#Albert-Camus
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Un monde qu'on peut expliquer même avec de mauvaises raisons est un monde familier. Mais au contraire, dans un univers soudain privé d'illusions et de lumières, l'homme se sent un étranger
De Le Mythe de Sisyphe (1942), L'Absurde et le suicide. A perda das ilusões cosmológicas como condição psicológica do estrangeiro moderno.
Si parfois nous semblions préférer la justice à notre patrie, c'est que nous voulions seulement aimer notre pays dans la justice, comme nous voulions l'aimer dans la vérité et dans l'espoir
De Lettres à un ami allemand, quarta carta (julho 1944). Articulação entre amor à pátria e três condições inegociáveis: justiça, verdade, esperança.
Should I kill myself, or have a cup of coffee?
Frase atribuída a Camus em compilações modernas (Barry Schwartz, The Paradox of Choice, 2004) sem fonte. Não localizada em nenhum texto do filósofo.
Sa tâche est peut-être plus grande. Elle consiste à empêcher que le monde se défasse
Discurso do Banquete Nobel (Estocolmo, 10 dez 1957). Sobre a geração pós-guerra: não vai refazer o mundo, sua tarefa é impedir que ele se desfaça.
Qu'est-ce qu'un homme révolté? Un homme qui dit non. Mais s'il refuse, il ne renonce pas: c'est aussi un homme qui dit oui, dès son premier mouvement
Abertura de L'Homme révolté (1951). O homem revoltado é quem diz não — mas o não é também um sim, afirmação simultânea ao recuso.
Pour que je me sente moins seul, il me restait à souhaiter qu'il y ait beaucoup de spectateurs le jour de mon exécution et qu'ils m'accueillent avec des cris de haine
Última frase de L'Étranger (1942). Para se sentir menos só, Meursault deseja gritos de ódio na própria execução.
Pour guérir d'une vanité, il faut soigner une douleur
Dos Carnets II (1942-1951). Para curar uma vaidade, é preciso tratar uma dor — diagnóstico psicológico no diário.
Par définition, il ne peut se mettre aujourd'hui au service de ceux qui font l'histoire: il est au service de ceux qui la subissent
Discurso do Nobel (1957). Camus define o papel do escritor: a serviço de quem sofre a história, não de quem a faz.
Nous ne pouvons rien affirmer qui ne soit aussitôt démenti par celui qui le contredit
De La Chute (1956). Clamence sobre a impossibilidade da inocência: qualquer afirmação encontra negador imediato.
Mais qu'est-ce que ça veut dire, la peste? C'est la vie, et voilà tout
De La Peste (1947), fala de Tarrou. A peste é a vida — não metáfora, condição estrutural da existência humana.
Les hommes meurent et ils ne sont pas heureux
De Caligula (1944), ato I, cena 4. A constatação minimalista de Calígula que dispara a lógica absurda do resto da peça.
Le mal qui est dans le monde vient presque toujours de l'ignorance, et la bonne volonté peut faire autant de dégâts que la méchanceté, si elle n'est pas éclairée
De La Peste (1947). Tarrou a Rieux: o mal vem quase sempre da ignorância, e a boa vontade não esclarecida pode causar tanto estrago quanto a maldade.
La vraie générosité envers l'avenir consiste à tout donner au présent
De L'Homme révolté (1951), seção La pensée de midi. Generosidade com o futuro é dar tudo ao presente: contra o sacrifício do agora.
La lutte elle-même vers les sommets suffit à remplir un cœur d'homme. Il faut imaginer Sisyphe heureux
Última frase de Le Mythe de Sisyphe (1942). É preciso imaginar Sísifo feliz: a aceitação consciente do absurdo como vitória.
Je voudrais pouvoir aimer mon pays tout en aimant la justice
De Lettres à un ami allemand, primeira carta (julho 1943). Camus tenta articular patriotismo e justiça em meio à ocupação nazista.
Je me révolte, donc nous sommes
De L'Homme révolté (1951), introdução. O cogito da revolta como substituto comunitário do cogito cartesiano: a revolta funda o nós, não o eu.
Je m'ouvrais pour la première fois à la tendre indifférence du monde
Última cena de L'Étranger (1942). Meursault na cela, depois da explosão contra o capelão, abre-se à indiferença benigna do universo.
J'exerce donc, à Mexico-City, depuis quelque temps, ma profession de juge-pénitent
De La Chute (1956). Clamence revela ao interlocutor a profissão que inventou: juiz-penitente. A figura é o último Camus moral.
J'ai donc besoin de la lune, ou du bonheur, ou de l'immortalité, de quelque chose qui soit dément peut-être, mais qui ne soit pas de ce monde
De Caligula (1944), ato I. Calígula justifica a Hélicon o desejo da lua: precisa de algo demente que não seja deste mundo.
