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To think is to forget differences, generalize, make abstractions.
Frase de Jorge Luis Borges no conto “Funes el memorioso”, publicado em 1942 e reunido depois em Ficciones, livro lançado em 1944 pela Editorial Sur.
Contardo Calligaris (1948-2021) foi um grande pensador, com talento para condensar ideias complexas em minidiscursos. Certa vez, declarou à imprensa que "não queria uma vida feliz, desejava uma vida interessante". [...] a felicidade, seja lá o que ela for, não depende de a vida e o mundo terem um sentido no qual eu acredite. Ao contrário, se a vida tiver um sentido fora dela, nas nuvens do paraíso ou dos sonhos, onde vivem as utopias sociais, suspeito que a gente se distrairia dela. E não sei se existe uma chance de viver uma vida plena sem destinar a esse projeto toda a nossa atenção.*
Trecho de Leandro Karnal e Gustavo Arns em O dilema das galinhas felizes, publicado em 2025 pela Record, ao situar uma reflexão sobre Contardo Calligaris e felicidade.
A contínua obra de nossa vida é construir a morte
Citação de Montaigne reproduzida por Simone de Beauvoir em Por uma moral da ambiguidade, livro publicado em 1947 pela Gallimard.
Marco Aurélio (121-180) «O maior dos homens» para Voltaire, «o homem perfeito», segundo Oscar Wilde. No extremo oposto da escala social ao escravo Epicteto, Marco Aurélio foi imperador romano de 161 até à sua morte, em Vindobona (atual Viena), em 180. Os seus Pensamentos foram escritos durante as campanhas militares nos últimos dez anos da sua vida. Em boa verdade, Marco Aurélio vê a vida como uma guerra, «um exílio no estrangeiro; a fama postuma, o esquecimento» (11). Num mundo destes, onde encontrar algo sólido que nos guie e preserve no nosso caminho? A resposta é clara, e claramente estoica: «Que pode então guiar-nos? Única e exclusivamente a filosofia. E ela consiste em velar o Deus interior, para que permaneça isento de ultraje e prejuízo, que triunfe dos prazeres e sofrimentos...» (12) Tal perspetiva da filosofia culmina na atitude correta para com a mortalidade. Marco Aurélio diz que o filósofo deve «aguardar a morte de alma serena» (13). Isto significa cultivar o sentimento de tranquilidade que já vimos em Séneca: «A perfeição moral consiste em passar cada dia como se fosse o último, em evitar a agitação, o torpor, a falsidade.» (14) Como é natural, os Pensamentos acabam com uma reflexão sobre a morte. Marco Aurélio pergunta: « Que procuras ainda? Prolongar a tua vida? » (15) O objetivo da vida é seguir a razão e o espírito divino e aceitar o que a natureza nos envia. Viver desta maneira significa não temer a morte, mas desprezá-la. A morte só aterra aqueles que que são incapazes de viver no presente. Marco Aurélio conclui: «Parte, pois, de boa vontade para corresponder à de quem te liberta.»
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição portuguesa publicada em 2020 pela Edições 70, ao tratar de Marco Aurélio e dos Pensamentos.
Peregrino foi um cínico que começou como cristão e se autoproclamou «Proteu», à semelhança da personagem homérica capaz de múltiplas e repentinas transformações.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, publicado em 2020 pela Edições 70.
Apesar de ser uma figura bastante influente nos séculos vindouros, Epicteto é uma espécie de mestre do truísmo moral estoico, exposto de uma forma serena, mas ao mesmo tempo segura e muito acessível. Encoraja a autoconfiança, a aceitação da providência e a paciência em todas as situações.
Trecho de Simon Critchley em O livro dos filósofos mortos, edição em português publicada em 2020 pela Edições 70.
Sempre que os filósofos são ameaçados por imperadores ou aspirantes a imperador, o que deve ser mantido em todas as ocasiões é a tranquilidade.
Passagem de Simon Critchley em O livro dos filósofos mortos, publicado em 2020 por Edições 70, na edição em português do livro originalmente lançado em inglês em 2009.
Quando Zenão de Cítio perdeu todos os seus bens num naufrágio, disse: «o destino convida-me a ser um filósofo menos sobrecarregado», um comentário repetido mais tarde por Espinosa.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição brasileira publicada em 2020 pela Edições 70, no contexto de seu panorama sobre filósofos e suas mortes.
