Os limites da minha linguagem significam os limites do meu mundo
A proposição 5.6 vem na seção que discute solipsismo, sujeito e mundo. No alemão: “Die Grenzen meiner Sprache bedeuten die Grenzen meiner Welt.” O verbo bedeuten aqui é forte: não significa “implicam” no sentido frouxo. É identidade lógica entre dois domínios coextensivos.
O contexto importa. Logo depois (5.61), Wittgenstein nega que existam pensamentos sobre o que está fora dos limites — pois pensar o ilimitado seria já tê-lo dentro do limite. Em 5.62 e 5.63, a tese se desdobra em uma forma de solipsismo que coincide com o realismo puro: “Eu sou meu mundo. (O microcosmo).”
A frase é apropriada com frequência fora do Tractatus como slogan multiculturalista ou inspiracional sobre vocabulário e horizonte. A leitura técnica é diferente: não trata de palavras de uma língua natural, mas dos limites lógicos do que pode ser representado em qualquer linguagem com sentido. Não é pergunta sobre repertório lexical; é pergunta sobre forma da proposição.