Il y a dans les hommes plus de choses à admirer que de choses à mépriser
Encerramento de La Peste (1947), narrado por Rieux. Veredito sobre os homens depois da peste: mais a admirar que a desprezar.
Il vient toujours un temps où il faut choisir entre la contemplation et l'action. Cela s'appelle devenir un homme
Dos Carnets I (1935-1942). Há sempre um momento em que é preciso escolher entre contemplação e ação. Isso se chama tornar-se homem.
Il n'y a qu'un problème philosophique vraiment sérieux: c'est le suicide
Primeira frase de Le Mythe de Sisyphe (1942). Camus reabre a filosofia a partir da pergunta sobre se a vida vale ou não a pena ser vivida.
Il n'y a pas d'amour de vivre sans désespoir de vivre
De L'Été à Alger (1939, em Noces), recolhido depois em L'Été (1954). Não há amor de viver sem desespero de viver — os dois afetos são inseparáveis.
I would rather live my life as if there is a God and die to find out there isn't, than live as if there isn't and die to find out there is
Frase viralizada em internet apologética cristã atribuída a Camus. Sem fonte primária. Variante popular da Aposta de Pascal, incompatível com o ateísmo declarado de Camus.
Great novelists are philosopher-novelists who write in images instead of arguments
Frase atribuída a Camus mas formulada por John Cruickshank em Albert Camus and the Literature of Revolt (1959), comentário do crítico — não citação direta.
Fiction is the lie through which we tell the truth
Frase atribuída a Camus em redes sociais. Origem real: paráfrase de Picasso sobre arte como mentira que faz perceber a verdade (The Arts, 1923).
Don't walk in front of me, I may not follow. Don't walk behind me, I may not lead. Just walk beside me and be my friend
Frase amplamente atribuída a Camus, sem fonte primária. Primeira aparição é de dezembro de 1971 — onze anos depois da morte de Camus em 1960.
Aujourd'hui, maman est morte. Ou peut-être hier, je ne sais pas
Primeira frase de L'Étranger (1942). Em três linhas Camus estabelece o desligamento afetivo de Meursault que organizará todo o romance.
Au printemps, Tipasa est habitée par les dieux
Abertura de Noces à Tipasa (1939). Tipasa na primavera, habitada pelos deuses — abertura lírica do humanismo solar argelino de Camus.
Au milieu de l'hiver, j'apprenais enfin qu'il y avait en moi un été invincible
De Retour à Tipasa, ensaio em L'Été (1954). Frase frequentemente citada errado como Au cœur de l'hiver — o original Gallimard usa Au milieu.
A felicidade e o absurdo são dois filhos da mesma terra. São inseparáveis
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo final. Não há felicidade sem consciência do absurdo, nem absurdo sem alegria de estar vivo.
Sísifo é a síntese da paixão humana pela vida — mais importante até que a moral
Camus em O Mito de Sísifo (1942). Desprezo pelos deuses, ódio à morte, paixão pela vida. Essas três coisas bastam, mesmo sem moral nem esperança.
Toda criação artística é uma sedimentação: o conjunto de gestos que um indivíduo deixa
Baseado em Camus, O Mito de Sísifo (1942), capítulo A Criação Efêmera. A obra de um homem se fortalece nos seus aspectos sucessivos e múltiplos.
A obra de arte nasce da recusa da inteligência em racionalizar o concreto. Marca o triunfo do carnal
Camus em O Mito de Sísifo (1942). A arte existe onde a razão se recusa a abstrair. O concreto vence o conceito.
O artista, tanto quanto o pensador, mergulha dentro da própria obra e se transforma dentro dela
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo A Criação Absurda. Criar é viver duplamente: o artista refaz sua realidade e se refaz com ela.
A ciência que deveria me ensinar tudo termina em hipótese, a lucidez naufraga em metáfora, a incerteza se resolve em obra de arte
Camus em O Mito de Sísifo (1942). Se estressarmos a ciência até o fim, ela começa a contemplar. O conhecimento racional encontra seu próprio muro.
Entre a história e o eterno, escolho a história porque prefiro as certezas
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo A Conquista. O conquistador escolhe a história porque dela ao menos tem certeza — o eterno é promessa, a história é o que esmaga.
A Igreja repudiava no ator a multiplicação herética de almas
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo Drama. A Igreja via no ator uma heresia: viver várias almas negava a unicidade da alma que a doutrina exigia.
Vi pessoas agir mal com muita moralidade e constato todos os dias que a honestidade não precisa de regras
Frase de Albert Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo 'O Homem Absurdo'. A versão popular em português altera o sentido do original.
O ator reina no perecível. De todas as glórias, a dele é a mais efêmera. Mas todas as glórias são efêmeras
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo Drama. O ator é o herói absurdo que sabe que sua glória morre com ele. Mas toda glória morre — ele apenas não se engana.
