Citações
Frases atribuídas, com pesquisa de autoria e contexto.
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Quem morre pelo seu país vive eternamente
Frase atribuída a Monteiro Lobato em compilação de aforismos políticos brasileiros (Buchsbaum, 2006). Atribuição secundária; a fonte primária não é localizável na obra do autor.
Tristeza não tem fim, felicidade sim
Verso de abertura de 'A Felicidade' (1958), música de Jobim e letra de Vinicius de Moraes para o filme Orfeu Negro de Marcel Camus, vencedor da Palma de Ouro em Cannes 1959 e do Oscar de filme estrangeiro em 1960.
O Homem que Calculava já me encantou duas vezes
Carta de Monteiro Lobato a Malba Tahan, São Paulo, 14 de janeiro de 1939. Elogio de um clássico da literatura matemática brasileira por outro clássico da literatura infantojuvenil.
Vou voltar, sei que ainda vou voltar
Verso de 'Sabiá' (1968), música de Jobim e letra de Chico Buarque. Vencedora do III FIC no Maracanãzinho em 29 de setembro de 1968 sob a maior vaia já registrada em festivais brasileiros, no contexto direto do AI-5.
Não há livros, Rangel! Nós precisamos entupir este país com uma chuva de livros
Carta a Godofredo Rangel, Caçapava, 16 de janeiro de 1915. Manifesto editorial precoce de Lobato, três anos antes da publicação de 'Urupês' e dez antes da fundação da Companhia Editora Nacional.
Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça
Verso de abertura de 'Garota de Ipanema' (1962), música de Jobim e letra de Vinicius de Moraes. Composta no piano da Rua Barão da Torre e em Petrópolis; primeira gravação por Pery Ribeiro em 1962, consagração internacional no álbum Getz/Gilberto (1964).
Ao terminar a leitura, o leitor corre à janela para ver se ainda há céu no mundo
Carta de Lobato a Godofredo Rangel, escrita em Areias, 1907, reproduzida em 'Lobato Letrador 1º Passo' (2018), p. 18. Definição precoce do efeito de leitura como interrupção do ar habitual.
É pau, é pedra, é o fim do caminho
Verso de abertura de 'Águas de Março' (1972), composta em março de 1972 no sítio Poço Fundo (RJ). Letra-inventário em fluxo, lançada no compacto Disco de Bolso e fixada no álbum Matita Perê (1973).
Ando com ideias dumas coisas Wells
Carta a Godofredo Rangel, Taubaté, 17 de dezembro de 1905. Lobato com 23 anos projeta-se como 'H. G. Wells de Taubaté' e antecipa o programa de ficção científica que executaria duas décadas depois.
Tudo vem dos sonhos. Primeiro sonhamos, depois fazemos
Aforismo de 'América' (1929), p. 111. Sequência operativa entre projeção mental e construção material, formulada a partir da observação dos Estados Unidos.
Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca de carvão pelo mastro de São Pedro acima
Trecho de 'Caçadas de Pedrinho' (1933), motivo do mandado de segurança do Instituto de Advocacia Racial discutido pelo CNE entre 2010 e 2014. Documento de linguagem racializadora num livro escolar canônico.
Essa gente
'Essa Gente' (2019), sexto romance de Chico. Narrador é escritor em crise no Rio que se desfaz; texto monta diário, cartas, recortes de jornal sobre a paisagem brasileira de 2017.
Meus olhos talvez se embaçassem ao vislumbrarem a imagem em preto e branco, na outra margem do rio, do meu irmão Sergio
Trecho de 'O Irmão Alemão' (2014), quinto romance de Chico. Ficcionalização da história real do meio-irmão alemão Sergio Günther, filho de Sérgio Buarque de Holanda.
País de mestiços onde o branco não tem força para organizar uma Kux-Klan, é país perdido para altos destinos
Carta de Monteiro Lobato a Arthur Neiva, 10 de abril de 1928. Trecho documental do alinhamento eugenista do autor, recorrentemente citado em estudos acadêmicos sobre o racismo na obra.
A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar
Versos de 'Roda Viva' (1967). A formulação dá título ao verbete digital da Brown University Library sobre canção de protesto brasileira. Voz ativa contra a roda que arrasta.
Cego, identificaria cada fuzil e diria de que cano partira cada um dos projécteis
Primeira frase de 'Benjamim' (1995), segundo romance de Chico. Estrutura espelha a abertura de Estorvo: o narrador diante da arma. Aqui o fuzilamento se consuma.
Excelente senhora, a patroa
Abertura do conto 'Negrinha' em 'Negrinha' (1920). Lobato pinta a senhora bem-pensante por dentro, com ironia que estabelece o tom da denúncia.
Certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida
Frase de 'Leite Derramado' (2009), quarto romance de Chico. Monólogo de Eulálio Montenegro d'Assumpção, centenário ex-aristocrata, num leito de hospital.
Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira
Primeira frase de 'Budapeste' (2003), terceiro romance de Chico. Tema central: a língua como exílio. José Costa, ghost-writer carioca, se perde no húngaro de Krista.
Progresso amigo, tu és cômodo, és delicioso, mas feio
Trecho do conto 'Os Faroleiros' em 'Urupês' (1918). Apóstrofe ao Progresso como categoria estética ambivalente, conforto e fealdade no mesmo movimento.
