唯道集虛。虛者,心齋也
Capítulo 4, Rénjiānshì 人間世. Yán Huí, discípulo de Confúcio, vai à corte de Wèi e pede instrução sobre como agir. Confúcio (figura instrumentalizada por Zhuangzi, fala como mestre taoísta) propõe o xīnzhāi 心齋, “jejum do coração”. Chinês: 若一志,無聽之以耳而聽之以心,無聽之以心而聽之以氣!聽止於耳,心止於符。氣也者,虛而待物者也。唯道集虛。虛者,心齋也. Watson (1968, p. 25): “Make your will one! Don’t listen with your ears, listen with your mind. No, don’t listen with your mind, but listen with your spirit (qì). Listening stops with the ears, the mind stops with recognition, but spirit is empty and waits on all things. The Way gathers in emptiness alone. Emptiness is the fasting of the mind.”
O termo xīnzhāi literalmente combina 心 (“coração-mente”) e 齋 (jejum ritual antes de oferenda). O sentido técnico é deslocamento da percepção: dos ouvidos para a mente, da mente para o qì 氣 (sopro vital). Cada nível abandona o anterior — ouvido para na sensação, mente para na conformidade entre signo e referência (符 fú), o sopro permanece vazio e disponível. Xīnzhāi prefigura o zuòwàng 坐忘 (“sentar e esquecer”) do capítulo 6, onde Yán Huí descreve como abandonou membros, sentidos, e se uniu ao “grande percurso” (大通).
Mieke Matthyssen (The “Fasting of the Heart”, 2025, Sage Journals) discute a conversão do xīnzhāi em técnica psicoterapêutica contemporânea. A. C. Graham e Harold Roth (Original Tao, 1999) leem o trecho no contexto da literatura yǎngshēng (養生) pré-Hàn — Roth defende a continuidade entre Zhuangzi e os textos de cultivo interno do Guǎnzǐ (capítulos Nèiyè 內業, Xīnshù 心術). O xīnzhāi aparece também no Zhúlín Qī Xián (Sete Sábios do Bambuzal, séc. III d.C.) como referência do retraimento ascético.
