Citações
Frases atribuídas, com pesquisa de autoria e contexto.
1020 citações · última:
'Nada me parece tão lúbrico e devasso quanto anões besuntados'
Resposta de Luis Fernando Veríssimo em entrevista à revista Oi, em registro de humor surreal sobre erotismo. Demonstra o gosto do cronista pelo absurdo concreto.
Comment fait-il pour ne pas se tuer ?
De Précis de décomposition (1949). Diante de cada interlocutor, a única pergunta sincera: como ele consegue não se matar?
On ne tue qu'au nom d'un dieu ou de ses contrefaçons
De Précis de décomposition (1949). A indiferença como única defesa contra o massacre: assim que uma ideia vira deus, mata-se em seu nome.
Ce n'est pas la peine de se tuer, puisqu'on se tue toujours trop tard
De De l'inconvénient d'être né (1973), parte II, p. 43. O suicídio como tarde demais por princípio: já se nasceu, já é depois.
On n'habite pas un pays, on habite une langue
De Aveux et anathèmes (1987), p. 21. Para o exilado romeno que mudou de língua aos 26 anos, a pátria é a língua, e nada mais.
'A única pessoa realmente livre é aquela que não tem medo do ridículo'
Frase atribuída a Luis Fernando Veríssimo na obra 'De Clone a Clown' de Vitor Briga (2012). Wikiquote a classifica como atribuída — verificada em fonte secundária, não em obra primária do cronista.
'Vai ficar tudo bem' — apócrifa, atribuída a Luis Fernando Veríssimo
A frase 'vai ficar tudo bem' (com variantes em texto longo) circula atribuída a Luis Fernando Veríssimo em redes sociais. Não consta em fonte primária dele.
'A felicidade aparece para aqueles que choram' — apócrifa, atribuída a Luis Fernando Veríssimo
Frase circula atribuída a Luis Fernando Veríssimo em redes sociais e cartões. Não consta em nenhuma das obras dele e tem marca clara do gênero motivacional dos anos 2010.
Crônica sobre o BBB 11 — atribuição a Luis Fernando Veríssimo é falsa
Crônica sobre o Big Brother Brasil 11 (2011) circulou em e-mails e blogs atribuída a Luis Fernando Veríssimo. O serviço E-Farsas e o Recanto das Letras documentaram a atribuição como falsa.
'No frigir dos ovos' — atribuição a Luis Fernando Veríssimo é falsa
Crônica/texto circula atribuído a Luis Fernando Veríssimo em correntes de e-mail e redes sociais. O serviço de fact-checking Boatos.org documentou a atribuição como falsa em 2018.
'Depoimento Sobre as Drogas' — não é de Luis Fernando Veríssimo, é de Vitor Trucco
Texto circula em correntes de e-mail atribuído a Luis Fernando Veríssimo. O autor real é Vitor Trucco, conforme catalogação pública dos apócrifos atribuídos ao cronista.
'Dar Não é Fazer Amor' — não é de Luis Fernando Veríssimo, é de Tatiane Bernardi
Texto circula desde o início dos anos 2000 atribuído a Luis Fernando Veríssimo em correntes de e-mail e redes sociais. A autora real é Tatiane Bernardi.
'Aprenda a Chamar a Polícia' — atribuição a Luis Fernando Veríssimo é incerta
Crônica circula em livros didáticos brasileiros atribuída a Luis Fernando Veríssimo. A autoria não foi documentada em nenhuma das coletâneas oficiais do autor.
'Toda escolha é uma renúncia' — apócrifa, atribuída a Luis Fernando Veríssimo
Frase circula atribuída a Luis Fernando Veríssimo em sites de devocionais e auto-ajuda. Não há fonte primária na obra dele. O conceito tem origem em ascética medieval e em filosofia da decisão.
'As pessoas não se afastam, elas se cansam' — apócrifa, atribuída a Luis Fernando Veríssimo
Frase circula em redes sociais brasileiras atribuída a Luis Fernando Veríssimo. Não consta em nenhuma obra dele. Não há fonte primária verificável.
Zwei Seelen wohnen, ach! in meiner Brust
De Faust I, V.1112, cena Vor dem Tor. Duas almas habitam, ai, em meu peito — fórmula canônica do desdobramento fáustico entre matéria e espírito.
Whatever you can do, or dream you can, begin it
Misatribuição célebre. A frase é paráfrase muito livre de John Anster (1835), tradutor irlandês de Faust, sobre versos do Vorspiel auf dem Theater. Não é Goethe.
Werd ich zum Augenblicke sagen: Verweile doch! du bist so schön!
De Faust I, V.1699-1700, cena Studierzimmer. Cláusula do pacto: se Faust pedir ao instante que demore, está perdido. Fórmula da insaciabilidade fáustica.
Wer immer strebend sich bemüht, den können wir erlösen
De Faust II, V.11936-11937, cena Bergschluchten. Anjos proclamam a fórmula da salvação fáustica: quem sempre se esforça, podemos salvar.
