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Lying, the telling of beautiful untrue things, is the proper aim of Art

Conclusão de The Decay of Lying, dita por Vivian no fechamento do diálogo. A formulação completa: “The final revelation is that Lying, the telling of beautiful untrue things, is the proper aim of Art”. Vem como síntese das três doutrinas que Vivian tinha enunciado ao longo do ensaio.

A “mentira” no ensaio é termo técnico. Não significa fraude, dissimulação ou má-fé — significa o registro fictício, a ficção como categoria, a recusa do realismo como ideal. O ensaio é polêmico contra Émile Zola e a escola naturalista francesa, contra George Eliot e o realismo psicológico inglês, e contra a noção mais ampla de que a arte deve fidelidade ao dado.

Wilde reabre nesta conclusão a tradição de Sir Philip Sidney em Defence of Poesy (1595), que tinha argumentado que o poeta não mente porque não afirma — distinção que Wilde inverte: o poeta mente porque é seu ofício mentir, e a mentira aqui é virtude estética e marca da arte verdadeira. O ensaio é hoje texto fundador do que viria a ser chamado de modernismo estético.