When an archer is shooting for nothing
Capítulo 19, Dáshēng 達生. Chinês: 以瓦注者巧,以鉤注者憚,以黃金注者殙。其巧一也,而有所矜,則重外也。凡外重者內拙. Watson (1968): “When you’re betting for tiles in an archery contest, you shoot with skill. When you’re betting for fancy belt buckles, you worry about your aim. And when you’re betting for real gold, you’re a nervous wreck. Your skill is the same in all three cases — but because one prize means more to you than another, you let outside considerations weigh on your mind. He who looks too hard at the outside gets clumsy on the inside.”
A passagem articula um tópos que Confúcio (Lúnyǔ 7.16) e os textos yǎngshēng tratavam de modo distinto: aqui o foco é o mecanismo psicológico — quanto mais investida no resultado externo, mais se deteriora a operação interna. A última cláusula, 凡外重者內拙 (“quanto mais peso fora, mais desajeito dentro”), é a fórmula. A leitura é técnica, não moralizante: o problema não é desejar o prêmio, é deixar o desejo invadir a execução.
O capítulo 19 é provavelmente da mesma camada que o cozinheiro Páodīng — coleção de parábolas dos artesãos virtuosos, com forte presença de figuras populares (carpinteiros, nadadores, fabricantes de cintos, arqueiros). Edward Slingerland (Trying Not to Try, 2014) toma o trecho como exemplo paradigmático do wú-wéi aplicado a performance — formulação que tem ressonância no debate contemporâneo sobre flow (Csíkszentmihályi). A. C. Graham nota que a sequência de parábolas do Dáshēng aprofunda o que o cap. 3 (cozinheiro) inaugurou nos Internos.