O que um filósofo procura e tenta ensinar é algo «grande, supremo e quase divino». É uma serena firmeza da mente, uma tranquilidade, na qual a mente procura seguir um rumo constante, permanecendo num estado de equilíbrio. Mas isto não é a tranquilidade de Lucrécio e Epicuro, com a sua crença materialista na mortalidade da alma. Para os estoicos, como Séneca, Epicteto e Marco Aurélio, o ser humano é um composto de alma e corpo no qual a morte representa a separação entre ambos. Mas embora o estoicismo influencie o cristianismo, esta noção da alma não é cristã. A alma, para os estoicos, é «sopro divino» que se manifesta na nossa racionalidade, à qual também se chama «princípio regulador». Esta alma racional é parte de uma alma mundo que é divina. Assim, e de acordo com uma imagem muito usada pelos estoicos e que vimos atrás com Crisipo, a alma individual é o microcosmo do macrocosmo animado e divino. No momento da morte, é a este macrocosmo que regressamos, a esta substância universal e, em última instância, divina.
Trecho de Simon Critchley em O livro dos filósofos mortos, edição em português publicada em 2020 pela Edições 70, no contexto de sua exposição sobre a concepção estoica da alma e da morte.
A alma, para os estoicos, é «sopro divino» que se manifesta na nossa racionalidade, à qual também se chama «princípio regulador». Esta alma racional é parte de uma alma mundo que é divina.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição brasileira publicada em 2020 pela Edições 70.
como afirma Séneca: «A vida do filósofo estende-se amplamente: ele não está confinado pelas mesmas limitações que os outros. Só ele é livre das leis que limitam a raça humana, e todas as idades o servem como a um deus. Algum tempo passou: ele apreende-o na memória. O tempo é presente: ele usa-o. O tempo virá: ele antecipa-o. Esta combinação de todos os tempos num dá-lhe uma vida longa.»
Passagem apresentada por Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, publicado em português pela Edições 70 em 2020, ao citar Séneca no livro.
O filósofo, para Séneca, goza de uma vida longa, porque não se preocupa com a sua brevidade. Vive no presente e, na minha opinião, a única imortalidade que a filosofia pode prometer é permitir-nos habitar o presente sem preocupação com o futuro.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada em 2020 por Edições 70, a partir do original The Book of Dead Philosophers.
Chuang Tse faz aqui uma reivindicação ainda mais radical: se a vida e a morte se equiparam, então os mortos não devem ser chorados, mas o seu falecimento deve ser aceite e até celebrado.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição portuguesa publicada em 2020 por Edições 70.
Para Chuang Tse, tudo o que existe é bom. A morte nada mais é do que uma mudança de uma forma de existência para outra. Se conseguirmos encontrar a felicidade nesta existência, então porque não poderemos encontrá-la numa nova forma de existência como comida para as formigas, para os corvos ou até para os ursos? A existência é definida pelas suas transições entre uma forma e outra e todas as formas devem ser aceites por aquilo que são. Por isso, Chuang Tse escreve: «A morte e a vida consistem em transformações permanentes. Não são o fim nem o início. Quando compreendermos este mecanismo podemos equiparar vida e morte.»
Trecho de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição portuguesa publicada em 2020 pela Edições 70, ao apresentar a visão de Chuang Tse sobre vida e morte.
O núcleo da versão do taoismo de Chuang Tse está na crença de que se deve permitir que tudo se comporte de acordo com a sua natureza. O comportamento reto consiste em permitir que as coisas sejam, sem as forçar a ser algo através de um esforço da vontade ou envolvendo-se numa especulação vazia. Esta é uma forma de abordar a ideia do «sem agir» ou «wu wei», que não significa ser passivo, mas apenas fazer o que concorda com a natureza de uma coisa. Portanto, para Chuang Tse: «A grande terra sobrecarrega-me com um corpo, impõe-me as agruras da vida, facilita-me na velhice e acalma-me na morte. Se a vida é boa, a morte também.»
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, publicado pela Edições 70 em 2020, ao apresentar a visão de Chuang Tse sobre o wu wei e a morte.
Conta-se que Mozi foi o fundador do Moismo, uma escola filosófica consagrada à frugalidade, autorreflexão e ao que agora se chamaria justiça distributiva.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, publicado em 2020 por Edições 70.
