Citações
Frases atribuídas, com pesquisa de autoria e contexto.
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J'exerce donc, à Mexico-City, depuis quelque temps, ma profession de juge-pénitent
De La Chute (1956). Clamence revela ao interlocutor a profissão que inventou: juiz-penitente. A figura é o último Camus moral.
J'ai donc besoin de la lune, ou du bonheur, ou de l'immortalité, de quelque chose qui soit dément peut-être, mais qui ne soit pas de ce monde
De Caligula (1944), ato I. Calígula justifica a Hélicon o desejo da lua: precisa de algo demente que não seja deste mundo.
Il y a dans les hommes plus de choses à admirer que de choses à mépriser
Encerramento de La Peste (1947), narrado por Rieux. Veredito sobre os homens depois da peste: mais a admirar que a desprezar.
Il vient toujours un temps où il faut choisir entre la contemplation et l'action. Cela s'appelle devenir un homme
Dos Carnets I (1935-1942). Há sempre um momento em que é preciso escolher entre contemplação e ação. Isso se chama tornar-se homem.
Il n'y a qu'un problème philosophique vraiment sérieux: c'est le suicide
Primeira frase de Le Mythe de Sisyphe (1942). Camus reabre a filosofia a partir da pergunta sobre se a vida vale ou não a pena ser vivida.
Il n'y a pas d'amour de vivre sans désespoir de vivre
De L'Été à Alger (1939, em Noces), recolhido depois em L'Été (1954). Não há amor de viver sem desespero de viver — os dois afetos são inseparáveis.
I would rather live my life as if there is a God and die to find out there isn't, than live as if there isn't and die to find out there is
Frase viralizada em internet apologética cristã atribuída a Camus. Sem fonte primária. Variante popular da Aposta de Pascal, incompatível com o ateísmo declarado de Camus.
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos
Frase amplamente atribuída a Fernando Pessoa no Brasil — é apócrifa. Autor real: Fernando Teixeira de Andrade, professor brasileiro, em poema O Medo: o Maior Gigante da Alma.
Há metafísica bastante em não pensar em nada
De O Guardador de Rebanhos V, Alberto Caeiro (Athena nº 4, jan 1925). Anti-metafísica do heterônimo bucólico de Pessoa.
Great novelists are philosopher-novelists who write in images instead of arguments
Frase atribuída a Camus mas formulada por John Cruickshank em Albert Camus and the Literature of Revolt (1959), comentário do crítico — não citação direta.
Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim
Da carta a Adolfo Casais Monteiro (13 jan 1935). Pessoa narra o nascimento dos heterônimos em êxtase de escrita: trinta poemas a fio, em pé, em êxtase indefinível.
Fiction is the lie through which we tell the truth
Frase atribuída a Camus em redes sociais. Origem real: paráfrase de Picasso sobre arte como mentira que faz perceber a verdade (The Arts, 1923).
Eu sou do tamanho do que vejo e não, do tamanho da minha altura
Do poema VII de O Guardador de Rebanhos, Alberto Caeiro (Athena nº 4, jan 1925). A medida do sujeito é o que ele percebe.
Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida
Verso de Pedra Filosofal, atribuído por vezes a Pessoa. Autor real: António Gedeão (heterônimo do cientista Rómulo de Carvalho).
Don't walk in front of me, I may not follow. Don't walk behind me, I may not lead. Just walk beside me and be my friend
Frase amplamente atribuída a Camus, sem fonte primária. Primeira aparição é de dezembro de 1971 — onze anos depois da morte de Camus em 1960.
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce
Verso de abertura de O Infante, em Mensagem (1934). Tornou-se aforismo nacional em Portugal sobre a relação entre vontade, imaginação e realização.
Come chocolates, pequena! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria
De Tabacaria, Álvaro de Campos (1928). Parêntese da menina dos chocolates — o segundo trecho mais citado do poema, depois do Não sou nada.
Aujourd'hui, maman est morte. Ou peut-être hier, je ne sais pas
Primeira frase de L'Étranger (1942). Em três linhas Camus estabelece o desligamento afetivo de Meursault que organizará todo o romance.
Au printemps, Tipasa est habitée par les dieux
Abertura de Noces à Tipasa (1939). Tipasa na primavera, habitada pelos deuses — abertura lírica do humanismo solar argelino de Camus.
Au milieu de l'hiver, j'apprenais enfin qu'il y avait en moi un été invincible
De Retour à Tipasa, ensaio em L'Été (1954). Frase frequentemente citada errado como Au cœur de l'hiver — o original Gallimard usa Au milieu.
Apagar tudo do quadro de um dia para o outro, ser novo com cada nova madrugada, numa revirgindade perpétua da emoção
Do Livro do Desassossego (Bernardo Soares), continuação do fragmento Viver é ser outro (Arquivo Pessoa 299). A revirgindade da emoção como ideal.
