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❝ Citação

How do you know the fish are happy?

Encerramento do capítulo 17, Qiūshuǐ 秋水 (“Cheias de outono”). Chinês: 莊子與惠子遊於濠梁之上。莊子曰:「鯈魚出遊從容,是魚之樂也。」惠子曰:「子非魚,安知魚之樂?」莊子曰:「子非我,安知我不知魚之樂?」 Watson (1968): “Chuang Tzu and Hui Tzu were strolling along the dam of the Hao River when Chuang Tzu said, ‘See how the minnows come out and dart around where they please! That’s what fish really enjoy!’ Hui Tzu said, ‘You’re not a fish — how do you know what fish enjoy?’ Chuang Tzu said, ‘You’re not me, so how do you know I don’t know what fish enjoy?’” O fecho do diálogo: “I know it by standing here above the Hao.”

A anedota é o ponto mais comentado da relação Zhuangzi-Huì Shī (惠施, c. 380-305 a.C.), figura da Míngjiā 名家 (Escola dos Nomes), o ramo lógico-paradoxal do pré-Hàn. Hui Shi joga com a regra de inferência (premissa “x não é y” implica “x não pode saber y”); Zhuangzi devolve a regra contra ele, e em seguida muda de jogo: o “como” (安) que era “por que vias?” passa a ser “de onde?” — e a resposta é o lugar onde está. Crítica em ato à pretensão lógica de tratar conhecimento como propriedade intrínseca de proposições.

Chad Hansen (A Daoist Theory of Chinese Thought, 1992) lê a passagem como a maturação da posição perspectivista de Zhuangzi contra o universalismo Mohista. A. C. Graham nota que o capítulo 17 é provavelmente do “primitivista” zhuangzista (séc. III a.C.), não do mestre histórico, mas reproduz fielmente o tom dos diálogos com Hui Shi nos Internos (cap. 1, 2, 5). Na recepção, Borges cita o episódio em Otras inquisiciones; François Jullien (Un sage est sans idée, 1998) usa-o como exemplo da resistência chinesa à epistemologia grega.