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至人無己,神人無功,聖人無名

Capítulo 1, Xiāoyáoyóu 逍遙遊. Chinês: 至人無己,神人無功,聖人無名. Watson (1968): “Therefore I say, the Perfect Man has no self; the Holy Man has no merit; the Sage has no fame.” Graham (1981): “Therefore I say, the utmost man is selfless, the daemonic man takes no credit for his deeds, the sage is nameless.”

A tríade aparece logo após a anedota do Péng e da pequena ave: Sòng Róngzǐ ria do mundo todo louvar Lièzǐ, e Lièzǐ podia montar no vento por quinze dias — mas ainda dependia de algo. Só quem cavalga “a verdade do céu e da terra” (天地之正) sem depender (無待 wúdài) chega ao xiāoyáo. Os três epítetos — zhìrén (至人, “homem realizado”), shénrén (神人, “homem espiritual”), shèngrén (聖人, “sábio”) — não são figuras distintas no corpo do livro, mas três descrições da mesma condição examinada por três ângulos: ausência de eu (wú jǐ 無己), ausência de mérito buscado (wú gōng 無功), ausência de fama (wú míng 無名).

A passagem é o programa ascético dos Internos. O wú jǐ não é dissolução mística do indivíduo — é a recusa do eu como ponto de referência fixo, prefigurando o “eu perdi a mim mesmo” (吾喪我) com que abre o capítulo 2. Brook Ziporyn detalha como a tradição neotaoísta de Wáng Bì e Guō Xiàng (séc. III d.C.) leu a tríade no quadro do xuānxué 玄學 (“estudo do obscuro”). A recepção chan/zen converte wú jǐ em muga (無我) japonês, leitura próxima do anātman budista — sincretismo posterior, não equivalência original.