (1677). Spinoza distingue seu projeto da semântica escolástica: o objetivo é explicar a natureza das coisas, não o significado das palavras.
Maxima superbia vel abjectio est maxima sui ignorantia
Da Ethica IV, prop. LV (1677). Soberba e abatimento extremos são igualmente sinais de ignorância máxima de si próprio.
Lex naturae nihil prohibet, nisi quod nemo potest
Do Tractatus Politicus, cap. 2 (1677). A lei da natureza não proíbe nada exceto o impossível: tudo o que está no poder de cada um é por isso permitido.
Leges, quae sine alterius injuria violari possunt, ludibrio sunt et tantum abest, ut hominum cupiditatibus pro freno sint, ut potius eas augeant
Do Tractatus Politicus, cap. 10 (1677). Leis que podem ser violadas sem prejuízo a outrem viram piada e estimulam o desejo em vez de contê-lo.
Inter ea, quae extra nostram potestatem sunt, nihil aestimabilius esse quam amicitiae vinculo cum iis, qui veritatem sincere amant, jungi posse
Da carta 19 a William van Blyenbergh (1665). Entre o que está fora do nosso controle, nada vale mais que a amizade com quem ama a verdade.
In vita communi sequi probabile, in contemplatione philosophica verum cogimur
Da carta 56 a Hugo Boxel (1674). Na vida prática seguimos o que parece provável; na reflexão filosófica, somos forçados a buscar o verdadeiro.
Humanam impotentiam in moderandis et coercendis affectibus servitutem voco
Da Ethica IV, prefácio (1677). Definição da servidão humana: incapacidade de moderar os afetos. Quem está sob domínio das paixões não é dono de si.
Homo liber de nulla re minus, quam de morte cogitat, et ejus sapientia non mortis, sed vitae meditatio est
Da Ethica IV, prop. LXVII (1677). Inversão direta de Montaigne e da tradição estoica: a sabedoria do homem livre é meditação sobre a vida.
Homo contra leges Dei mentibus inscriptas agere potest, contra aeternum decretum non potest
Do Tractatus Politicus, cap. 2 (1677). O homem pode agir contra as leis de Deus inscritas em mentes humanas, mas não contra o decreto eterno na natureza.
Hoc inter religionem et superstitionem statuo discrimen: quod haec ignorantia, illa sapientia pro fundamento habeat
Da carta 73 a Henry Oldenburg (nov 1675). Distinção entre religião e superstição: a primeira tem por fundamento o conhecimento; a segunda, a ignorância.
Hic conatus aliquid agendi et etiam omittendi ea sola de causa ut hominibus placeamus, vocatur ambitio
Da Ethica III, prop. XXIX (1677). Definição operacional de ambição: agir ou deixar de agir apenas para agradar aos outros.
God would say: Stop praying. I gave you a brain, legs, hands, a shop; do something with what I gave you
Frase que circula em redes sociais atribuída a Spinoza, sem fonte primária em qualquer texto dele. Misatribuição moderna sem origem rastreável.
Ea demonstrare cogitabam, quae cum praxi optime conveniunt
Do Tractatus Politicus, cap. 1 (1677). Spinoza propõe demonstrar o que melhor concorda com a prática, em vez de inventar doutrinas nunca vistas.
Deus seu Natura
Da Ethica IV, prefácio (1677, póstuma). Fórmula central do panteísmo spinozano: Deus e Natureza são designações do mesmo objeto.
Deus est omnium rerum causa immanens, non vero transiens
Da Ethica I, prop. XVIII (1677). Deus é causa imanente, não transcendente: o efeito permanece dentro do agente e não se separa dele.
Amor erga rem aeternam et infinitam sola laetitia pascit animum
Do Tractatus de Intellectus Emendatione, §10 (póstumo, 1677). O amor por objeto eterno e infinito alimenta a alma com alegria pura, livre de tristeza.
