Citações
Frases atribuídas, com pesquisa de autoria e contexto.
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A negritude na minha família apareceu comigo, praticamente
Fala de Gilberto Gil ao Roda Viva (1996) sobre o projeto de branqueamento da própria família e a sua afirmação tardia da identidade negra.
Quem diz uma coisa com dez palavras é porque não pode dizer com cinco
Aforismo de Gilberto Gil sobre concisão verbal, registrado em entrevista à revista *ISTOÉ Gente* em dezembro de 2004, durante seu período de Ministro da Cultura.
Sou um ministro hacker. Um cantor hacker
Resposta de Gilberto Gil em junho de 2008 sobre a alcunha 'ministro hacker' que o sociólogo Sérgio Amadeu lhe atribuiu durante a gestão no MinC.
O acesso à cultura é um direito básico de cidadania, assim como o direito à educação, à saúde
Equiparação que Gilberto Gil fez no discurso de posse no Ministério da Cultura (2003), inscrevendo cultura no rol dos direitos sociais constitucionais.
Não cabe ao Estado fazer cultura, mas, sim, criar condições de acesso universal aos bens simbólicos
Frase central do discurso de posse de Gilberto Gil como Ministro da Cultura, em 2 de janeiro de 2003, definindo o papel do Estado em política cultural.
Alô, alô, seu Chacrinha, velho guerreiro / Alô, alô, Terezinha, Rio de Janeiro
Saudações de 'Aquele Abraço' (1969) que entronizam o apresentador Chacrinha como referência tropicalista contra a TV brasileira bem-comportada.
Aqui é o fim do mundo
Refrão de 'Marginália II' (1968), parceria de Gilberto Gil com Torquato Neto no álbum tropicalista *Gilberto Gil* gravado com Os Mutantes.
A refavela revela o salto / que o preto pobre tenta dar / quando se arranca do seu barraco / prum bloco do BNH
Versos de 'Refavela' (1977), em que Gilberto Gil nomeia o reassentamento das favelas em conjuntos habitacionais como salto incompleto do preto pobre.
Abacateiro, acataremos teu ato
Verso da faixa 'Refazenda' (1975), em que Gilberto Gil recompõe o universo agrícola e cosmológico do Recôncavo baiano após o exílio.
O rei da brincadeira, ê José / O rei da confusão, ê João
Versos de abertura de 'Domingo no Parque' (1967, com Os Mutantes), peça inaugural do Tropicalismo apresentada no III Festival da Record.
O amor da gente é como um grão / Uma semente de ilusão / Tem que morrer pra germinar
Versos centrais de 'Drão' (1982, álbum *Um Banda Um*), em que Gilberto Gil despede-se da ex-mulher Sandra Gadelha pela imagem agrícola da semente.
Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá
Refrão de 'Andar com Fé' (1982, álbum *Um Banda Um*), em que Gilberto Gil distribui a fé por objetos profanos e adota oralidade nordestina como decisão de língua.
O Rio de Janeiro continua lindo / O Rio de Janeiro continua sendo
Versos de abertura de 'Aquele Abraço' (1969), samba que Gilberto Gil compôs como despedida do Brasil às vésperas do exílio em Londres.
A música é o silêncio que existe entre as notas: formulação migrante, atribuição duvidosa a Jobim
Aforismo sobre música amplamente atribuído a Tom Jobim em portais de citações brasileiros. Variantes da mesma fórmula são atribuídas a Mozart, Debussy, Miles Davis e Claude Debussy em fontes internacionais. Não há fonte primária de Jobim que confirme a frase.
O Brasil não é para principiantes — atribuição não documentada por fonte primária
Frase amplamente atribuída a Tom Jobim. A versão mais difundida diz ter sido pronunciada ao fotógrafo americano David Drew Zingg c. 1961, mas não há registro primário (gravação, entrevista publicada, escrito de Jobim) que confirme a frase ipsis litteris.
A música brasileira, que ia muito bem, de repente acabou
Declaração de Tom Jobim à BBC em junho de 1986, em entrevista sobre o impacto da ditadura militar (1964-1985) na produção cultural brasileira. Diagnóstico retrospectivo, no primeiro ano após a redemocratização.
Eu vivo no mato. Eu vivo dentro da floresta da Tijuca
Resposta de Tom Jobim no Roda Viva (20 de dezembro de 1993) sobre sua vida cotidiana e seus interesses ecológicos. A frase situa o compositor da Garota de Ipanema como morador de mata, não de orla.
O Rio que eu conheci não existe mais
Resposta de Tom Jobim no Roda Viva (20 de dezembro de 1993) sobre as transformações da cidade que aparece em sua obra. Diagnóstico sem nostalgia performática: a cidade-musa é descrita como objeto perdido.
Esclareci que eu não era comunista, era pianista
Resposta de Tom Jobim no Roda Viva (20 de dezembro de 1993) sobre uma detenção política durante a Era Vargas. Recurso humorístico para lidar com episódio de repressão sem dramatização.
Se eu tivesse nascido na Hungria, certamente faria música húngara
Resposta de Tom Jobim no programa Roda Viva (TV Cultura, 20 de dezembro de 1993) sobre por que faz música brasileira. Formulação que descarta tanto o nacionalismo programático quanto o internacionalismo descontextualizado.
Corcovado: música e letra de Tom Jobim, gravada por João Gilberto em 1960
Composta por Tom Jobim em 1960 (música e letra), gravada por João Gilberto no álbum O Amor, o Sorriso e a Flor (1960). Letra inglesa posterior de Gene Lees como 'Quiet Nights of Quiet Stars'.
Minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro
Verso de abertura de 'Samba do Avião' (1962), música e letra de Tom Jobim, escrita para o filme italiano Copacabana Palace. Estreada no Au Bon Gourmet em agosto de 1962, primeira gravação por Elza Laranjeira em outubro do mesmo ano.
'Uma criança que lê será um adulto que pensa' — não é frase atribuível a Monteiro Lobato
Aforismo motivacional sobre leitura, sem fonte primária identificada na obra de Lobato, atribuído indiscriminadamente também a Victor Hugo, Cervantes e outros autores. Apócrifo de origem incerta.
Desafinado — bossa nova como réplica aos críticos
Composta por Tom Jobim e Newton Mendonça, gravada por João Gilberto em novembro de 1958, lançada em fevereiro de 1959 no álbum Chega de Saudade. Replica diretamente à acusação de que bossa nova era 'música para cantores desafinados'.
'O Brasil é um imenso hospital' — não é frase de Monteiro Lobato
A frase é de Miguel Pereira, médico, professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em discurso de 11 de outubro de 1916. Confunde-se com Lobato pela proximidade temática com a campanha sanitarista que ele divulgou.
Chega de Saudade — marco inaugural da bossa nova
Composta em 1956 por Jobim e Vinicius, gravada por Elizeth Cardoso (abril 1958) e por João Gilberto (julho 1958, lançada em agosto). A sessão de Gilberto é considerada o marco inicial da bossa nova.
'O petróleo é nosso' — não é frase de Monteiro Lobato
O slogan da campanha nacionalista do petróleo é frequentemente atribuído a Lobato, mas foi cunhado por Otacílio Raínho em 1948 e popularizado pelo movimento nacionalista que culminou na criação da Petrobras (1953).
Rua, espada nua / Boia no céu imensa e amarela
Versos de abertura de 'Luiza' (1981), música e letra de Tom Jobim, composta para a abertura da telenovela Brilhante (Globo, 1981) e regravada no álbum Passarim (1987).
Quem morre pelo seu país vive eternamente
Frase atribuída a Monteiro Lobato em compilação de aforismos políticos brasileiros (Buchsbaum, 2006). Atribuição secundária; a fonte primária não é localizável na obra do autor.
Tristeza não tem fim, felicidade sim
Verso de abertura de 'A Felicidade' (1958), música de Jobim e letra de Vinicius de Moraes para o filme Orfeu Negro de Marcel Camus, vencedor da Palma de Ouro em Cannes 1959 e do Oscar de filme estrangeiro em 1960.
O Homem que Calculava já me encantou duas vezes
Carta de Monteiro Lobato a Malba Tahan, São Paulo, 14 de janeiro de 1939. Elogio de um clássico da literatura matemática brasileira por outro clássico da literatura infantojuvenil.
Vou voltar, sei que ainda vou voltar
Verso de 'Sabiá' (1968), música de Jobim e letra de Chico Buarque. Vencedora do III FIC no Maracanãzinho em 29 de setembro de 1968 sob a maior vaia já registrada em festivais brasileiros, no contexto direto do AI-5.
Não há livros, Rangel! Nós precisamos entupir este país com uma chuva de livros
Carta a Godofredo Rangel, Caçapava, 16 de janeiro de 1915. Manifesto editorial precoce de Lobato, três anos antes da publicação de 'Urupês' e dez antes da fundação da Companhia Editora Nacional.
Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça
Verso de abertura de 'Garota de Ipanema' (1962), música de Jobim e letra de Vinicius de Moraes. Composta no piano da Rua Barão da Torre e em Petrópolis; primeira gravação por Pery Ribeiro em 1962, consagração internacional no álbum Getz/Gilberto (1964).
Ao terminar a leitura, o leitor corre à janela para ver se ainda há céu no mundo
Carta de Lobato a Godofredo Rangel, escrita em Areias, 1907, reproduzida em 'Lobato Letrador 1º Passo' (2018), p. 18. Definição precoce do efeito de leitura como interrupção do ar habitual.
É pau, é pedra, é o fim do caminho
Verso de abertura de 'Águas de Março' (1972), composta em março de 1972 no sítio Poço Fundo (RJ). Letra-inventário em fluxo, lançada no compacto Disco de Bolso e fixada no álbum Matita Perê (1973).
Ando com ideias dumas coisas Wells
Carta a Godofredo Rangel, Taubaté, 17 de dezembro de 1905. Lobato com 23 anos projeta-se como 'H. G. Wells de Taubaté' e antecipa o programa de ficção científica que executaria duas décadas depois.
Tudo vem dos sonhos. Primeiro sonhamos, depois fazemos
Aforismo de 'América' (1929), p. 111. Sequência operativa entre projeção mental e construção material, formulada a partir da observação dos Estados Unidos.
Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca de carvão pelo mastro de São Pedro acima
Trecho de 'Caçadas de Pedrinho' (1933), motivo do mandado de segurança do Instituto de Advocacia Racial discutido pelo CNE entre 2010 e 2014. Documento de linguagem racializadora num livro escolar canônico.
Essa gente
'Essa Gente' (2019), sexto romance de Chico. Narrador é escritor em crise no Rio que se desfaz; texto monta diário, cartas, recortes de jornal sobre a paisagem brasileira de 2017.
