Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar
A proposição 7 fecha o Tractatus Logico-Philosophicus. É a única frase de sua seção: nas seis anteriores, Wittgenstein descreve a estrutura de proposições com sentido (relações lógicas, figuração do mundo). A sétima recolhe o que sobra fora desse perímetro e prescreve um gesto.
No alemão original: “Wovon man nicht sprechen kann, darüber muss man schweigen.” O verbo müssen opera como consequência da arquitetura lógica das seis primeiras proposições, não como exortação ética. Tudo o que tenta ser dito sobre ética, estética, sentido da vida ou metafísica viola a forma da proposição com sentido. Não pode ser dito. O que resta, no plano da linguagem, é o silêncio.
A leitura padrão chama esse silêncio de resignado: Wittgenstein teria fechado a porta sobre o místico. A leitura resoluta (Cora Diamond, James Conant) inverte o sinal: o livro inteiro se autodescarta como sem sentido (unsinnig) na proposição 6.54, e o silêncio da 7 é o que permanece quando o leitor reconhece que mesmo a estrutura do Tractatus era escada a ser descartada.
