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❝ Citação

Drumming on a tub and singing

Capítulo 18, Zhìlè 至樂 (“A felicidade suprema”). Após a morte da esposa, Zhuangzi está sentado no chão, pernas abertas, batendo num cocho de barro e cantando. Hui Shi chega para o pêsame e estranha: viver com ela, criar os filhos juntos, envelhecer — não chorar já é demais; bater no pote e cantar é excesso. Watson (1968): “When she first died, do you think I didn’t grieve like anyone else? But I looked back to her beginning and the time before she was born. Not only the time before she was born, but the time before she had a body. Not only the time before she had a body, but the time before she had a spirit. (…) Now there’s been another change and she’s dead. It’s just like the progression of the four seasons, spring, summer, fall, winter.”

A passagem é o estabelecimento mais explícito da posição zhuangzista sobre morte: não é fim, é mais uma fase de transformação (化 huà). Zhuangzi explicita o luto inicial — chorou como qualquer um — e descreve a virada como uma operação reflexiva sobre as condições anteriores ao corpo, ao sopro vital, à existência diferenciada. A conclusão técnica: 自以為不通乎命,故止也 (“Achei que se eu continuasse [chorando] estaria desconhecendo o destino — por isso parei”).

A imagem do tambor sobre o cocho gerou recepção concreta. O fasciculário etnográfico chinês registra a tradição do sàng-gǔ 喪鼓 (“tambor de luto”) em Hubei e Hunan, sobrevivente até os séc. XVIII-XIX, atribuída ao gesto de Zhuangzi. Filosoficamente, a passagem é par dos episódios de morte do capítulo 6 (Dàzōngshī, Interno) — a morte de Zǐ Sānglóu, de Zǐ Lái, do Mestre Liè — que estabelecem o tema com mais densidade ainda. A. C. Graham agrupa todas no que chama “a aceitação da transformação”.