Citações
Frases atribuídas, com pesquisa de autoria e contexto.
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Estava à toa na vida, o meu amor me chamou pra ver a banda passar
Versos de abertura de 'A Banda' (1966), vencedora ex aequo do II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. A canção projetou Chico nacionalmente aos 22 anos.
Temos um expansionismo, que é o de crescermos dentro das nossas próprias fronteiras
Trecho do discurso de Vargas em Goiânia (1940), nas festividades inaugurais da nova capital de Goiás. Articula a Marcha para o Oeste como expansão para dentro, não para fora.
Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Verso de 'Pedro Pedreiro' (1965), primeira gravação de Chico Buarque em compacto simples. A figura do operário em espera condensa a vida do trabalhador urbano dos anos 1960.
O sacerdote da grande lei do menor esforço
Caracterização do Jeca Tatu no conto 'Urupês' (1918). Lobato batiza ironicamente como sacerdócio o que descreve como inércia produtiva.
'Drão' não é composição de Caetano Veloso — é de Gilberto Gil
A canção 'Drão' (1982), com o verso 'o amor da gente é como um grão', é composição de Gilberto Gil, não de Caetano Veloso, embora a autoria seja às vezes confundida.
Pobre Jeca Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade
Frase do conto 'Urupês' em 'Urupês' (1918). Ataque ao caboclo idealizado pela tradição romântica indianista, formulado como apóstrofe ao personagem-tipo.
Este funesto parasita da terra é o caboclo
Trecho de 'Velha Praga' em 'Urupês' (1918). Caracterização do caboclo brasileiro como parasita do solo, posição que Lobato revisaria publicamente em 1919.
Reajustar o organismo político às necessidades econômicas do país
Trecho do discurso de Vargas em 10 de novembro de 1937, transmitido pelo rádio na noite da instauração do Estado Novo. Justifica o golpe como adequação institucional a exigências econômicas.
'Sozinho' não é composição de Caetano Veloso — é de Peninha
A canção 'Sozinho', popularizada por Caetano Veloso no álbum *Prenda Minha* (1998), é composição de Peninha (Adilson Tadeu Berardo, 1953-), não de Caetano.
No Brasil subtrai-se; somar, ninguém soma
Aforismo do conto 'Velha Praga' em 'Urupês' (1918). Diagnóstico da economia da escassez como hábito cultural brasileiro.
O grau de cultura de um país mede-se pelo preço dos seus livros
Frase do personagem Mr. Slang em 'Mr. Slang e o Brasil' (1926), no capítulo 'Da proteção à incompetência'. Tese sobre o livro caro como sintoma de atraso cultural.
Forão os Portuguezes os primeiros que, desde o tempo do Infante D. Henrique, fizerão hum ramo de commercio legal de prear homens livres
Bonifácio nomeia explicitamente, na Representação de 1823, a responsabilidade portuguesa pelo tráfico atlântico — Henrique 'o Navegador' como ponto de origem. Acusação rara em texto oficial brasileiro do início do XIX.
While my eyes / Go looking for the saucers in the sky
Refrão de 'London, London' (1971) de Caetano Veloso, faixa do álbum *Caetano Veloso* gravado durante o exílio no Reino Unido depois da prisão pelo regime militar.
Trabalhadores do Brasil!
Fórmula de saudação inaugurada por Vargas em alocuções pelo rádio nos anos 1930 e 1940, especialmente nas celebrações de Primeiro de Maio. Marca a entrada do trabalhador como destinatário direto do discurso presidencial.
Parece muito útil, até necessário, que se edifique uma nova capital do Império no interior do Brasil
Memória apresentada à Constituinte em 9 de junho de 1823. Bonifácio propõe a transferência da capital para o interior e sugere o nome 'Petrópolis ou Brasília' — primeiro registro documental do topônimo que daria nome à capital construída em 1960.
O livro é uma mercadoria como outra qualquer
Entrevista à Rádio Record em julho de 1948, dias antes da morte de Lobato. Defesa do livro como bem de consumo e da responsabilidade do escritor pela vendabilidade da obra.
Quem escreve um livro cria um castelo, quem o lê mora nele
Aforismo de Monteiro Lobato registrado pela EdUSP no Dia Nacional do Livro (29 de outubro). Definição da relação entre autor e leitor como construção e habitação.
Governo algum constitucional pode durar sem a maior instrução e moralidade do povo
Tese pedagógica dos Apontamentos sobre os Índios Bravos (1823): para Bonifácio, instrução pública é condição de existência do regime constitucional. Argumento que ele repete em toda a obra — a Constituinte sem povo educado é letra morta.
Vou tratar do modo de catequizar e aldear os índios bravos do Brasil
Frase de abertura dos Apontamentos para a Civilização dos Índios Bravos do Império do Brasil (1823), o segundo grande programa civil de Bonifácio para a Constituinte. Linguagem do tempo: 'bravos' designa indígenas não aldeados; 'civilização' significa integração ao Estado.
