道行之而成
Trecho do capítulo 2, Qíwùlùn 齊物論. Chinês: 道行之而成,物謂之而然 (“O dào se realiza ao ser percorrido; as coisas são assim porque são chamadas assim”). Tradução de Watson (1968, p. 40): “The Way is made by our walking it; things are so by our calling them so.” A. C. Graham (Chuang-Tzu: The Inner Chapters, 1981) traduz “A Way is made by walking it; a thing is so by being called so.” Brook Ziporyn (Hackett 2009) prefere “A road is made by people walking on it; things become ‘such-and-such’ by being called such-and-such.”
A frase circula em manuais motivacionais como provérbio de Confúcio — atribuição falsa. O contexto em Zhuangzi é técnico, não inspiracional: a sentença está dentro de um argumento sobre a natureza convencional das classificações. Dào e nomes não são realidades fixas que precedem a ação ou a fala; emergem do trânsito e do uso. A leitura paralela de Antonio Machado (“caminante, no hay camino, se hace camino al andar”, Proverbios y cantares XXIX, 1912) é tópos análogo, sem filiação direta documentada.
A. C. Graham marca a passagem como uma das formulações centrais do antiessencialismo dos Internos: contra Mèngzǐ e os Mohistas, Zhuangzi recusa que haja um dào “verdadeiro” anterior à prática. Ziporyn discute em nota a recepção do trecho na tradição Guo Xiang (cap. III d.C.), onde é lida como chave do dúhuà 獨化 (autotransformação).
