#Aforismo
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Quem escreve um livro cria um castelo, quem o lê mora nele
Aforismo de Monteiro Lobato registrado pela EdUSP no Dia Nacional do Livro (29 de outubro). Definição da relação entre autor e leitor como construção e habitação.
Amar sem inquietação é amar sem amor
Aforismo de 'O Avesso das Coisas' (Record). Definição do amor pela presença obrigatória do desassossego: sem ansiedade, não há amor.
Entre as diversas formas de mendicância, a mais humilhante é a do amor implorado
Aforismo de 'O Avesso das Coisas' (Record). Drummond classifica o pedido de afeto como pior que o pedido material.
A boca beijada não guarda a marca do êxtase
Aforismo de 'O Avesso das Coisas' (Record). O corpo não retém prova material da experiência amorosa, e isso é constitutivo dela.
A amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade
Aforismo de 'O Avesso das Coisas' (Record). Inversão da imagem usual da amizade como ponte e formulação dela como filtro.
A natureza não faz milagres, faz revelações
Aforismo registrado em 'O Avesso das Coisas' (Record). Distingue duas operações que costumam ser confundidas no discurso sobre o natural.
O Brasil é um país novo que se imagina velho
Aforismo registrado em 'O Avesso das Coisas' (Record, 1988). Diagnóstico breve sobre a discrepância entre idade histórica e auto-imagem do país.
Je vis seulement parce qu'il est en mon pouvoir de mourir quand je veux
De Syllogismes de l'amertume (1952). A possibilidade do suicídio como condição de continuar vivo: sem ela, já estaria morto.
Un livre est un suicide différé
De De l'inconvénient d'être né (1973). Escrever como adiamento do suicídio: cada livro é uma pausa concedida ao desespero.
L'ennui est l'écho en nous du temps qui se déchire
De Précis de décomposition (1949). O tédio como o eco em nós do tempo se rasgando: definição mais exata que qualquer psicologia.
Qu'attendez-vous pour renoncer ?
De De l'inconvénient d'être né (1973). A pergunta lançada de volta: o que se está esperando para desistir?
La société n'est pas une maladie, c'est un désastre
De Précis de décomposition (1949). A sociedade como desastre, não doença: estúpido milagre poder viver nela.
Un aphorisme ? Du feu sans flammes
De De l'inconvénient d'être né (1973). O aforismo como fogo sem chamas: ninguém pode aquecer-se nele, e Cioran sabe disso.
Il n'est pas élégant d'abuser de la malchance
De Syllogismes de l'amertume (1952), p. 69. A elegância como freio do azar: certos indivíduos e povos desonram a tragédia ao se comprazerem nela.
Ne pas naître est sans contredit la meilleure formule qui soit
De De l'inconvénient d'être né (1973). Não nascer como melhor fórmula possível, fora do alcance de quem quer que seja.
Toute forme de hâte, même vers le bien, traduit quelque dérangement mental
De De l'inconvénient d'être né (1973), parte III, p. 65. A pressa, mesmo virtuosa, como sintoma.
La haine peut être vile ; s'en défaire pourtant est plus dangereux qu'en abuser
De Syllogismes de l'amertume (1952), p. 108. O ódio como combustível: livrar-se dele pode custar mais do que abusar dele.
Le fait que la vie n'a pas de sens est une raison de vivre
De Aveux et anathèmes (1987). A ausência de sentido como única razão restante: e a única que basta.
Ce n'est pas la peine de se tuer, puisqu'on se tue toujours trop tard
De De l'inconvénient d'être né (1973), parte II, p. 43. O suicídio como tarde demais por princípio: já se nasceu, já é depois.
On n'habite pas un pays, on habite une langue
De Aveux et anathèmes (1987), p. 21. Para o exilado romeno que mudou de língua aos 26 anos, a pátria é a língua, e nada mais.