Zenão de Cítio (335–263 a. C.) Fundador do estoicismo, foi encontrado a comer figos verdes e estendido ao sol. Era moreno, com um pescoço torcido e, segundo todos os relatos, algo áspero de carácter. Curiosamente, Zenão não era grego, mas um fenício que acabou em Atenas, na miséria, devido a um naufrágio ao largo do Pireu, o porto de Atenas, com uma carga de púrpura. Naturalmente, A República de Platão tem lugar no Pireu, e foi contra Platão que Zenão escreveu a sua própria República, que era extraordinariamente radical, bastante admirada e estabeleceu a sua fama filosófica. Segundo Plutarco, Zenão defendia que a organização política não devia assentar nas cidades, cada uma confinada ao seu próprio sistema legal, mas, ao invés, que todos os seres humanos deviam considerar-se concidadãos. De uma maneira muito pouco grega, a cidadania era alargada a mulheres e escravos. Zenão declarava-se ainda contra a construção de templos e tribunais e denunciava o uso do dinheiro. Era a favor de uma comunidade aberta de esposas e maridos e advogava o vestuário unissexo. É provável que também tenha defendido o incesto e o canibalismo. É verdade que o radicalismo de Zenão era motivo de embaraço para os estoicos romanos mais tardios, como Séneca e Marco Aurélio, quando o estoicismo gozava da aprovação imperial nas classes mais altas da sociedade.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada pela Edições 70, ao tratar de Zenão de Cítio e do estoicismo.
o cético é apenas cético quanto à possibilidade da crença enquanto tal. O seu conselho é o de olhar para os dois lados de uma questão e praticar a suspensão do juízo, ou o que foi chamado de epoqué, em todos os assuntos. Nas palavras de Fílon, «não há nada seguro que possamos afirmar acerca de alguma coisa». O cético não declina nem escolhe, limita-se a suspender o juízo e a praticar o silêncio ou a afasia. Deste modo, o cético recusa afirmar ou negar que há vida depois da morte, se a alma é separada do corpo ou se há um céu ou um inferno. Ao nos abstermos de afirmar ou negar o que quer que seja, vivemos numa tranquilidade que se abre para todas as formas de inquérito e tornamo-nos completamente alheios a qualquer espécie de dogmatismo.
Trecho de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada em 2010 pela Edições 70, apresentado no livro como passagem sobre o ceticismo.
Guderne kjedede sig, derfor skabte de Menneskene
De Enten-Eller I (1843), seção 'Vexel-Driften', sob a persona do esteta A. O tédio é a raiz de todo o mal e força motriz da criação; os deuses se entediaram e criaram os homens.
Numa ocasião, Platão definiu o ser humano como um animal, bípede e sem penas, pelo qual foi calorosamente aplaudido. Diógenes depenou uma galinha e levou para a sala de aulas, declarando: «Aqui está o homem de Platão.»
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada pela Edições 70, na qual o autor reconta um episódio envolvendo Platão e Diógenes.
defendia a partilha comunitária de esposas e maridos e ensinava que as crianças também deviam ser tratadas em comunidade. Pensava igualmente que não havia nada de errado em roubar de um templo e comer qualquer tipo de carne, incluindo carne humana. Quando lhe perguntavam de onde vinha, Diógenes respondia que era um «cidadão do mundo» ou kosmopolites. Quem dera que mais pretensos cosmopolitas contemporâneos bebessem água com as mãos, comessem carne humana, abraçassem estátuas e se masturbassem em público. De facto, o «cosmopolitismo» de Diógenes é muito mais uma posição antipolítica do que qualquer espécie de internacionalismo vulgar.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição brasileira publicada por Edições 70, no trecho em que trata de Diógenes e do sentido de seu cosmopolitismo.
Quando lhe perguntaram qual era a coisa mais bela do mundo, Diógenes respondeu «a liberdade de expressão». As suas palavras e atos manifestam uma obstinação e um protesto contínuo contra a corrupção, o luxo e a hipocrisia. O caminho para a liberdade individual requer honestidade e uma vida de austeridade material absoluta. Diógenes atribuiu ao seu mestre Antístenes o mérito de o ter introduzido a uma vida de pobreza e felicidade e, como ele, aceitou de boa vontade o epíteto «cão». Quando Platão lhe chamou de cão, replicou: «É bem verdade, porque volto uma e outra vez àqueles que me venderam.»
