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🔍 Pesquisa Viva · em andamento

Pesquisa Viva: O que faz a filosofia

Estado
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  • Em foco: Jaspers, Einführung in die Philosophie — direção 7.
  • Próximo: a confirmar após Jaspers. Deleuze/Guattari (direção 5) é o candidato natural seguinte, pelo contraste. Direção 8 (contra-história, Onfray) aberta em 2026-09-29 para retomar.
  • Pesquisas-irmãs: Ontologia, Heidegger, Wittgenstein.

Motivação
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A intuição vem de duas direções convergentes:

  1. Streck / Gadamer — em filosofo-pode-falar-mas-nao-qualquer-coisa, o autor parafraseia a formulação de Lenio Streck na Crítica Hermenêutica do Direito (“não se pode dizer qualquer coisa sobre qualquer coisa”) e a desloca para a figura do filósofo: a latitude do tema é total, o conteúdo do que se diz é regrado.
  2. Aristóteles — em Ontologia, a passagem da Metafísica Γ 1 (1003a21-24) distingue a filosofia primeira das ciências particulares: matemática recorta quantidade, física recorta movimento, filosofia primeira não recorta. Mesma intuição pelo lado oposto: o modo filosófico é tratamento sem recorte.

O contraponto é o lado negativo: sokal-transgressing-boundaries cataloga casos em que filósofos importam termos científicos como ornamento sem amarração técnica (Lacan e topologia, Kristeva e teoria dos conjuntos, Latour e bacilos). O modo filosófico falha exatamente quando a posição não é respeitada.

A pesquisa investiga o que esse modo é, e como filósofos diferentes definiram a especificidade da filosofia.

Perguntas em aberto
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  • O modo filosófico é uma forma de tratamento (Aristóteles, Wittgenstein) ou uma operação produtiva (Deleuze)?
  • Há um modo, vários modos, ou cada filósofo cria o seu?
  • Como distinguir uso filosófico legítimo de termos científicos (Žižek com mecânica quântica) de uso ornamental (Lacan com topologia)?

Direções a mapear
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A confirmar antes de aprofundar:

1. Aristóteles — filosofia como ciência sem recorte
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Já mapeada na pesquisa de Ontologia, leitura 1.

2. Hegel — filosofia como autocompreensão do Espírito
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(A localizar — Fenomenologia do Espírito, Enciclopédia.)

3. Wittgenstein — filosofia como terapia conceitual
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PI §109. Detalhes na pesquisa de Wittgenstein.

4. Heidegger — pensamento do ser
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Filosofia não é uma ciência entre outras. Detalhes na pesquisa de Heidegger.

5. Deleuze e Guattari — filosofia como criação de conceitos
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Qu’est-ce que la philosophie? (1991). Filosofia distinta da ciência (funções) e da arte (afetos/perceptos). Tensão produtiva com a crítica de Sokal/Bricmont a Caosmose e Mil Platôs.

6. Posições negativas / anti-filosofia
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Carnap, Quine, Wittgenstein do Tractatus: filosofia se reduz a análise lógica, ou se cala. Sokal/Bricmont como crítica externa moderna.

7. Jaspers — filosofia como caminho, por contraste com a ciência
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Einführung in die Philosophie (1950, conferências radiofónicas em Basileia). 12 conferências curtas que abrem pela pergunta “o que é filosofia?”. Define filosofia negativamente contra a ciência (sem progresso, sem resultado universalmente vinculante) e positivamente pelas fontes do filosofar: espanto, dúvida, situações-limite (Grenzsituationen). Filosofia está sempre unterwegs — a caminho.

⚠ Reconstruído de memória; verificar contra o texto. Edição a determinar (alemão, inglês ou tradução portuguesa).

8. Onfray — a contra-história da filosofia
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Não é a anti-filosofia da direção 6 (que reduz a filosofia a análise lógica): é a tese de que existe uma história oficial da filosofia e outra que ela deixou de fora.

  • Onfray, Contre-histoire de la philosophie: ciclo de cursos na Université populaire de Caen (2002-2015), transmitido pela France Culture e publicado pela Grasset. Resgata correntes marginalizadas pela história oficial: materialismo, hedonismo, epicurismo, cinismo, libertinos. ✓ Wikipédia FR.
  • Rogério de Almeida no Não Obstante #01 — A filosofia morreu? (00:38:47-00:39:52) traz o termo de Onfray para a pergunta sobre a morte da filosofia: o que morre é “um tipo de filosofia que se escreveu historicamente como a filosofia oficial”, contestada por “filosofias vitalistas, que vão apostar numa força vital como mais forte do que um argumento racional” ou do que um sistema explicativo do sentido da vida. Morre uma filosofia para reabilitar outra. ✓ transcript do episódio.
  • Ligação com a pergunta desta pesquisa, a confirmar: se há uma filosofia oficial e uma contra-filosofia, o “modo filosófico” é um só ou é disputado entre as duas tradições?

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Notas extraídas
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