Wer fremde Sprachen nicht kennt, weiß nichts von seiner eigenen
De Maximen und Reflexionen, n.91. Quem não conhece línguas estrangeiras nada sabe da própria — formulação aforística publicada em Über Kunst und Altertum em 1821.
Was ist der Mensch, der gepriesene Halbgott!
De Werther, carta de 6 dez. O que é o homem, o tão louvado semideus — fórmula da impotência humana frente à própria finitude.
Was du ererbt von deinen Vätern hast, erwirb es, um es zu besitzen
De Faust I, V.682-683, cena Nacht. O que herdaste dos teus pais, conquista-o para possuí-lo. Herança não é posse — exige reapropriação activa.
Über allen Gipfeln ist Ruh
De Wandrers Nachtlied II (1780). Sobre todos os cumes está a paz: oito versos rabiscados na parede de uma cabana de caça no Kickelhahn perto de Ilmenau.
Treat people as if they were what they ought to be
Atribuição com origem real, mas frequentemente truncada. A passagem está em Wilhelm Meisters Lehrjahre, Livro VIII, cap. 4 — em formulação mais cautelosa que a versão motivacional inglesa.
Mehr Licht!
Atribuição disputada. As últimas palavras de Goethe (1832) circulam como Mehr Licht (mais luz). A versão atestada por testemunha presente é mais prosaica.
In der Beschränkung zeigt sich erst der Meister
Do soneto Natur und Kunst (1800/1802). É na limitação que o mestre primeiro se mostra — tese clássica de Weimar contra a estética da expansão sem freio.
Im Anfang war die Tat!
De Faust I, V.1237, cena Studierzimmer. Faust, traduzindo o Evangelho de João, rejeita Wort, Sinn e Kraft, e fixa Tat: no princípio era o feito.
Grau, teurer Freund, ist alle Theorie
De Faust I, V.2038, cena Studierzimmer II. Cinza é toda teoria, e verde é a árvore dourada da vida — ironia: quem fala é Mefistófeles disfarçado de Faust.
Es ist nichts schrecklicher als eine tätige Unwissenheit
De Maximen und Reflexionen, n.542. Nada é mais terrível que uma ignorância em acção — diagnóstico goethiano contra a confiança operacional dos meio-instruídos.
Es irrt der Mensch, so lang er strebt
De Faust I, V.317, Prolog im Himmel. O homem erra enquanto se esforça: fala do Senhor, que estabelece a economia teológica do drama. Errar é parte do estriving.
Edel sei der Mensch, hilfreich und gut
De Das Göttliche (1783). Seja nobre o homem, prestativo e bom: abertura de poema-manifesto da ética goethiana, contrapeso humanista ao Sturm und Drang anterior.
Die Baukunst ist eine erstarrte Musik
Atribuição parcial. A frase chega ao público via Eckermann (conversa de 23 mar 1829), não em obra publicada por Goethe. E a formulação é anterior, em Schelling (1802-3).
Das Ewig-Weibliche zieht uns hinan
De Faust II, V.12110, Chorus mysticus. Versos finais do drama: o Eterno Feminino nos arrasta para o alto. Encerramento mariano da tragédia.
'O Quase' — não é de Luis Fernando Veríssimo, é de Sarah Westphal
O texto 'Quase' circula desde 2002 atribuído a Luis Fernando Veríssimo. A autora real é Sarah Westphal Batista da Silva, então estudante. Veríssimo desmentiu publicamente em coluna de 2005.
'Más vale ser touro brocha que boi tesudo'
Provérbio campeiro atribuído ao Analista de Bagé (Luis Fernando Veríssimo, 1981). Em registro rural, articula valor da potência mesmo desativada sobre potência impossível.
As Cobras de Veríssimo — duas serpentes filosofando sobre o universo
Tira de quadrinhos publicada por Luis Fernando Veríssimo entre 1975 e 1997 em jornais brasileiros. Duas serpentes sem nome comentam Deus, futebol, política e a insignificância humana.
'Pela cabeleira, o julgamento é canhestro: pode ser china ou maestro'
Comparação rimada do Analista de Bagé (Luis Fernando Veríssimo, 1981). Em registro de provérbio campeiro, faz crítica à inferência social baseada em aparência.
Ed Mort: 'É o que está escrito na plaqueta'
Refrão narrativo de Ed Mort, detetive criado por Luis Fernando Veríssimo em 1979. Fórmula de identificação que parodia o hard-boiled americano em registro de Copacabana.
'Pra besteira e financiamento do Banco do Brasil, sempre se arranja um jeito'
Sentença do Analista de Bagé, personagem de Luis Fernando Veríssimo (1981). Comparação direta entre o ímpeto subjetivo e o crédito estatal brasileiro.
'Roda de carreta chega cantando e se vai gemendo'
Comparação campeira atribuída ao Analista de Bagé, personagem de Luis Fernando Veríssimo (1981). Imagem de origem rural usada com função técnica psicanalítica.