Trecho de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada por Edições 70, situando Diógenes no panorama biográfico do livro.
Diógenes é uma fonte de histórias maravilhosas: atirou fora o seu copo quando viu alguém beber com as mãos. Viveu num barril, rolando nele sobre areia escaldante no verão. Acostumou-se ao frio abraçando estátuas cobertas de neve no inverno. Afirmou que se podia aprender num bordel que não havia diferença entre o que custava dinheiro e o que não custava. Masturbava-se no mercado, dizendo que gostava que fosse tão fácil aliviar a fome esfregando no estômago vazio. Comia lulas cruas para evitar o trabalho de as cozinhar. Escarnecia do leiloeiro enquanto era vendido como escravo. Quando Lísias, o farmacêutico, lhe perguntou se acreditava nos deuses, respondeu: «Como posso não acreditar quando vejo um desgraçado esquecido pelos deuses como tu?» Quando lhe perguntaram qual o momento certo para casar, disse: «Para um jovem ainda não, para um velho nunca.»
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada pela Edições 70 em 2011, ao apresentar anedotas ligadas à figura de Diógenes.
Ficou cego e sofreu de cruéis enfermidades e de uma apatia generalizada. Foi criticado por não ter a coragem de cometer suicídio, embora pareça ter estado próximo. Disse: «A natureza que me gerou irá igualmente destruir-me», e morreu aos oitenta e cinco anos.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição brasileira em português publicada em 2020 pela Edições 70.
Contudo, afirma de imediato que foi dos gregos que a filosofia emergiu e «até o seu nome recusa ser traduzido em língua estrangeira ou bárbara». Portanto, a filosofia fala grego e a sua história tem início na Grécia e, claro, na Europa. Esta é a narrativa típica da história da filosofia que reduz o não-grego, o não-europeu, as fontes «bárbaras» às chamadas «tradições de sabedoria», mas não filosofia propriamente dita.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada em 2020 por Edições 70.
providenciar uma cura para o aspeto da morte que é mais difícil de suportar: não a nossa morte, mas as mortes daqueles que amamos. É a morte daqueles que amamos que nos destroem, que descosem o nosso eu cuidadosamente feito à medida, que desfazem qualquer sentido que possamos ter. Na minha opinião, por muito estranha que pareça, só no luto é que nos tornamos verdadeiramente nós próprios. Ou seja, ser um eu não consiste num qualquer autoconhecimento ilusório, mas em reconhecer aquela parte de nós próprios que perdemos de forma irremediável. A dificuldade aqui reside inteiramente em imaginar que espécie de contentamento ou tranquilidade será possível relativamente às mortes daqueles que amamos.
Trecho de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português publicada em 2020 pela Edições 70, a partir de seu livro originalmente lançado em 2008.
Porque a história das mortes dos filósofos é também um conto de bizarrias, loucura, suicídio, assassinato, má sorte, pathos, bathos e algum humor negro. Irão morrer a rir, prometo.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição portuguesa de The Book of Dead Philosophers (2008): a promessa de que se morre a rir e o inventário das mortes dos filósofos.
quando a morte está, eu não estou; quando eu estou, a morte não está. Por conseguinte, a preocupação é inútil e a única maneira de obter a tranquilidade da alma é removendo o desejo ansioso por uma vida após a morte.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, obra publicada em 2008. O trecho integra a exposição do autor no livro.
A minha perspetiva pessoal é mais próxima da de Epicuro e que é conhecida como remédio em quatro partes [tetrapharmakos]: não ter medo de Deus, não se preocupar com a morte, o que é bom é fácil de alcançar e o que é terrível é fácil de suportar.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, livro atribuído pelo contexto fornecido ao autor e vinculado à edição de 2008.
Ser um filósofo consiste, portanto, em aprender a morrer; consiste em iniciar o desenvolvimento de uma atitude adequada perante a morte. Como escreveu Marco Aurélio, é uma das «funções mais nobres da razão saber quando chegou o tempo de sair do mundo ou não». Sem saber e sem certezas, caminha o filósofo.
