#Abolicionismo
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Para que venhamos a formar em poucas gerações huma Nação homogênea, sem o que nunca seremos verdadeiramente livres
Programa de formação nacional na Representação (1823): Bonifácio articula a abolição como condição para a homogeneização do corpo social brasileiro, com vocabulário químico-mineralógico do tempo.
Se os negros são homens como nós, e não formão huma espécie de brutos animaes; se sentem e pensão como nós
Bonifácio recusa, em 1823, o argumento racial-naturalista que justificava o tráfico. A frase formula explicitamente a humanidade comum dos cativos como pressuposto da Representação.
A escravidão, Senhores, a escravidão, porque o homem que conta com os jornaes de seus escravos vive na indolência
Diagnóstico econômico-moral da Representação (1823): a escravidão é figurada como causa do atraso brasileiro — luxo e corrupção precedem civilização e indústria, em inversão da ordem normal das vicissitudes humanas.
Eu não desejo vêr abolida de repente a escravidão; tal acontecimento traria comsigo grandes males
Bonifácio formula explicitamente a tese gradualista na Representação (1823): a abolição imediata produziria, no diagnóstico dele, instabilidade que o regime constitucional nascente não suportaria.
O homem, não podendo ser cousa, não pôde ser objecto de propriedade
Argumento jurídico-filosófico da Representação (1823): contra a defesa proprietária da escravidão, Bonifácio sustenta que a liberdade pessoal antecede e funda a legitimidade da propriedade.
Como poderá haver huma Constituição liberal e duradoura em hum paiz continuamente habitado por huma multidão immensa de escravos?
Argumento central da Representação (1823): a contradição entre constitucionalismo liberal e regime escravista. Bonifácio articula a tese antes de boa parte do abolicionismo europeu fazê-lo.
He tempo, e mais que tempo, que acabemos com hum trafico tão bárbaro e carniceiro
Núcleo retórico da Representação (1823) de José Bonifácio: o tráfico negreiro denunciado em palavras açougueirais, contra os portos onde negros chegam 'mais apinhados que fardos de fazenda'.
Não pode progredir e civilisar-se sem cortar, quanto antes, pela raiz este cancro mortal
Advertência aos editores da Representação à Constituinte (1823, publicada em Paris 1825). A escravatura é descrita como cancro que rói as potências da vida do Brasil; a figura é retomada três vezes ao longo da obra.