Cego, identificaria cada fuzil
Frase de abertura de 'Estorvo' (1991), primeiro romance de Chico. O narrador aos quarenta anos vê a vida passar diante de um pelotão de fuzilamento — a cena se revelará suspensa.
Vai passar, nessa avenida um samba popular
Verso de abertura de 'Vai Passar' (1984), parceria de Chico com Francis Hime. Composta durante a campanha das Diretas Já. Hino da redemocratização brasileira.
Os erros se escondem, fazem-se positivamente invisíveis, mas assim que o livro sai, tornam-se visibilíssimos, verdadeiros sacis a nos botar a língua em todas as páginas
Aforismo de Lobato sobre revisão editorial, registrado na Revista do Serviço Público vol. 12, ed. 4, p. 30 (1949). Comparação dos erros editoriais com sacis brincalhões.
Bico calado, muito cuidado, que o homem vem aí
Refrão de 'Passaredo' (1976), parceria de Chico com Francis Hime. Catálogo de 23 espécies de pássaros brasileiros endereçando o aviso. Composta para o filme 'A Noiva da Cidade' de Alex Viany.
Joga pedra na Geni, joga pedra na Geni
Refrão de 'Geni e o Zepelim' (1978), da peça 'Ópera do Malandro'. Releitura de 'A Ópera do Mendigo' de John Gay via Brecht. A persona Geni virou rótulo coloquial para vítima de linchamento moral coletivo.
O que será, que será, que andam suspirando pelas alcovas
Versos de 'O Que Será' (1976), composta por Chico para o filme 'Dona Flor e Seus Dois Maridos' de Bruno Barreto. Três versões coexistem: À Flor da Pele, À Flor da Terra, Abertura.
A Julio Verne todo um mundo de coisas eu devo
Reflexão de Lobato sobre a formação do leitor, em 'Lobato Letrador Anexos' (2019), p. 179. Tese sobre a ficção como porta de entrada para o estudo abstrato.
Meu caro amigo, me perdoe, por favor, se eu não lhe faço uma visita
Verso de abertura de 'Meu Caro Amigo' (1976), de Chico com Francis Hime. Endereçada ao dramaturgo Augusto Boal, exilado em Lisboa. O LP Meus Caros Amigos tira título da canção.
Desconfio de quem nunca me pediu nada
Frase atribuída a Getúlio Vargas em coletâneas e revistas populares, sem fonte primária verificável. Caso típico de atribuição por afinidade biográfica, não por documentação.
Quando você me deixou, meu bem, me disse pra ser feliz e passar bem
Versos de abertura de 'Olhos nos Olhos' (1976), gravada por Maria Bethânia no LP 'Pássaro Proibido' e por Chico em 'Meus Caros Amigos'. Monólogo em primeira pessoa feminina.
Eu adoro Emília
Confissão de Lobato sobre a personagem-boneca de pano, em fragmento reproduzido em 'Lobato Letrador Anexos' (2019), p. 264. O autor diz rir das próprias frases ao escrevê-las.
Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Versos de 'Gota d'Água' (1975), tema da peça homônima de Chico e Paulo Pontes, transposição de Medéia para o contexto suburbano carioca. Canção da personagem Joana.
Sei que estás em festa, pá, fico contente
Versos de abertura da primeira versão de 'Tanto Mar' (1975), saudação à Revolução dos Cravos. Censurada no Brasil, gravada em Portugal; segunda versão (1978) começa 'Foi bonita a festa, pá'.
A tradução literal trai e mata a obra traduzida
Defesa da tradução por sentido contra a tradução por forma, em fragmento reproduzido em 'Lobato Letrador 1º Passo' (2018), p. 45. Posição prática do escritor que traduziu Wells, Kipling, Hemingway.
Como beber dessa bebida amarga, tragar a dor, engolir a labuta
Versos de 'Cálice' (1973), de Chico e Gilberto Gil. Detalhamento somático do refrão: o que está dentro do cálice é a vida cotidiana sob a ditadura.
Pai, afasta de mim esse cálice
Refrão de 'Cálice' (1973), composta com Gilberto Gil. Vetada pela censura em maio de 1973 e só gravada em 1978. Trocadilho central entre 'cálice' e 'cale-se'.
Os gramáticos não são donos da língua, e esta não é uma criação lógica
Aforismo de Lobato reproduzido em 'Lobato Letrador 1º Passo' (2018), p. 87. Tese sobre a língua como uso vivo contra a normatização gramatical.
Minha primeira motivação para colocar-me à esquerda se mantém até hoje: a horrenda desigualdade da sociedade brasileira
Caetano Veloso explica seu posicionamento político na introdução à edição comemorativa de *Verdade Tropical* (2017), no contexto do impeachment de Dilma Rousseff.
A constituição é como as virgens. Foi feita para ser violada
Frase amplamente atribuída a Getúlio Vargas em sites de citações e em coletâneas populares, sem fonte primária localizável. Caso de provável misatribuição.
Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Refrão de 'Tatuagem' (1972), parceria com Ruy Guerra para a peça 'Calabar: o Elogio da Traição'. A peça foi vetada pela censura em 1973 e só estreou em 1980.
