Não é acordo em opiniões, mas em forma de vida
O §241 fecha o argumento sobre o seguir uma regra com uma resposta a um interlocutor imaginário. À objeção de que sua posição reduz a verdade a consenso humano, Wittgenstein responde: “So sagst du also, daß die Übereinstimmung der Menschen entscheide, was richtig und was falsch ist?” — Richtig und falsch ist, was Menschen sagen; und in der Sprache stimmen die Menschen überein. Dies ist keine Übereinstimmung der Meinungen, sondern der Lebensform.
A tradução: “É o que os homens dizem que é verdadeiro e falso; e na linguagem os homens concordam. Isso não é concordância em opiniões, mas em forma de vida.”
A distinção é técnica. Concordância em opiniões pressupõe que cada um chegou independentemente à mesma proposição: concordância empírica, que pode ser verificada por confronto. Concordância em Lebensform (forma de vida) é prévia: é o pano de fundo prático compartilhado que torna possível haver opiniões em comum. Inclui reações naturais, treinamento, costumes, técnicas. Não é tese antropológica relativista; é descrição do que tem que estar dado para que linguagem opere.
A passagem é central para a leitura de Wittgenstein no século XX. P. M. S. Hacker e G. P. Baker tomam Lebensform como categoria gramatical (não sociológica). Stanley Cavell radicaliza: a concordância em forma de vida é frágil, e a possibilidade de quebra é parte da condição da linguagem.
