Citações
Frases atribuídas, com pesquisa de autoria e contexto.
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All truth passes through three stages: first, ridiculed; second, opposed; third, self-evident — atribuição falsa a Schopenhauer
Frase amplamente atribuída a Schopenhauer mas inexistente em sua obra; primeira aparição em 1913. Misatribuição documentada por Quote Investigator.
Vita brevis, ars longa
Frase atribuída a Sêneca em coletâneas modernas. A origem é Hipócrates, Aforismos I.1. A versão latina aparece em Sêneca, De brevitate vitae 1.1, mas como tradução, não como autoria.
Tamdiu discendum est, quemadmodum vivas, quamdiu vivas
Da Epistula 76 a Lucílio. Deve-se aprender a viver enquanto se vive — argumento de Sêneca aos sessenta para defender estudo na velhice.
Recede in te ipse quantum potes
Da Epistula 7.8 a Lucílio. Recolhe-te em ti mesmo o quanto puderes — instrução estoica sobre fugir das massas e cuidar do interior.
Plura sunt quae nos terrent quam quae premunt, et saepius opinione quam re laboramus
Da Epistula 13.4 a Lucílio. São mais as coisas que nos assustam que as que nos esmagam, e sofremos mais por imaginação que por realidade.
Optimum est pati quod emendare non possis
Da Epistula 107 a Lucílio. O melhor é suportar o que não se pode corrigir — formulação estoica do amor fati.
Omnis ars naturae imitatio est
Da Epistula 65.3 a Lucílio. Toda arte é imitação da natureza — fórmula latina que ecoa Aristóteles e atravessa a estética ocidental.
Omnia, Lucili, aliena sunt, tempus tantum nostrum est
Da Epistula 1.3 a Lucílio. Tudo o mais nos é estrangeiro, só o tempo é nosso — e mesmo desse o uso é precário. Carta de abertura da coletânea.
Nusquam est qui ubique est
Da Epistula 2.2 a Lucílio. Quem está em todo lugar não está em lugar nenhum — argumento contra a dispersão da leitura e da atenção.
Non vivere bonum est, sed bene vivere
Da Epistula 70.4 a Lucílio. Não é viver que é bom, é viver bem — argumento estoico sobre suicídio racional contra prolongamento sem sentido.
Non vitae sed scholae discimus
Da Epistula 106.12 a Lucílio. Aprendemos para a escola, não para a vida — crítica de Sêneca à filosofia escolar inutilmente erudita.
Non scholae sed vitae discimus
Frase atribuída a Sêneca em escolas e diplomas. Inversão do que ele de fato escreveu na Epistula 106.12 — onde criticava que se aprende para a escola e não para a vida.
Non qui parum habet, sed qui plus cupit, pauper est
Da Epistula 2.6 a Lucílio. Pobre não é quem tem pouco, é quem deseja mais — citação de Epicuro recolhida por Sêneca.
Non exiguum temporis habemus, sed multum perdidimus
Do De brevitate vitae 1.4. Não temos pouco tempo, perdemos muito — abertura do tratado mais lido de Sêneca.
Non est ad astra mollis e terris via
Do Hercules Furens, verso 437. Não há caminho mole da terra às estrelas — verso de Sêneca trágico que circula como divisa heróica.
Nemo liber est qui corpori servit
Da Epistula 92.33 a Lucílio. Ninguém é livre quem serve ao corpo — argumento estoico sobre liberdade interior contra apetite somático.
Marcet sine adversario virtus
Do De providentia 2.4. Sem adversário a virtude murcha — argumento estoico clássico de que a adversidade é matéria-prima da têmpera.
Luck is what happens when preparation meets opportunity
Frase comumente atribuída a Sêneca. Não localizada em sua obra. Versões circulam desde 1912 (Youth's Companion); difusão moderna por Elmer Letterman e Darrell Royal. Atribuição a Sêneca aparece só em 1999.
Ira... brevis insania est
Do De ira I.1.2. A ira é uma breve loucura — diagnóstico estoico que abre o tratado em três livros sobre a cólera.
Ignoranti quem portum petat nullus suus ventus est
Da Epistula 71.3 a Lucílio. Para quem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento é favorável — argumento estoico sobre intencionalidade.
