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Wuxia (mandarim, literário) vs Kung Fu (cantonês, popular) no cinema

A distinção entre wuxia pian (武俠片, “filme de cavaleiro errante marcial”) e kung fu film revela duas linhagens no cinema chinês, com escolhas linguísticas que carregam bagagens culturais diferentes.

Wuxia é mandarim, vocabulário da tradição literária. O gênero remonta à literatura clássica chinesa (Shi Nai’an, Luo Guanzhong) e ao cinema mandarim de Xangai e Hong Kong dos anos 1920–60: heróis errantes, espadas, artes místicas, ambientação histórica. King Hu, Chang Cheh, Zhang Yimou trabalham nessa linhagem.

Kung Fu é cantonês, vocabulário coloquial da diáspora. O gênero “kung fu film” emerge na Hong Kong cantonês dos anos 60–70 com Lau Kar-leung, Bruce Lee, Jackie Chan: combate desarmado, ambientação contemporânea, ênfase na técnica corporal.

Stephen Teo, em Chinese Martial Arts Cinema: The Wuxia Tradition (Edinburgh, 2009), argumenta que essa cisão é central para entender por que o termo “kung fu” colou globalmente no Ocidente. Foi o vocabulário cantonês, exportado por Bruce Lee, que virou marca internacional; o “wushu” mandarim, oficializado pela China continental, ficou para trás.