Citações
Frases atribuídas, com pesquisa de autoria e contexto.
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Everything harmonizes with me, which is harmonious to thee, O Universe
Das Meditações XII, 30. Reformulação no Livro final da fórmula de IV, 23: o sábio identifica seu próprio bem com a oportunidade do todo.
Don't live as though you were going to live a myriad years; while you have life, while you may, become good
Das Meditações IV, 17 (cf. IV, 14 em Long). Mortalidade como pressão para virtude no instante: não se postula uma vida longa, postula-se a brevidade.
Do not think that what is hard for you to master is humanly impossible
Das Meditações VI, 19. A confusão entre 'difícil para mim' e 'impossível ao homem' é falácia recorrente — sintoma de auto-isenção.
Constantly regard the universe as one living being, having one substance and one soul
Das Meditações IV, 40. Cosmologia estoica condensada: o universo como organismo único, animado, do qual cada ser é parte funcional.
Be not disturbed about the future, for if ever you come to it, you will have the same reason for your guide
Das Meditações VII, 8 (Long). A razão que basta para o presente bastará para o futuro — argumento contra a antecipação ansiosa.
At dawn of day, when you dislike being called, have this thought ready: I am called to man's labour
Das Meditações V, 1 (Farquharson). Diálogo matinal com a preguiça: a comparação com formigas, abelhas e aranhas como argumento contra ficar na cama.
All that is harmony for you, my Universe, is in harmony with me as well
Das Meditações IV, 23. Fórmula da concordância cósmica: o que é oportuno para o universo é oportuno para o sábio que se reconhece parte dele.
A wrongdoer is often a man who has left something undone, not always one who has done something
Das Meditações IX, 5. A omissão pode ser injustiça tanto quanto o ato — definição ampliada de delito moral.
Viver é ser outro
Do Livro do Desassossego (Bernardo Soares), fragmento aproximado de 299 no Arquivo Pessoa. Sentir hoje o mesmo que ontem é apenas lembrar, não sentir.
Un monde qu'on peut expliquer même avec de mauvaises raisons est un monde familier. Mais au contraire, dans un univers soudain privé d'illusions et de lumières, l'homme se sent un étranger
De Le Mythe de Sisyphe (1942), L'Absurde et le suicide. A perda das ilusões cosmológicas como condição psicológica do estrangeiro moderno.
Tudo vale a pena se a alma não é pequena
De Mensagem (1934), Mar Português, segunda estrofe. Único livro de poesia que Pessoa publicou em vida, premiado pelo SPN salazarista.
Tudo quanto penso, tudo quanto sou, é um deserto imenso onde nem eu estou
Poema do ortônimo Pessoa, datado 11 mar 1935 (oito meses antes da morte). Recolhido em Poesias Inéditas (Ática); Arquivo Pessoa 354.
Si parfois nous semblions préférer la justice à notre patrie, c'est que nous voulions seulement aimer notre pays dans la justice, comme nous voulions l'aimer dans la vérité et dans l'espoir
De Lettres à un ami allemand, quarta carta (julho 1944). Articulação entre amor à pátria e três condições inegociáveis: justiça, verdade, esperança.
Should I kill myself, or have a cup of coffee?
Frase atribuída a Camus em compilações modernas (Barry Schwartz, The Paradox of Choice, 2004) sem fonte. Não localizada em nenhum texto do filósofo.
Sentir tudo de todas as maneiras
De Passagem das Horas, Álvaro de Campos (póstumo). Manifesto sensacionista da fase futurista-whitmaniana do heterônimo.
Sê plural como o universo!
Apontamento solto do ortônimo Pessoa, recolhido em Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação (Ática, 1966). NÃO pertence ao Livro do Desassossego.
Sa tâche est peut-être plus grande. Elle consiste à empêcher que le monde se défasse
Discurso do Banquete Nobel (Estocolmo, 10 dez 1957). Sobre a geração pós-guerra: não vai refazer o mundo, sua tarefa é impedir que ele se desfaça.
Qu'est-ce qu'un homme révolté? Un homme qui dit non. Mais s'il refuse, il ne renonce pas: c'est aussi un homme qui dit oui, dès son premier mouvement
Abertura de L'Homme révolté (1951). O homem revoltado é quem diz não — mas o não é também um sim, afirmação simultânea ao recuso.
Pour que je me sente moins seul, il me restait à souhaiter qu'il y ait beaucoup de spectateurs le jour de mon exécution et qu'ils m'accueillent avec des cris de haine
Última frase de L'Étranger (1942). Para se sentir menos só, Meursault deseja gritos de ódio na própria execução.