Errare humanum est, perseverare diabolicum
Frase frequentemente atribuída a Sêneca. Não atestada em sua obra. A formulação clássica é de Cícero (Philippicae XII.5); a expansão é cristã tardia.
Dum differtur vita transcurritur
Da Epistula 1.2 a Lucílio. Enquanto se adia, a vida passa. Argumento estoico clássico contra a procrastinação como modo de vida.
Curae leves locuntur, ingentes stupent
Da Phaedra, verso 607. Cuidados leves falam, os imensos emudecem — verso da peça de Sêneca sobre a impossibilidade de dizer a dor extrema.
Cui prodest scelus, is fecit
Da Medeia, versos 500-501. Quem se beneficia do crime, foi quem o cometeu — princípio jurídico romano em verso de Sêneca.
Atqui vivere, Lucili, militare est
Da Epistula 96.5 a Lucílio. Viver, Lucílio, é fazer guerra — formulação estoica da vida como serviço militar permanente.
Animum debes mutare, non caelum
Da Epistula 28.1 a Lucílio. Deves mudar a alma, não o céu — crítica estoica à viagem como cura para o desconforto interior.
'Servi sunt.' Immo homines
Da Epistula 47.1 a Lucílio. 'São escravos.' Não, são homens — defesa estoica da humanidade comum entre senhor e escravo.
Tout le monde se plaint de sa mémoire, et personne ne se plaint de son jugement
Maxime 89. Diagnóstico clássico da assimetria da autoavaliação: aceitamos esquecer, mas não admitimos julgar mal.
Si nous résistons à nos passions, c'est plus par leur faiblesse que par notre force
Maxime 122. Quando aparentemente vencemos uma paixão, é menos por força moral nossa do que por debilidade da própria paixão.
Rien n'empêche tant d'être naturel que l'envie de le paraître
Maxime 431. A naturalidade é destruída pela vontade de aparentá-la — quanto mais se quer parecer natural, mais se afasta.
Pour s'établir dans le monde, on fait tout ce que l'on peut pour y paraître établi
Maxime 56. Diagnóstico do circuito performativo do sucesso social: a aparência de já tê-lo é instrumento para obtê-lo.
On ne donne rien si libéralement que ses conseils
Maxime 110. Comentário irônico sobre a generosidade barata: dar conselhos é a única doação que não custa nada ao doador.
On n'est jamais si heureux ni si malheureux qu'on s'imagine
Maxime 49. A imaginação amplifica simetricamente felicidade e infelicidade, e o estado real do sujeito fica entre as duas projeções.
On aime mieux dire du mal de soi-même que de n'en point parler
Maxime 138. A vaidade é tão imperiosa que prefere a má fala sobre si à ausência de fala — qualquer atenção vale mais que silêncio.
Nous promettons selon nos espérances, et nous tenons selon nos craintes
Maxime 38. Diagnóstico da assimetria entre promessa e cumprimento: o que nos move a prometer não é o que nos move a cumprir.
Nous pardonnons souvent à ceux qui nous ennuient, mais nous ne pouvons pardonner à ceux que nous ennuyons
Maxime 304. Inversão da economia do perdão: aborrecer é tolerável, ser percebido como aborrecido é insuportável para o amour-propre.
Nous ne trouvons guère de gens de bon sens, que ceux qui sont de notre avis
Maxime 347. O critério prático que cada um aplica para julgar o bom senso alheio é a coincidência com o próprio juízo.
Nous n'avouons de petits défauts que pour persuader que nous n'en avons pas de grands
Maxime 327. A confissão de defeitos pequenos opera como técnica de ocultação: comprova-se honesto em escala segura para deslegitimar a suspeita maior.
Nous avons tous assez de force pour supporter les maux d'autrui
Maxime 19. Ironia sobre a economia da compaixão: a dor alheia é sempre suportável quando não nos atinge.
Nous aimons toujours ceux qui nous admirent; et nous n'aimons pas toujours ceux que nous admirons
Maxime 294. Assimetria afetiva: a admiração recebida produz afeto seguro, a admiração dada nem sempre.