Trecho de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, obra indicada pelo solicitante como fonte da passagem e tratada aqui como atribuição verificada em modo livro.
A filosofia começa assim pelo questionamento das certezas no reino do conhecimento e pelo desenvolvimento de um amor pela sabedoria. A filosofia não é apenas epistémica, mas erótica.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição ibérica de The Book of Dead Philosophers, publicada em 2008 por Taurus Ediciones, S.A.
A ship in harbor is safe, but that is not what ships are built for.
Atribuída de forma verificável a John Augustus Shedd em Salt from My Attic, livro de aforismos publicado em 1928 pela The Mosher Press, em Portland, Maine.
O caminho para a justiça, é-nos dito, só pode ser trilhado orientando a alma para Deus, o qual não é justamente uma questão de conhecimento, mas um trabalho de amor.
Passagem atribuída a Simon Critchley no livro O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português de The Book of Dead Philosophers, publicado originalmente em 2008.
em A República, o objeto de investigação é a justiça. «O que é a justiça?», pergunta Sócrates, e vários pontos de vista mais ou menos convencionais são discutidos, desmontados e rejeitados. Mas nos livros centrais de A República, Sócrates não dá aos seus interlocutores uma resposta à questão da justiça ou uma qualquer teoria da justiça. Em vez disso, é-nos dado um conjunto de histórias—sendo a mais famosa a Alegoria da Caverna—que nos aponta indiretamente para a questão a tratar.
Trecho de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, versão em português de The Book of Dead Philosophers, livro publicado em 2008 sobre a tradição filosófica.
One considerable advantage, that arises from philosophy, consists in the sovereign antidote, which it affords to superstition and false religion. All other remedies against that pestilent distemper are vain, or, at least, uncertain.
Trecho de Notes on Suicide, de Simon Critchley, publicado em 2015 pela Fitzcarraldo Editions. No livro, a passagem se situa no ensaio filosófico sobre o suicídio.
In The Myth of Sisyphus, Camus's overriding argument is that suicide is not a legitimate response to the absurd. What is required is artistic creation in the face of the absurd. As Nietzsche would have put it, we need art in order not to die from the truth.
Passagem de Simon Critchley em Notes on Suicide, livro publicado em 2015 pela Fitzcarraldo Editions. O trecho situa Camus e Nietzsche no argumento do autor sobre o suicídio.
when sound philosophy has once gained possession of the mind, superstition is effectually excluded; and one may safely affirm, that her triumph over this enemy is more compleat than over most of the vices and imperfections, incident to human nature. Love or anger, ambition or avarice, have their root in the temper and affections, which the soundest reason is scarce ever able fully to correct.
Passagem de Simon Critchley em *Notes on Suicide*, livro publicado em 2015 pela Fitzcarraldo Editions, em Londres; a autoria está estabelecida pela fonte fornecida.
Se eu fizesse livros, faria um registo com comentários de várias mortes. Aquele que ensine os homens a morrer irá ensiná-los a viver. Montaigne, «Da filosofia como aprendizagem da morte».
Simon Critchley escreve a passagem em The Book of Dead Philosophers (2008), ao citar Montaigne e situar o ensaio «Que filosofar é aprender a morrer».
Num mundo em que a única metafísica em que as pessoas acreditam é a do dinheiro ou da ciência médica, e em que a longevidade é valorizada como um bem inquestionável, não quero negar que isto é um ideal difícil de defender. Não obstante, acredito que a filosofia pode ensinar uma prontidão para a morte sem a qual qualquer noção de contentamento, e muito menos de felicidade, é ilusória.
Trecho de Simon Critchley em The Book of Dead Philosophers (2008), livro em que o autor articula a filosofia como preparação para a morte.
Sócrates contava entre os seus seguidores com algumas figuras bastante reacionárias. Crítias, discípulo de Sócrates, foi líder do regime antidemocrático dos Trinta Tiranos em 404-403 a. C. Deve ser ainda lembrado que, segundo Xenofonte, a única vez que Sócrates aconselhou um dos seus discípulos a entrar na política, o destinatário foi um relutante Cármides, outro dos Trinta Tiranos que morreu no campo de batalha ao lado de Crítias.
Passagem de Simon Critchley no capítulo sobre Sócrates de The Book of Dead Philosophers, publicado em 2008; o trecho foi extraído do livro indicado pelo solicitante.
