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Life imitates Art far more than Art imitates Life

De The Decay of Lying, ensaio em forma de diálogo publicado por Wilde em janeiro de 1889 em The Nineteenth Century, depois recolhido no volume Intentions em 1891. O texto é diálogo entre Vivian (que defende a tese) e Cyril (que questiona) em locação ficcional na biblioteca da casa de Vivian.

A inversão atinge a tradição da mimesis estabelecida desde Aristóteles: arte imita vida. Wilde inverte o sinal — vida imita arte. O argumento de Vivian se desdobra em três doutrinas: a arte expressa só a si mesma; toda arte ruim vem do retorno à vida e à natureza como matéria; vida imita arte mais do que arte imita vida. Os exemplos mobilizados são o nevoeiro de Londres (que existe esteticamente desde Whistler e Turner), o tipo do herói romântico (que se naturalizou no comportamento real depois de circular no romance) e a fisionomia social vitoriana (modelada pelos romances de Thackeray e Dickens).

A tese teve longa fortuna crítica — é antecipação de teses de Susan Sontag, Roland Barthes, Jean Baudrillard sobre simulacro e construção estética da realidade. No próprio Wilde, é a fundação teórica do método: as peças e o romance que viriam (1890-1895) operam dentro do princípio que o ensaio enuncia, oferecendo personagens e cenas que depois se tornariam matrizes para comportamentos sociais.