Pour guérir d'une vanité, il faut soigner une douleur
Dos Carnets II (1942-1951). Para curar uma vaidade, é preciso tratar uma dor — diagnóstico psicológico no diário.
Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes
Ode de Ricardo Reis, datada 14 fev 1933 (Arquivo Pessoa 503). Estoicismo neoclássico do heterônimo horaciano de Pessoa.
Par définition, il ne peut se mettre aujourd'hui au service de ceux qui font l'histoire: il est au service de ceux qui la subissent
Discurso do Nobel (1957). Camus define o papel do escritor: a serviço de quem sofre a história, não de quem a faz.
O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem
Frase atribuída em redes sociais a Pessoa, Fernando Sabino e Baudelaire. Autor real: Maria Júlia Paes da Silva, professora de enfermagem da USP, em livro acadêmico.
O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente
Quadra inicial de Autopsicografia, ortônimo Pessoa (1 abr 1931, pub. Presença 1932). Definição programática da heteronímia tratada como teoria poética.
O mito é o nada que é tudo
De Ulisses, primeiro poema de Mensagem (1934). Definição do mito como nada que sustenta tudo, na fundação mítica de Lisboa.
O essencial é saber ver, saber ver sem estar a pensar
Do poema XXIV de O Guardador de Rebanhos, Alberto Caeiro (Athena nº 4, jan 1925). Programa pedagógico do heterônimo: ver é tarefa, separada do pensar.
Nous ne pouvons rien affirmer qui ne soit aussitôt démenti par celui qui le contredit
De La Chute (1956). Clamence sobre a impossibilidade da inocência: qualquer afirmação encontra negador imediato.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, eu era feliz e ninguém estava morto
Abertura de Aniversário, Álvaro de Campos (15 out 1929). Face nostálgica de Campos, contraposta à exuberância de Ode Triunfal e Ode Marítima.
Navegar é preciso; viver não é preciso
Pessoa cita explicitamente como frase dos navegadores antigos. A formulação latina (Navigare necesse) é atribuída por Plutarco a Pompeu, séc. I a.C.
Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo
Abertura de Tabacaria, Álvaro de Campos (15 jan 1928, pub. Presença 1933). Sequência da escalada niilista do heterônimo modernista de Pessoa.
Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem achei
Do Cancioneiro (ortônimo Pessoa, 1930). Atenção: circula frequentemente atribuída a Ricardo Reis — o poema-base é do ortônimo, não do heterônimo.
Minha pátria é a língua portuguesa
Do Livro do Desassossego (Bernardo Soares), fragmento 259 (ed. Coelho 1982). Trecho originalmente publicado em vida na revista Descobrimento (1931).
Mais qu'est-ce que ça veut dire, la peste? C'est la vie, et voilà tout
De La Peste (1947), fala de Tarrou. A peste é a vida — não metáfora, condição estrutural da existência humana.
Les hommes meurent et ils ne sont pas heureux
De Caligula (1944), ato I, cena 4. A constatação minimalista de Calígula que dispara a lógica absurda do resto da peça.
Le mal qui est dans le monde vient presque toujours de l'ignorance, et la bonne volonté peut faire autant de dégâts que la méchanceté, si elle n'est pas éclairée
De La Peste (1947). Tarrou a Rieux: o mal vem quase sempre da ignorância, e a boa vontade não esclarecida pode causar tanto estrago quanto a maldade.
La vraie générosité envers l'avenir consiste à tout donner au présent
De L'Homme révolté (1951), seção La pensée de midi. Generosidade com o futuro é dar tudo ao presente: contra o sacrifício do agora.
La lutte elle-même vers les sommets suffit à remplir un cœur d'homme. Il faut imaginer Sisyphe heureux
Última frase de Le Mythe de Sisyphe (1942). É preciso imaginar Sísifo feliz: a aceitação consciente do absurdo como vitória.
Je voudrais pouvoir aimer mon pays tout en aimant la justice
De Lettres à un ami allemand, primeira carta (julho 1943). Camus tenta articular patriotismo e justiça em meio à ocupação nazista.
Je me révolte, donc nous sommes
De L'Homme révolté (1951), introdução. O cogito da revolta como substituto comunitário do cogito cartesiano: a revolta funda o nós, não o eu.
Je m'ouvrais pour la première fois à la tendre indifférence du monde
Última cena de L'Étranger (1942). Meursault na cela, depois da explosão contra o capelão, abre-se à indiferença benigna do universo.