Erro pensar que é a ciência que mata uma religião. Só pode com ela outra religião
Aforismo das 'Obras Completas' p. 199 (Brasiliense, 1946). Tese sobre a substituição funcional entre cultos: o que destrona uma fé é outra fé.
Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás
Quinto parágrafo da carta-testamento de Vargas (24/08/1954). Articulação explícita entre suicídio e nacionalização do petróleo, transformando a Petrobrás em causa do martírio.
Narciso em Férias
Capítulo central de *Verdade Tropical* (1997) e título do livro autônomo publicado por Caetano Veloso em 2020 sobre seus 54 dias preso pelo regime militar entre dezembro de 1968 e fevereiro de 1969.
Tudo é loucura ou sonho no começo
Trecho das 'Obras Completas' p. 178 (Brasiliense, 1946). Defesa do projeto utópico contra a inércia do realismo conformista.
Para que venhamos a formar em poucas gerações huma Nação homogênea, sem o que nunca seremos verdadeiramente livres
Programa de formação nacional na Representação (1823): Bonifácio articula a abolição como condição para a homogeneização do corpo social brasileiro, com vocabulário químico-mineralógico do tempo.
Se os negros são homens como nós, e não formão huma espécie de brutos animaes; se sentem e pensão como nós
Bonifácio recusa, em 1823, o argumento racial-naturalista que justificava o tráfico. A frase formula explicitamente a humanidade comum dos cativos como pressuposto da Representação.
De escrever para marmanjos já me enjoei. Bichos sem graça
Trecho de 'A Barca de Gleyre' (1944), p. 467 — correspondência de Lobato com Godofredo Rangel. Justificativa do voto pela literatura infantil contra a literatura para adultos.
Um país se faz com homens e livros
Trecho de 'América' (1929), p. 45. Frase circula isolada como meme e foi suspeita de apócrifa, mas é autêntica e consta na obra de Lobato sobre os Estados Unidos.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora
Trecho do sétimo parágrafo da carta-testamento de Vargas (24/08/1954). Construção rítmica que transforma a presidência em desgaste contado em unidades cada vez menores.
Essa é a juventude que diz que quer tomar o poder?
Discurso de Caetano Veloso no Teatro da Universidade Católica (TUCA), em São Paulo, em 15 de setembro de 1968, durante a final paulista do III Festival Internacional da Canção da TV Globo.
A escravidão, Senhores, a escravidão, porque o homem que conta com os jornaes de seus escravos vive na indolência
Diagnóstico econômico-moral da Representação (1823): a escravidão é figurada como causa do atraso brasileiro — luxo e corrupção precedem civilização e indústria, em inversão da ordem normal das vicissitudes humanas.
Eu não desejo vêr abolida de repente a escravidão; tal acontecimento traria comsigo grandes males
Bonifácio formula explicitamente a tese gradualista na Representação (1823): a abolição imediata produziria, no diagnóstico dele, instabilidade que o regime constitucional nascente não suportaria.
O homem, não podendo ser cousa, não pôde ser objecto de propriedade
Argumento jurídico-filosófico da Representação (1823): contra a defesa proprietária da escravidão, Bonifácio sustenta que a liberdade pessoal antecede e funda a legitimidade da propriedade.
Meu sacrifício nos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta
Frase do nono parágrafo da carta-testamento de Vargas (24/08/1954). Programa explícito de transformação do morto em emblema político mobilizador.
Genipapo Absoluto
Canção que dá nome a uma das peças centrais do álbum *Livro* (1997) de Caetano Veloso, gravada no mesmo ano da publicação de *Verdade Tropical*.
Como poderá haver huma Constituição liberal e duradoura em hum paiz continuamente habitado por huma multidão immensa de escravos?
Argumento central da Representação (1823): a contradição entre constitucionalismo liberal e regime escravista. Bonifácio articula a tese antes de boa parte do abolicionismo europeu fazê-lo.
He tempo, e mais que tempo, que acabemos com hum trafico tão bárbaro e carniceiro
Núcleo retórico da Representação (1823) de José Bonifácio: o tráfico negreiro denunciado em palavras açougueirais, contra os portos onde negros chegam 'mais apinhados que fardos de fazenda'.
Soy loco por ti, América / Yo voy traer una mujer playera
Abertura de 'Soy Loco por Ti, América' (1968), composição de Gilberto Gil e José Carlos Capinam interpretada por Caetano Veloso no álbum *Caetano Veloso* (Philips, 1968).
Não pode progredir e civilisar-se sem cortar, quanto antes, pela raiz este cancro mortal
Advertência aos editores da Representação à Constituinte (1823, publicada em Paris 1825). A escravatura é descrita como cancro que rói as potências da vida do Brasil; a figura é retomada três vezes ao longo da obra.
Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna
Trecho do penúltimo parágrafo da carta-testamento de Vargas (24/08/1954). Inverte a relação entre presidente e povo, transferindo a libertação do líder para o povo.
Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se
Frase de abertura da carta-testamento de Vargas (24/08/1954). Constrói o adversário como conluio recorrente e enquadra a crise de 1954 como repetição de ataques anteriores.
