Citações
Frases atribuídas, com pesquisa de autoria e contexto.
1048 citações · última:
Mon métier et mon art, c'est vivre
Do livro II, cap. 6 dos Essais (1580), De l'exercitation. Frase-síntese do programa antropológico de Montaigne: viver é a tarefa permanente, indelegável.
Les rois et les philosophes fientent, et les dames aussi
Do livro I, cap. 42 dos Essais (1580), De l'inégalité qui est entre nous. Igualdade radical do humano confirmada pela fisiologia compartilhada.
Le plus manifeste signe de la sagesse, c'est une éjouissance constante
Do livro I, cap. 26 dos Essais (1580), De l'institution des enfans. Modelo pedagógico antiestóico: a sabedoria como alegria sustentada.
Laissons faire un peu à la nature: elle entend mieux ses affaires que nous
Do livro III, cap. 13 dos Essais (1588), De l'expérience. Conselho médico-filosófico de Montaigne, que sofreu de cólica renal crônica.
La vertu refuse la facilité pour compagne... elle demande un chemin âpre et épineux
Do livro II, cap. 11 dos Essais (1580), De la cruauté. Distinção entre virtude verdadeira (esforço, escolha) e inclinação natural ao bem.
La plus grande chose du monde, c'est de savoir être à soi
Do livro I, cap. 39 dos Essais (1580), De la solitude. Montaigne defende o cultivo da vida interior como tarefa mais difícil e mais valiosa.
La chose au monde de quoi j'ai le plus de peur, c'est la peur
Do livro I, cap. 18 dos Essais (1580), De la peur. O medo é mais temível que seus objetos: a antecipação angustiada do mal causa mais sofrimento que o mal real.
Je veux que la mort me trouve plantant mes choux, mais nonchalant d'elle, et encore plus de mon jardin imparfait
Do livro I, cap. 20 dos Essais (1580), Que philosopher c'est apprendre à mourir. Postura cotidiana diante da morte: continuidade prática em vez de meditação solene.
Je suis moi-même la matière de mon livre
Da carta Au lecteur que abre o livro I dos Essais (1580). Montaigne anuncia o programa autobiográfico que inaugura o gênero do ensaio pessoal moderno.
Je ne dis les autres, sinon pour d'autant plus me dire
Do livro I, cap. 26 dos Essais (1580), De l'institution des enfans. Princípio metodológico: as citações servem para acessar o próprio pensamento por reflexo.
Je n'ai fait ici qu'un amas de fleurs étrangères, n'y ayant fourni du mien que le filet à les lier
Do livro III, cap. 12 dos Essais (1588), De la physionomie. Confissão metodológica sobre originalidade autoral: as ideias vêm de outros, o trabalho está no fio.
Je dis vrai, non pas tout mon saoul, mais autant que je l'ose dire
Do livro III, cap. 2 dos Essais (1588), Du repentir. Reconhecimento da censura interna que opera mesmo no projeto autobiográfico mais radical.
Il y a autant de différence de nous à nous-mêmes que de nous à autrui
Do livro II, cap. 1 dos Essais (1580), De l'inconstance de nos actions. Tese da personalidade flutuante contra a unidade fixa do sujeito clássico.
Il n'est si homme de bien, qu'il mette à l'examen des lois toutes ses actions et pensées, qui ne soit pendable dix fois en sa vie
Do livro III, cap. 9 dos Essais (1588), De la vanité. Observação cínica sobre moralidade efetiva versus moralidade formal.
Il n'est rien cru si fermement que ce qu'on sait le moins
Do livro I dos Essais (1580). Observação epistêmica recorrente em Montaigne: a certeza não é proporcional ao saber, e o crente fervoroso costuma ser quem menos sabe.
Il est des défaites plus triomphantes que les victoires
Do livro I, cap. 30 dos Essais (1580), Des cannibales. Reflexão sobre coragem militar: certas derrotas valem mais que vitórias fáceis.
Chaque homme porte la forme entière de l'humaine condition
Do livro III, cap. 2 dos Essais (1588), Du repentir. Princípio universalista que sustenta o método autobiográfico: cada indivíduo carrega o desenho integral do humano.
À quelque heure que tu meures, le tout y est
Do livro I, cap. 20 dos Essais (1580), Que philosopher c'est apprendre à mourir. A vida vale pela completude do tempo vivido, não pela duração.
O que quer que um outro disser bem, é meu
Sêneca, em carta a Lucílio, justifica que toda boa formulação alheia lhe pertence, reconhecendo logo depois que mesmo essa frase já fora dita por Epicuro.
Toute notre dignité consiste dans la pensée
Dos Pensées #347 (Brunschvicg), continuação do fragmento do roseau pensant. A dignidade humana se concentra no único atributo que distingue o homem do resto da natureza.
