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❝ Citação

Once Chuang Chou dreamt he was a butterfly

Encerramento do segundo capítulo, Qíwùlùn 齊物論 (“Discussão sobre tornar iguais as coisas”). Texto chinês: 昔者莊周夢為蝴蝶,栩栩然蝴蝶也,自喻適志與,不知周也。俄然覺,則蘧蘧然周也。不知周之夢為蝴蝶與,蝴蝶之夢為周與?周與蝴蝶,則必有分矣。此之謂物化。 Tradução de Burton Watson (1968): “Once Chuang Chou dreamt he was a butterfly, a butterfly flitting and fluttering around, happy with himself and doing as he pleased. He didn’t know he was Chuang Chou. (…) Now I do not know whether I was then a man dreaming I was a butterfly, or whether I am now a butterfly, dreaming I am a man.”

A passagem fecha o capítulo central dos Internos, dedicado à equivalência das perspectivas. O termo final, wùhuà 物化 (literalmente “transformação das coisas”), é o nó técnico: não é metáfora de ilusão, e sim afirmação de que distinções como “Zhou” e “borboleta” são marcas operacionais dentro de um fluxo de transformações sem fundo fixo. A questão não é qual estado é real — é o reconhecimento de que a fronteira entre eles é a única coisa que se desfaz na dúvida.

A recepção foi vasta. No budismo chan/zen, alimentou kōans sobre não-dualidade. Borges retoma a imagem em Nueva refutación del tiempo (1947) e em El sueño (El otro, el mismo, 1964). Anne Cheng (História do pensamento chinês, 1997) lê o trecho como ponto onde Zhuangzi recusa tanto a tese cética dura quanto o realismo ingênuo. Graham (Chuang-Tzu: The Inner Chapters, 1981) traduz wùhuà como “the transformation of things” e marca a passagem como assinatura do Zhuangzi histórico.