彼是莫得其偶,謂之道樞
Capítulo 2, Qíwùlùn 齊物論. Chinês: 彼是莫得其偶,謂之道樞。樞始得其環中,以應無窮. Watson (1968): “When ’this’ and ’that’ have no opposites — that is the pivot of the Way (dào shū 道樞). When the pivot is fitted into the socket, it can respond endlessly.” Graham (1981): “When neither It nor Other find its opposite, that is called the axis of the Way. The axis enters at the centre of the ring, where it answers without end.”
A imagem é mecânica: shū 樞 designa a dobradiça da porta, ou o eixo que entra no anel da fechadura. O ponto onde bǐ 彼 (“aquilo”) e shì 是 (“isto”) deixam de ser oposições rígidas é descrito como o pivô que, encaixado no centro do círculo, gira para qualquer direção sem fim. A passagem está no coração argumentativo do Qíwùlùn: contra o método disputatório dos Mohistas tardios e da Míngjiā, que multiplica afirmações e negações, Zhuangzi propõe um lugar lógico anterior à oposição — não síntese hegeliana, e sim suspensão do mecanismo dicotômico.
A formulação é uma das mais comentadas dos Internos. Guō Xiàng faz dela base do conceito de míngshí xiāngyīng 名實相應 (correspondência entre nome e realidade dissolvida no centro). Heidegger discute a passagem no diálogo com o filólogo japonês Tezuka Tomio (Aus einem Gespräch von der Sprache, 1953), atraído pela imagem do “centro vazio”. François Jullien (Procès ou Création, 1989) toma o dào shū como exemplo paradigmático da lógica chinesa do “entre”. A. C. Graham nota que o trecho condensa a oposição zhuangzista a Huì Shī e à Escola dos Nomes — não rejeita a lógica, suspende-a num ponto interno.