Tout le malheur des hommes vient d'une seule chose, qui est de ne savoir pas demeurer en repos dans une chambre
Dos Pensées #139 (Brunschvicg), seção sobre divertissement. O homem evita a si próprio porque ficar sozinho expõe a finitude.
Tous les excès, toutes les violences, et toutes les vanités des grands, viennent de ce qu'ils ne connaissent pas ce qu'ils sont
Do Discours sur la condition des grands (1660), três discursos curtos que Pascal endereçou ao filho do duque de Luynes.
Rien n'est si insupportable à l'homme que d'être dans un plein repos, sans passions, sans affaires, sans divertissement, sans application
Dos Pensées #131 (Brunschvicg), seção sobre divertissement. O repouso completo é insuportável, e o homem inventa ocupações artificiais para fugir do confronto com o vazio.
Plaisante justice qu'une rivière borne! Vérité au deçà des Pyrénées, erreur au delà
Dos Pensées #294 (Brunschvicg). Observação clássica sobre o relativismo da justiça territorial: o que é crime numa jurisdição é virtude na outra.
Oui, mais il faut parier... gagez donc qu'il est sans hésiter
Dos Pensées #233 (Brunschvicg). A aposta de Pascal — argumento mais discutido da filosofia da religião, usando cálculo probabilístico para defender a fé.
Nous ne vivons jamais, mais nous espérons de vivre; et, nous disposant toujours à être heureux, il est inévitable que nous ne le soyons jamais
Dos Pensées #172 (Brunschvicg). Diagnóstico psicológico da projeção temporal humana: o presente é sempre instrumental, sacrificado ao futuro que nunca chega.
Nous connaissons la vérité non seulement par la raison, mais encore par le cœur
Dos Pensées #282 (Brunschvicg). Pascal complementa a tese do cœur a ses raisons (#277) com uma epistemologia dual: razão e intuição.
Le silence éternel de ces espaces infinis m'effraie
Dos Pensées #206 (Brunschvicg). Registro mais explícito da angústia metafísica do universo infinito recém-revelado pela ciência copernicana e galileana.
Le nez de Cléopâtre: s'il eût été plus court, toute la face de la terre aurait changé
Dos Pensées #162 (Brunschvicg). Observação sobre o papel da contingência na história: detalhes triviais decidem destinos imperiais.
Le dernier acte est sanglant, quelque belle que soit la comédie en tout le reste
Dos Pensées #210 (Brunschvicg). A imagem teatral serve para criticar a felicidade que se constrói ignorando a mortalidade.
Le cœur a ses raisons que la raison ne connaît point
Dos Pensées #277 (Brunschvicg). Pascal sustenta uma forma de conhecimento afetivo, anterior e independente da inferência lógica.
La sagesse nous renvoie à l'enfance
Dos Pensées #271 (Brunschvicg). O trajeto epistêmico maduro retorna a uma simplicidade próxima da infância depois de desfazer toda a complexidade adulta.
La lutte seule plaît, non la victoire
Dos Pensées #135 (Brunschvicg). O desejo humano é estruturalmente insatisfazível: o objeto buscado, uma vez obtido, perde o brilho que tinha enquanto distante.
La justice sans la force est impuissante; la force sans la justice est tyrannique
Dos Pensées #298 (Brunschvicg). Aforismo sobre o paradoxo da política: justiça sem poder não opera; poder sem justiça vira tirania.
La coutume est notre nature
Dos Pensées #89 e #93 (Brunschvicg). O que chamamos de natureza humana é, em larga medida, costume sedimentado: repetição que vira automatismo.
L'imagination est cette partie décevante dans l'homme, cette maîtresse d'erreur et de fausseté
Dos Pensées #82 (Brunschvicg). Pascal define a imaginação como faculdade que distorce o juízo: amplifica o medo, infla a vaidade.
L'homme n'est qu'un roseau, le plus faible de la nature; mais c'est un roseau pensant
Dos Pensées #347 (Brunschvicg). Pascal define a posição cosmológica humana: fragilidade física diante do universo, dignidade na consciência da fragilidade.
L'homme n'est ni ange ni bête, et le malheur veut que qui veut faire l'ange fait la bête
Dos Pensées #358 (Brunschvicg). A posição central da antropologia pascaliana: a tentativa de assumir uma das extremidades resulta em catástrofe.
L'art de persuader consiste autant en celui d'agréer qu'en celui de convaincre
De De l'art de persuader (1658). Pascal sustenta que a persuasão integra duas operações distintas: convencer (lógico) e agradar (afetivo).
Je n'ai fait celle-ci plus longue que parce que je n'ai pas eu le loisir de la faire plus courte
Da Lettre XVI das Lettres provinciales (4 dez 1656). Aforismo sobre concisão constantemente atribuído errado a Twain, Cicero, Voltaire, Locke, Goethe.