A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida
Do Livro do Desassossego (Bernardo Soares), fragmento 116 (ed. Coelho 1982). A literatura como evasão estética da realidade.
Wie, wenn dir eines Tages oder Nachts ein Dämon in deine einsamste Einsamkeit nachschliche und dir sagte: 'Dieses Leben, wie du es jetzt lebst und gelebt hast, wirst du noch einmal und noch unzählige Male leben müssen'
Da Fröhliche Wissenschaft §341 (1882), Das grösste Schwergewicht. Apresentação do experimento mental do eterno retorno.
Werde, der du bist!
Da Fröhliche Wissenschaft §270 (1882). Imperativo paradoxal: torna-te o que tu és. Eco direto de Píndaro (Pítica II).
Wer mit Ungeheuern kämpft, mag zusehen, dass er nicht dabei zum Ungeheuer wird. Und wenn du lange in einen Abgrund blickst, blickt der Abgrund auch in dich hinein
De Jenseits von Gut und Böse §146 (1886). Aforismo sobre o risco de contaminação ao combater o que se combate.
Was mich nicht umbringt, macht mich stärker
De Götzen-Dämmerung, Sprüche und Pfeile §8 (1888). A frase mais saqueada de Nietzsche, deturpada em sentido quase oposto pela cultura motivacional contemporânea.
Vorausgesetzt, dass die Wahrheit ein Weib ist
Abertura do prefácio de Jenseits von Gut und Böse (1886). Suposto que a verdade seja uma mulher — ataque irônico ao dogmatismo filosófico.
Ohne Musik wäre das Leben ein Irrtum
De Götzen-Dämmerung, Sprüche und Pfeile §33 (1888). Sem a música, a vida seria um erro. Aforismo de um Nietzsche que era músico amador antes de virar filósofo.
Nichts verzehrt schneller als das Ressentiment
De Ecce Homo, Warum ich so weise bin §6 (1888, pub 1908). Nada consome mais rápido do que o ressentimento — diagnóstico clínico do afeto reativo.
Meine Formel für die Grösse am Menschen ist amor fati
De Ecce Homo, Warum ich so klug bin §10 (1888, pub 1908). Minha fórmula para a grandeza humana é amor fati — amor ao destino.
Mehr Vernunft ist in deinem Leibe als in deiner besten Weisheit
De Also sprach Zarathustra I, Von den Verächtern des Leibes (1883). Há mais razão no teu corpo do que na tua maior sabedoria.
Man muss noch Chaos in sich haben, um einen tanzenden Stern gebären zu können
De Also sprach Zarathustra, prólogo §5 (1883). É preciso ter ainda caos em si para gerar uma estrela dançante.
Lebt gefährlich! Baut eure Städte an den Vesuv!
Da Fröhliche Wissenschaft §283 (1882). Vivam perigosamente, construam cidades nos flancos do Vesúvio. Ataque ao ideal moderno de segurança previsível.
Ich lehre euch den Übermenschen. Der Mensch ist Etwas, das überwunden werden soll
De Also sprach Zarathustra, prólogo §3 (1883). Anúncio do Übermensch — o que excede o humano —, conceito grosseiramente apropriado pelo nazismo no século XX.
Ich bin kein Mensch, ich bin Dynamit
De Ecce Homo, Warum ich ein Schicksal bin §1 (escrito out-dez 1888, pub. 1908). Autoavaliação megalomaníaca semanas antes do colapso em Turim.
Ich bin ein Jünger des Philosophen Dionysos, ich zöge vor, ein Satyr zu sein als ein Heiliger
Do prefácio de Ecce Homo §2 (1888, pub 1908). Sou discípulo do filósofo Dioniso, prefiro ser um sátiro a um santo.
Hat man sein warum? des Lebens, so verträgt man sich fast mit jedem wie?
De Götzen-Dämmerung, Sprüche und Pfeile §12 (1888). Quem tem um porquê para viver suporta quase qualquer como — frase frequentemente reapropriada por Viktor Frankl.
Gott ist tot! Gott bleibt tot! Und wir haben ihn getötet
Da Fröhliche Wissenschaft §125 (1882), parábola do louco que entra na praça com lanterna acesa procurando Deus. Não é triunfo ateu, é diagnóstico de catástrofe.
Es giebt gar keine moralischen Phänomene, sondern nur eine moralische Ausdeutung von Phänomenen
De Jenseits von Gut und Böse §108 (1886). Não existem fenômenos morais, só interpretações morais de fenômenos.
Es gibt keine Tatsachen, nur Interpretationen
Anotação dos cadernos de Nietzsche, fim de 1886-início de 1887 (KSA 12:7[60]). Publicada postumamente em Der Wille zur Macht §481, compilação contestada da irmã.
