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❝ Citação

鯤之大,不知其幾千里也

Abertura do livro, capítulo 1, Xiāoyáoyóu 逍遙遊 (“Vagar livre e sem amarras”). Chinês: 北冥有魚,其名為鯤。鯤之大,不知其幾千里也。化而為鳥,其名為鵬。鵬之背,不知其幾千里也,怒而飛,其翼若垂天之雲. Watson (1968): “In the northern darkness there is a fish and his name is K’un. The K’un is so huge I don’t know how many thousand li he measures. He changes and becomes a bird whose name is P’eng. The back of the P’eng measures I don’t know how many thousand li across and, when he rises up and flies off, his wings are like clouds all over the sky.”

O Péng (鵬) sobe noventa mil no vendaval do sexto mês para migrar ao “Lago Celeste” no sul. Logo em seguida a cigarra (蜩) e a pequena rola (鳩) riem: “nós voamos com toda força até o olmo, e às vezes não chegamos nem nele — para que ir noventa mil li ao sul?”. Zhuangzi comenta: 之二蟲又何知 (“o que esses dois bichinhos podem saber?”). A oposição entre o pequeno saber e o grande saber (小知大知) é o tema técnico do capítulo.

A leitura tem duas escolas históricas. Guō Xiàng (郭象, séc. III d.C.), comentador influente, faz leitura igualitarista: cada criatura realiza seu xìng 性 (natureza) na medida própria, e a cigarra não é inferior ao Péng — ambas estão “satisfeitas em si”. A leitura “ascendente”, mais antiga, vê o Péng como figura do sábio que se desprende dos contextos pequenos. Robert Allinson (Chuang-Tzu for Spiritual Transformation, 1989) defende a leitura ascendente; Brook Ziporyn (Hackett 2009) detalha a divergência. A imagem do Péng vira tópos clássico da poesia de aspiração — Lǐ Bái (séc. VIII) usa em vários poemas de juventude.