#Amor-Romantico
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Pesquisa Viva: Amor desinteressado e o anel de brilhantes
O anel de noivado de brilhantes como dispositivo cultural — não símbolo do amor desinteressado, mas substituto privado de uma garantia legal que existiu até os anos 1930. Mapear a tese de Brinig (1990), a fabricação De Beers, e o paradoxo da garantia que se faz passar por gratuidade.
O amor romântico como sombra persistente
Adriana Piscitelli encerra: o amor romântico aparece nos séculos XVIII-XIX, difundido pelos romances. Hoje persiste como sombra na pedagogia do Netflix — casais homoeróticos, sim, mas o amor segue romântico.
Tinder também ensina a fugir do sugar
Adriana Piscitelli observa que o mesmo Tinder onde se ofertam relações sugar está cheio de perfis masculinos performando o oposto — "só divide a conta", "só encontro igualitário". A tecnologia amplifica simultaneamente os dois pólos.
Mark Hunter: o amor pode nascer dos bens
Mark Hunter (Toronto): o amor pode nascer do coração, mas pode igualmente nascer dos bens trocados — em ambos os casos é amor, sem hierarquia moral entre as origens. Tese-chave para pensar a manutenção do poder na ajuda.
Zelizer e o paradoxo do anel desinteressado
Adriana Piscitelli evoca Viviane Zelizer (A Negociação da Intimidade): a interpenetração entre dinheiro e intimidade é permanente, e o trabalho cultural está em fazer as delimitações que sustêm a ficção do amor desinteressado.
Neoliberalismo como cultura, amor como política
Adriana Piscitelli: o amor é uma forma de governança neoliberal. Não como modelo econômico, mas como cultura que organiza vida e subjetividade — individualismo, competitividade, metrificação. Logo, amar é também um ato político.
Homogamia e a ilusão da escolha no Tinder
Adriana Piscitelli sobre William Goody: mecanismos informais orientam o casamento entre iguais (classe, religião, raça). Michel traduz para o Tinder — "você escolhe, mas escolheu porque deixaram você escolher quem escolheu".
O anel de brilhantes e a hipocrisia do amor desinteressado
Michel Alcoforado abre o episódio Universo Sugar com o anel de noivado: ostentado, comparado entre amigas, avaliado pelo investimento — e ainda assim chamado de prova de amor desinteressado.
Amor erótico não é amor romântico
Distinção antropológica entre o amor erótico — atração física e paixão sensorial atestadas em quase todas as culturas — e o amor romântico, complexo ideológico ocidental específico que toma a paixão e a inscreve em roteiro de escolha pessoal e exclusividade conjugal. Citada por Fabíola Gomes no podcast Vox para cortar a objeção de que a paixão amorosa é universal.
Amor romântico como complexo ideológico
O amor romântico ocidental não é sentimento espontâneo mas conjunto historicamente formado de ideias, regras e expectativas. Funciona como complexo ideológico que organiza a escolha conjugal e a autorrealização individual desde o romantismo. Citado por Fabíola Gomes no podcast Vox como ponto de partida para o contraste com a Índia.
