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得意而忘言

Capítulo 26, Wàiwù 外物 (“Coisas externas”), Capítulos Mistos. Chinês: 荃者所以在魚,得魚而忘荃;蹄者所以在兔,得兔而忘蹄;言者所以在意,得意而忘言。吾安得夫忘言之人而與之言哉. Watson (1968): “The fish trap exists because of the fish; once you’ve gotten the fish, you can forget the trap. The rabbit snare exists because of the rabbit; once you’ve gotten the rabbit, you can forget the snare. Words exist because of meaning; once you’ve gotten the meaning, you can forget the words. Where can I find a man who has forgotten words so I can have a word with him?”

A passagem ficou conhecida pela fórmula 得意忘言 (déyì wàngyán, “obter o sentido e esquecer as palavras”), divisa programática que o neotaoísmo xuánxué dos séc. III-IV d.C. converte em método hermenêutico. Wáng Bì (226-249), comentador do Yìjīng e do Dàodéjīng, usa a divisão zhuangzista entre yán (palavra), xiàng (imagem) e (sentido) como princípio interpretativo: signo é instrumento, descartável quando o sentido aparece.

Em recepção, a formulação é uma das mais influentes da história da hermenêutica chinesa. Liu Xie (Wénxīn diāolóng) e a poética chan/zen retomam o tópos para justificar o gōng’àn (公案, kōan) — a frase paradoxal que serve para se desfazer no instante de ser entendida. François Jullien (Le détour et l’accès, 1995) lê a passagem como matriz da estratégia chinesa do desvio: o sentido nunca é dito, apenas indicado; o que importa é a captura. A. C. Graham observa que o capítulo 26, embora dos Mistos, recolhe materiais provavelmente próximos do mestre histórico — a brincadeira final (“achar um homem que esqueceu as palavras para conversar com ele”) tem o tom inconfundível de Zhuangzi.