#Absurdo
29 notas · última:
Gosto da vida. É um desafio permanente
Resposta ao absurdo em 'Incidente em Antares' (1971). Veríssimo recusa o niilismo e propõe a invenção de sentido como tarefa, não constatação.
Un monde qu'on peut expliquer même avec de mauvaises raisons est un monde familier. Mais au contraire, dans un univers soudain privé d'illusions et de lumières, l'homme se sent un étranger
De Le Mythe de Sisyphe (1942), L'Absurde et le suicide. A perda das ilusões cosmológicas como condição psicológica do estrangeiro moderno.
Should I kill myself, or have a cup of coffee?
Frase atribuída a Camus em compilações modernas (Barry Schwartz, The Paradox of Choice, 2004) sem fonte. Não localizada em nenhum texto do filósofo.
Pour que je me sente moins seul, il me restait à souhaiter qu'il y ait beaucoup de spectateurs le jour de mon exécution et qu'ils m'accueillent avec des cris de haine
Última frase de L'Étranger (1942). Para se sentir menos só, Meursault deseja gritos de ódio na própria execução.
Les hommes meurent et ils ne sont pas heureux
De Caligula (1944), ato I, cena 4. A constatação minimalista de Calígula que dispara a lógica absurda do resto da peça.
La lutte elle-même vers les sommets suffit à remplir un cœur d'homme. Il faut imaginer Sisyphe heureux
Última frase de Le Mythe de Sisyphe (1942). É preciso imaginar Sísifo feliz: a aceitação consciente do absurdo como vitória.
Je m'ouvrais pour la première fois à la tendre indifférence du monde
Última cena de L'Étranger (1942). Meursault na cela, depois da explosão contra o capelão, abre-se à indiferença benigna do universo.
J'ai donc besoin de la lune, ou du bonheur, ou de l'immortalité, de quelque chose qui soit dément peut-être, mais qui ne soit pas de ce monde
De Caligula (1944), ato I. Calígula justifica a Hélicon o desejo da lua: precisa de algo demente que não seja deste mundo.
Il n'y a qu'un problème philosophique vraiment sérieux: c'est le suicide
Primeira frase de Le Mythe de Sisyphe (1942). Camus reabre a filosofia a partir da pergunta sobre se a vida vale ou não a pena ser vivida.
Aujourd'hui, maman est morte. Ou peut-être hier, je ne sais pas
Primeira frase de L'Étranger (1942). Em três linhas Camus estabelece o desligamento afetivo de Meursault que organizará todo o romance.
A felicidade e o absurdo são dois filhos da mesma terra. São inseparáveis
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo final. Não há felicidade sem consciência do absurdo, nem absurdo sem alegria de estar vivo.
Sísifo é a síntese da paixão humana pela vida — mais importante até que a moral
Camus em O Mito de Sísifo (1942). Desprezo pelos deuses, ódio à morte, paixão pela vida. Essas três coisas bastam, mesmo sem moral nem esperança.
Toda criação artística é uma sedimentação: o conjunto de gestos que um indivíduo deixa
Baseado em Camus, O Mito de Sísifo (1942), capítulo A Criação Efêmera. A obra de um homem se fortalece nos seus aspectos sucessivos e múltiplos.
Se as leis da natureza não pouparam nem Este, então o planeta inteiro é uma mentira
Kirílov em Os Demônios (1872) de Dostoiévski. Se Cristo morreu e não houve paraíso, tudo que se construiu sobre essa promessa é mentira. O sacrifício perfeito foi em vão.
A obra de arte nasce da recusa da inteligência em racionalizar o concreto. Marca o triunfo do carnal
Camus em O Mito de Sísifo (1942). A arte existe onde a razão se recusa a abstrair. O concreto vence o conceito.
O artista, tanto quanto o pensador, mergulha dentro da própria obra e se transforma dentro dela
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo A Criação Absurda. Criar é viver duplamente: o artista refaz sua realidade e se refaz com ela.
A ciência que deveria me ensinar tudo termina em hipótese, a lucidez naufraga em metáfora, a incerteza se resolve em obra de arte
Camus em O Mito de Sísifo (1942). Se estressarmos a ciência até o fim, ela começa a contemplar. O conhecimento racional encontra seu próprio muro.
Entre a história e o eterno, escolho a história porque prefiro as certezas
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo A Conquista. O conquistador escolhe a história porque dela ao menos tem certeza — o eterno é promessa, a história é o que esmaga.
A Igreja repudiava no ator a multiplicação herética de almas
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo Drama. A Igreja via no ator uma heresia: viver várias almas negava a unicidade da alma que a doutrina exigia.
O ator reina no perecível. De todas as glórias, a dele é a mais efêmera. Mas todas as glórias são efêmeras
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo Drama. O ator é o herói absurdo que sabe que sua glória morre com ele. Mas toda glória morre — ele apenas não se engana.
Não existem vários amores. Existem várias relações únicas, e quanto mais se vive, mais ricas
Paráfrase de Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo Don Juanismo. Don Juan ama cada vez com todo o seu ser. Não há amor total, há repetição intensa.
O homem absurdo vive sua aventura no tempo que lhe cabe. Esse é o seu campo, essa é a sua ação, que ele protege de qualquer juízo que não o seu
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo A Liberdade Absurda. O campo do homem absurdo é o tempo, e o único juízo que conta é o próprio.
Se a única história significativa do pensamento humano fosse escrita, teria de ser a história dos seus arrependimentos sucessivos e das suas impotências
Camus em O Mito de Sísifo (1942). A história do pensamento humano é a história de quem tentou entender o mundo e falhou, vez após vez.
Vivemos no futuro: 'amanhã', 'mais tarde', 'quando você tiver seu caminho'. Essas irrelevâncias são admiráveis, pois, afinal, trata-se de morrer
Camus em O Mito de Sísifo (1942). O hábito de adiar a vida para o futuro é admirável de tão absurdo, porque no fim trata-se apenas de morrer.
Enquanto a mente se cala, tudo se arranja na unidade da sua nostalgia. Ao primeiro movimento, o mundo racha: fragmentos cintilantes se oferecem ao entendimento
Camus em O Mito de Sísifo (1942). A nostalgia da unidade é o motor do drama humano: queremos que o mundo faça sentido, mas ao primeiro gesto de pensamento ele se estilhaça.
Saber que não há amanhã garantido é o que libera: se nada é prometido, nada é devido
Paráfrase de O Mito de Sísifo (1942). Camus propõe trocar a liberdade a serviço do amanhã por uma liberdade a serviço do hoje, já que a morte é certa.
Camus: a esperança é suicídio filosófico
Em O Mito de Sísifo, Camus chama de suicídio filosófico todo salto de fé que troca o absurdo pela esperança. Esperar é desistir de pensar.
O que se denomina uma razão para viver é ao mesmo tempo uma excelente razão para morrer
Camus em O Mito de Sísifo (1942). As convicções que dão sentido à vida são as mesmas pelas quais se aceita morrer.
Não há senão um problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio
Frase de abertura de O Mito de Sísifo (1942). Camus coloca o suicídio como a questão inaugural da filosofia: julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida.
