Your life has a limit but knowledge has none
Abertura do capítulo 3. Chinês: 吾生也有涯,而知也無涯。以有涯隨無涯,殆已!已而為知者,殆而已矣. Watson (1968): “Your life has a limit but knowledge has none. If you use what is limited to pursue what has no limit, you will be in danger. If you understand this and still strive for knowledge, you will be in danger for certain!” Graham (1981) traduz: “Our life flows between bounds, but knowledge has no bounds. If we use the bounded to pursue the unbounded, we shall be in danger.”
A frase encontra-se entre os passos mais citados do livro. O contexto é o capítulo dedicado a yǎngshēng 養生 (nutrição da vida), que abre com esta sentença e fecha com a parábola do cozinheiro Páodīng — a sequência opõe a busca exaustiva ao conhecimento extenso e a habilidade que vai pelo intervalo, sem desgastar o gume. A leitura ocidental que toma a passagem como “anti-intelectualismo” é parcial: o alvo técnico é a erudição enciclopedista — particularmente a Mohista —, não o saber em si.
Anne Cheng lê o trecho como manifesto da posição zhuangzista contra a pretensão de cobrir o real com discursos. Hu Shih (Outline of Chinese Philosophy, 1919) usa-o para distinguir Zhuangzi de Lao Tzu — Lao Tzu desconfia do saber em chave política, Zhuangzi em chave existencial. Borges cita a abertura num ensaio de Otras inquisiciones sobre Coleridge. A. C. Graham observa que a sentença, assim como o restante do capítulo 3, pertence ao núcleo dos Internos — alta probabilidade de autoria zhuangzista histórica.
