The supreme vice is shallowness
Frase de De Profundis, a carta-ensaio de 50 mil palavras que Wilde escreveu em Reading Gaol entre janeiro e março de 1897, dirigida a Lord Alfred Douglas. Bosie (apelido familiar de Douglas) era o jovem aristocrata cuja relação com Wilde tinha desencadeado os processos de 1895. A formulação aparece como refrão variado ao longo da carta.
A escrita foi autorizada apenas em registro de uma folha por dia, sob inspeção do diretor da prisão Major James O. Nelson. Wilde entregou o manuscrito a Robert Ross na soltura em 19 de maio de 1897. Ross publicou uma versão expurgada em 1905 sob o título De Profundis, contendo só os trechos filosóficos, sem as recriminações pessoais a Douglas. A versão integral foi liberada por Vyvyan Holland (filho de Wilde) e editada por Rupert Hart-Davis para The Letters of Oscar Wilde em 1962.
A frase é central para o argumento da carta. O vício de Bosie e o vício do próprio Wilde antes da prisão coincidem: superficialidade no trato dos afetos, da arte, da vida cotidiana. O sofrimento ganha valor por ser remédio contra essa condição. É uma reformulação cristã via Renan e Pater do tópos da imitatio Christi, em que Cristo aparece menos como redentor que como artista da própria vida, figura recorrente no texto.
